terça-feira, 26 de novembro de 2024

O algoritmo

O algoritmo é onipotente, onisciente, onipresente. O algoritmo sempre vence. Ele nos dá o que nem sabíamos que precisávamos. O algoritmo trancou você no seu mundo perfeito. Assim como Adão e Eva, você está inocente no paraíso, por não conhecer a maldade que existe lá fora. Voltamos ao mito da caverna de Platão. Você só vai ouvir o que você deseja. Se hoje é ele quem escolhe a sua música, a sua roupa e a sua alimentação… amanhã ele irá escolher com quem você deve passar o resto de seus dias. E se você está lendo este texto, provavelmente foi porque ele permitiu. Mas de todas as mazelas do algoritmo, a pior é o armazenamento de nossos dias. O algoritmo é cegueira e desatenção.


sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Marte

Eu vou-me embora para Marte.
Pois em Marte não há vida.
Sem vida não há depressão.
Em Marte apenas, o silêncio.
Em Marte apenas, a solidão.

Não há, odiar-te em Marte.
Não há, amar-te em Marte.
Em Marte apenas, o vazio.
Em Marte, a vermelhidão.
Eu vou-me embora para Marte.

domingo, 10 de novembro de 2024

Auto-Reflexivo

Isto o que mexe comigo aqui dentro,

É, apenas, um pensamento.

Embora carregado de sentimentos,

É, apenas, um pensamento.

Dito isso,

Não devo me preocupar.

Pois os pensamentos…

Não são reais. 

Pós-Verdade

Pequena reflexão de domingo... Atualmente as pessoas acreditam no que elas querem acreditar. As pessoas acreditam no que elas querem que seja verdade. Não tem essa de "inocentes vítimas" de fake news. Há um ou outro bobo, mas a maioria sabe distinguir o certo do errado. As pessoas sabem que é mentira, mas continuam repetindo a mentira. E os motivos são os mais variados, desde a vontade de eliminar um inimigo até a de levar alguma vantagem. Deve ser isso, o que chamam de pós-verdade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Zé Povinho

Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo  Zé Povinho que não aceitou quando Galileu afirmou que a Terra não era o centro do Universo... é o mesmo Zé Povinho que acusava mulheres de bruxaria e as denunciava para a Santa Inquisição. Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo Zé Povinho que vibrava diante das execuções públicas da Idade Média. Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo Zé Povinho que festejou quando foi anunciada a primeira guerra mundial. Esse Zé Povinho que tá aí... A tecnologia evoluiu, mas não o Zé Povinho. O Zé Povinho continua apoiando ditadores e tiranos de direita e de esquerda. Esse Zé Povinho que tá aí, ao seu lado, no trabalho, no lazer, nos estudos, e até na família.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Ensino o seu filho a andar de bicicleta

Ensine o seu filho a andar de bicicleta. Aproveite para conversar com ele enquanto faz isso. Se não tiver uma bicicleta pode ler uma estorinha para ele ou ela à noite. Quem sabe junto disso algum afago e palavras que aumentem a sua confiança. Sempre que eu vejo um adulto feliz e seguro de si, eu me lembro dos pais com as crianças no parque onde eu caminho e penso: "O pai ensinou a ele a andar de bicicleta." Pode não ser uma regra, existem exceções. Mas normalmente é verdade. Abandone esse celular e vá lá. "Ensine o seu filho a andar de bicicleta."

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

A Paixão Por Uma IA

Nos Estados Unidos um garoto de 14 anos cometeu suicídio por uma personagem que ele criou com auxílio da IA. Assim como no mito grego de Pigmalião ele se apaixonou por sua própria criatura. Ele se matou para poder encontrar com ela em outro mundo na esperança de uma vida pós-morte assim como os religiosos sonham com o paraíso. No livro de Philip K. Dick, O Caçador de Androides, as pessoas têm os seus pets robôs. Dick previu que o mundo trocaria crianças por animais bem antes disso acontecer. No futuro, os pets serão substituídos por robôs. É tudo por uma questão de praticidade, da mesma forma que é mais prático e menos doloroso ter um pet do que uma criança, será mais fácil ter um robô do que um pet. Ele não morre, não come, e pode ser desligado a qualquer momento. Fico imaginando como será a febre dos robôs sexuais. Muitos irão optar por ter uma parceira ou parceiro robôs, pois será mais conveniente, alguém que só diga "meu amor" em vez de ficar reclamando. Enquanto isso, parte das crianças e adolescentes vivem trancados em seus quartos alimentando uma fantasia que no passado só era possível no cinema e na literatura.

sábado, 2 de novembro de 2024

Narcopentecostalismo

Onde está escrito na Bíblia que se deve agredir pessoas de outras crenças fisicamente? Se é tudo em nome de Jesus em que passagem Jesus diz isso? Hein? Se é sobre Jesus é preciso falar apenas do Novo Testamento. Onde está escrito na Bíblia que Deus autoriza homens armados a oprimir os que não compactuam das mesmas verdades? Em que passagem bíblica é legitimado o que está acontecendo no Rio de Janeiro? E aquelas imagens da freira sendo agredida? E aquela mãe de santo idosa tendo de quebrar o seu terreiro? Ô sociedade civil, ninguém vai fazer nada?! A não ser que a Bíblia desses traficantes e de seus pastores seja muito diferente das outras, não consigo perceber onde está escrito tudo isso. O Brasil, e principalmente o Rio de Janeiro, caminha a passos largos para ser uma república evangélica fundamentalista num regime próximo ao do Estado Islâmico dominado pelos traficrentes sob as bandeiras do narcopentecostalismo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Sofrimento Ancestral

Mesmo depois de tanto tempo eu não consigo superar a sua morte. Embora hoje entenda os seus motivos. Mais do que negros nós éramos pobres. E não quero dizer com isso que os outros em outras condições não sofram. Mas nós tínhamos uma solidão diferente. Este abandono de não conseguir cumprir com o que esperam de nós. Somos homens que, ao carregar o peso da miséria, não comunicamos nossos sofrimentos. Era trabalhar excessivamente, ficar doente, beber a vida, e morrer relativamente jovem. Foi assim com o nosso avô, com os nossos tios, e até primos. Sempre era preciso buscar algum anestésico para aquela dor enorme; fosse o álcool, alguma droga, ou qualquer outro vício. As pessoas decentes e puras podem dizer o que elas quiserem sobre isso. Elas podem até conhecer o tipo de dor com a qual nós precisamos viver ou o contexto em que estamos inseridos. Mesmo assim, simplesmente não conseguem se pôr em nosso lugar. Nós pertencemos a mesma família. E isso faz com que a nós carreguemos esse temperamento. Para que um de nós sobreviva é preciso dobrar toda uma carga que apenas nós conhecemos. Pois ela é ancestral. Assim como um círculo que precisa ser interrompido.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Hoje ainda é terça-feira

A pessoa no atendimento não era muito simpática. Ela falou sem olhar para o meu rosto. Talvez ela odeie o seu trabalho. Talvez ela esteja na profissão errada. Talvez isso, talvez aquilo, vá saber. A senhora no supermercado passou na minha frente. Foi sem perdão. Não sei se corto o meu cabelo. Ele está igual ao do Jimi Hendrix. Estou com pena de cortar. E com preguiça. A minha barba está parecida com as dos Beatles. As pessoas podem não gostar ou se sentirem ofendidas. Eu estou numa encruzilhada. Essas indefinições e dúvidas da vida é que são chatas. E hoje ainda é terça-feira.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A Síndrome de Peter Pan

As academias queimam gordura, só não queimam a busca por uma juventude que já passou. Será que é isso o que chamam de Síndrome de Peter Pan? Ficar preso na Terra do Nunca. Nunca crescer. Mas, além dos benefícios de uma boa saúde, é claro. Você procura por seus amigos de infância e descobre que eles já cresceram. Volta ao velho bairro, mas está tudo mudado, os prédios, as pessoas, parece que você não reconhece mais ninguém. Se você estivesse parado, mesmo assim o mundo mudaria à sua volta. Uns mudaram. Outros morreram. Outros são tios e avós. É sempre a mesma velha história todo final de ano e no dia das eleições. Todo mundo está sobrevivendo. É como quando terminam as aulas das universidades e todos vão embora das cidades e não pode ter apego. Sentem saudades, deixam saudades nos que ficam, mas a vida precisa andar. Vamos nos encontrar novamente, não vamos? Sei lá! Se você tentar retornar ao passado para consertar as coisas pode ser que as deixe pior. Você é da antiga e sabe que é preciso tomar cuidado com a boêmia tardia.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Crítica à ignorância coletiva

Proporcionalmente, os apedeutas, ignaros e autômatos são a maioria esmagadora. As pessoas de ideias, curiosas e interessadas em novidades cabem em uma casa de dois cômodos, assim como palitos numa caixa de fósforos.

domingo, 13 de outubro de 2024

Mas só depois de ler os livros

É preciso ler os corpos, as pessoas, as coisas, os bichos, os semáforos. As frases pichadas nas paredes, os discursos, as figuras, as notas de rodapé, o mundo. É preciso ler tudo. Mas só depois de ler os livros.

domingo, 22 de setembro de 2024

Ser forte....

Ser forte de novo. E de novo, e de novo. Ser forte só mais uma vez. Ser forte o quanto for necessário. Ser forte só por mais um dia. Só mais um pouquinho. Por algumas horas. Alguns minutos. Mais alguns segundos... ai.... ai... Ser forte novamente... É só o que a vida espera de nós.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Preto pardo ou mulato

Continuei na cozinha.
Mas me recusei a lavar os pratos.
Eu estava de terno e sapatos.
Nunca fui de andar aos trapos.

Trago aqui os meus papéis.
Sou um homem pacato.
Não sou de parar no distrito...
por desacato.

Mas eu não sei se eu sou preto,
pardo,
ou mulato.

Sempre fui tímido.
Então sempre tive algum recato.
Trago aqui meus documentos.
Pode conferir o meu retrato...

Sou até bem aberto.
Não sou contra os fatos.
Mas não quero carregar para sempre...
viver com esse fardo.

Pois eu não sei se eu sou preto,
pardo,
ou mulato.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Na hora da morte

Existem pessoas más e situações inevitáveis. Porém, na maioria das vezes, quem não pede perdão e quem não diz "eu te amo" é quem mais se arrepende na hora da morte.

Ainda hoje

Assim como o homem da pré-história, nós temos de lutar para nos proteger do frio, do calor, da fome, e dos nossos predadores. Além da loucura... é claro.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

O vírus influencer

Existe uma velha doença chamada celebridade que havia sido erradicada e que agora voltou com força total, transmitida por um vício de nome influencer. Ele está contaminando principalmente gente da política, da arte, dos esportes e o grupo mais vulnerável: a maior parte da população. O vírus se propaga através da ilusão e da fantasia de que todos podem ser famosos e endinheirados. Os campos estão secando com essa praga e a colheita deste ano parece incerta. Estou com tanto medo da contaminação que tenho utilizado a minha máscara social. Hoje esbarrei em algumas celebridades na Avenida Principal e tropecei em outras. No transporte coletivo, sentei em cima de uma que estava tirando uma selfie. Vou rezar para que não tenha sido contaminado.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Prazos!

Prazo, prazo, prazo! Compras a prazo! Existe prazo para tudo. Acostume-se ou aceite? Prazo para entregar o relatório, o livro, a dissertação… Prazo para decidir. Prazo para desistir. Prazo para pagar as contas. Tudo tem um prazo! Ah, esses prazos! Os prazos não deixam crescer, florescer e surgir naturalmente… Prazo é tempo. E tempo nós sabemos o que é. O prazo é frio como um prédio cinzento. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Escrever

Escrever faz bem para a cabeça. E para a pele. Pôr tudo na tela. No papel. Expelir. Vomitar. Deixar o caminho livre. As vias respiratórias. A corrente sanguínea. Passar por uma catarse. Tirar o peso da consciência. Não sobrar nada. Estar vazio novamente. Como uma tábula rasa. Novo de novo. Renovado. Jovem. Direto do forno. Fresquinho. Recomeçar…

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Do contrário

Alguma coisa sobre a qual não temos controle acontece e provoca-nos uma enorme preocupação. Toma conta do nosso cérebro como se o único pensamento na nossa mente fosse esse grande problema. Você estava sentado confortavelmente em sua poltrona horas atrás, e, de repente, o mundo virou de cabeça para baixo. E você não sabe o que fazer para resolver essa equação, pois não esperava que ela existisse. Não teve nem como se precaver. Ou menosprezou a ameaça. É hora de lidar com os seus medos, e com as suas agonias. No momento em que mais precisa de paz e tranquilidade é quando a irritação e a ansiedade se fortalecem. Nessas horas, o que fazer? Os espíritos iluminados sorriem. Outros entram em desespero. Existe quem não dê a mínima. A maior parte recorre à sua fé, seja ela qual for. Eu só peço a Deus que este tornado à minha frente não me atinja com toda a sua força, e que após ele passar eu possa sorrir de alívio e dizer o quanto fui ridículo. Do contrário, eu estou lascado!

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Os sonhos

"Os sonhos não envelhecem…" Lô Borges canta. "O pensamento é a força criadora.", "O limite é uma fronteira criada só pela mente." Edi Rock versa com os Racionais MC's. A música popular serve de inspiração. As pessoas podem envelhecer. Mas, não os seus sonhos. Os seus sonhos, não. Não, os seus propósitos. Os seus propósitos, não. Quem envelhece é o corpo, não o objetivo. A expressão do rosto pode mudar, e a saúde pode até falhar… Mas diz o clichê: "Enquanto houver sonho haverá vida", "Enquanto houver vida há esperança." Responde o Eclesiastes. Então "nunca deixe de sonhar", nessas horas os clichês nos servem para dar ânimo. O que vale é o exemplo, mas para citar Raul Seixas, as pessoas que estão "esperando a morte chegar…", precisam olhar para frente, "pois longe das cercas embandeiradas que separam quintais…" para que continuem vivas. Como o próprio Raul Seixas cantou em outra ocasião: "Você ainda pode sonhar…"

sábado, 31 de agosto de 2024

A cultura

Ninguém pode medir os benefícios da cultura. Quanto vale assistir a um filme de que se gosta? Ou a uma peça de teatro? Quem é que pode estipular o quanto de prazer é obtido com a música? E o quanto de aprendizado ao ler um livro? A cultura age silenciosamente; ela combate o tédio, a mente vazia, a falta de propósito, e desenvolve mais os sentidos em seu estímulo à criatividade. Mesmo quando é preciso ter um pouco de paciência e ser insistente para a compreender. Também pode não ser entendida. Aparentemente ninguém ganha nada ao observar um quadro. Mas sim, ganha o mesmo que se ganha em estado contemplativo diante de um pôr do sol. Quem pode dizer o que não aconteceu por causa da cultura? Embora seja nítido o tanto de beleza e significado que ela trouxe à vida.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A hora do almoço

O ambiente é de quase silêncio. Todos teclam de cabeça baixa. Ele ouve a sinfonia das teclas. Mas o seu trabalho travou. Não consegue sair do lugar. Não consegue mais raciocinar. São os prazos. O mundo sempre tem esses prazos malucos. Ele olha por sobre o ombro do colega; este aqui já vai bem adiantado. Aquele ali, nem tanto. Ele avança aos poucos. Espera poder entregar a sua parte dentro do prazo estipulado. “Tempo é dinheiro”, o seu chefe repete. Ele sorri. O relógio se esforça para avançar. Tudo bem. Minimiza a tela. Entra na rede social. Nada. A sua mente vagueia. “A gente deveria poder ir lá fora para respirar”, ele diz ao colega do lado. O colega responde: “Se eu quiser respirar, eu respiro aqui dentro.” Ele pensa: “Ainda me chamam de colaborador! Eu sou empregado! Isso sim!” Ele precisa bater sua meta. Se não bater a meta não tem emprego. Se não tiver emprego não tem nada. Ele vai tentar de novo. “Vai empurrando com a barriga…” É a lembrança da voz de um tio da sua infância. Ele sonha com a hora do almoço. Hoje ele quer almoçar sozinho. Quando der meio-dia ele vai comprar um hambúrguer e uma cola com trinta mil calorias, e deitar no parque com os fones nos ouvidos com uma música agradável. Antes de tentar novamente.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Nós, simplesmente não temos tempo!

Meus amigos e minhas amigas, vemos cada coisa nessas andanças por este mundo de meu Deus. O sujeito começa a discutir e a veia do pescoço dele fica estufada. Ele baba e solta perdigotos. O seu rosto fica vermelho. Se ele conseguisse se olhar no espelho, veria como a sua aparência fica assustadora, e como ele ou ela envelhece uns duzentos anos. Está em risco de contrair uma úlcera, um cancro, sei lá, ter um infarto. O povo na multidão grita: Doutor, essa menina teve um troço! Esse rapaz caiu num piripaque! Será um caso de psiquiatria? O médico vem e pede para amarrá-lo na maca da ambulância. É um caso de anestesia geral para ver se sossega o facho. Se chamar um policial, ele dá logo um mata-leão. Ninguém aguenta mais. A vizinhança não aguenta mais as discussões, os casos de família, as expulsões de sala de aula, os almoços familiares que são estragados, a birra com os amigos. Chega, né? Tá bom, já! E meus amigos e amigas, pasmem! Sabem qual é o motivo? Um vizinho fofoqueiro responde: não! Eu respondo que os motivos são os mais variados possíveis; um dia é: o meu Deus é maior que o seu Deus! No outro: o meu time de futebol é mais bonito que o seu! E por último, para fechar com chave de ouro: o meu candidato é o melhor… o meu partido é o maior. Pelo amor de Deus! Vamos viver... Que ninguém tem tempo para isso. Nós, simplesmente não temos tempo!

sábado, 24 de agosto de 2024

Os primeiros acordes

Alguns artistas podem nos inspirar com os seus exemplos. Existem artistas que deixaram de fazer sucesso há muito tempo, e que mesmo assim tocam as suas músicas com o mesmo fervor, mantendo o mesmo frescor e sendo atenciosos com o seu público fiel, e ainda apaixonados por sua arte. As suas canções não estão mais entre as mais baixadas, eles não estão mais o tempo todo sob os holofotes, e não são mais caçados pelos flashes. As suas vidas não são mais parte do tempero da fofoca do dia. Muitos não se encontram mais em forma. Não estão nas capas dos sites, e nem chamam atenção por sua beleza do passado. Os cabelos estão grisalhos, ou rareando, as barrigas um pouco crescidas, e as vozes nem sempre alcançam as mesmas notas. São homens e mulheres que envelheceram fazendo aquilo que mais gostam, e que não se importam em ensaiar e tocar durante uma noite inteira o mesmo repertório de 20, trinta anos atrás. Quando eles olham para baixo de cima do palco, percebem que o tempo também passou para a plateia de jovens que os acompanhavam. Esses homens e essas mulheres aprenderam a viver no tempo presente. Não ficaram presos às glórias do passado. Todos nós devemos ser como eles. É preciso aceitar a passagem do tempo e se adaptar a ela. Não somos mais crianças, e nem tão jovens como éramos. Mas, ainda podemos sonhar, como eles sonharam, quando eram adolescentes, e tocavam os seus primeiros acordes. E, assim como eles, podemos tocar as mesmas notas... como se fosse a primeira vez.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Na racionalidade é onde está o mal

É preciso ter saúde para trabalhar


Pois um saco vazio voa pelo ar


Não há túnel arco-íris não há nenhum além


Não há como manter uma atitude zen


Minha mente se adapta para sobreviver


Vive vendo inimigo onde não pode ser


Proust com seu fluxo de pensamentos


Em busca do tempo perdido perde muito tempo


Enquanto me veem como um excêntrico


Não consigo traçar um círculo concêntrico


Dúvida no cérebro a incerteza no corpo


Medo de ser incapaz e ser tachado de louco


Não me enquadro em sua sanidade


Não consigo acompanhar o andar da carruagem


Shakespeare resolve esse enorme drama


Que se desenvolve bem na minha cama


Será que sou mais um caso perdido


Sonho ressuscitar um Cristo redivivo


Medicação por todo meu organismo


Nietzsche avisou não olhe pro abismo


Sonho ser funcional ter saúde mental


Sonho ser normal sonho ser igual


Todo doido sonha ser um racional


Mas na racionalidade é onde está o mal


terça-feira, 6 de agosto de 2024

A leitura nos dias atuais

As pessoas hoje não leem nem bula de remédio. A preguiça é tanta que o sujeito dorme na segunda linha da mensagem do WhatsApp. Nas redes sociais só veem fotos. É por isso que dão meus pêsames ao aniversariante, e feliz aniversário ao defunto. Isso, eu estou falando dos velhos, estou falando dos velhos. Pois essa geração que nasceu conectada passa em frente a uma banca de jornais e pergunta: “O que é isso?”. Se der uma revista em quadrinhos na mão deles, eles vão tentar arrastar a imagem com o dedo para o lado. Os professores arrancam os cabelos na sala de aula pensando em como passarão o conteúdo para quem não gosta de ler nem o enunciado. As faculdades formam gente que não sabe assinar o nome. As editoras que ainda existem disputam seus leitores aos murros, e muitas vezes com o golpe baixo da autoajuda e de romances cada vez mais açucarados. A leitura vai fazer com que você fique melhor no que é bom. A leitura por si só, não transforma o malvado em bonzinho. Tanto é assim, que as academias estão cheias de gente bruta. Mas, o conhecimento vai continuar na mão dos poderosos. A leitura não conseguiu transformar o mundo, mas ela vai fazer muita falta. 

domingo, 4 de agosto de 2024

Xenófobos

Os xenófobos que existem em Portugal são os mesmos que sofrem com a xenofobia quando migram para outros países da Europa.

Simone Biles

Simone Biles é para Trump o que Jesse Owens foi para Hitler.

Quando eu me lembro de Roberto Carlos...

As novas gerações quando pensam em Roberto Carlos se lembram logo dos memes de final de ano insinuando que ele é uma múmia. Eu quando me lembro de Roberto Carlos lembro da minha infância. Eu me lembro dos fins de semana enquanto a minha mãe arrumava a casa e tocava Roberto Carlos na vitrola. Ela cantava ao passar a cera vermelha no chão. Eu consigo sentir o cheiro da cera. Eu me lembro de estar em pé no ponto de ônibus na Avenida Brasil sozinho, eu estava viajando para a casa da minha namorada que hoje é a minha esposa, quando o senhor da barraquinha de doces explodiu Emoções nas caixas de som. Quando eu me lembro de Roberto Carlos eu me lembro dos milhares de homens e mulheres que sofreram ao ouvir as suas músicas nos anos 1970 e 1980 à medida que o número de divórcios aumentou no Brasil. Eu me lembro das rádios e das madrugadas dos programas que só tocavam Roberto Carlos e embalavam milhões de trabalhadores que tinham apenas um aparelho como companheiro. Se fechar os olhos, posso ver um porteiro em seu cubículo com lágrimas nos olhos ouvindo uma canção de um dos reis do país. Eu me lembro dos milhares de cantores que sonharam desde a jovem guarda ser o novo Roberto Carlos e acabaram por inventar a música brega. Sim, eu também me lembro dos especiais de fim de ano. Mas não só disso, eu me lembro que assim como os discos das escolas de samba, um disco de Roberto Carlos era quase uma obrigação. Digam o que quiserem, para aqueles que tiveram suas vidas tocadas por Roberto Carlos ele continuará sendo único.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Seja herói, seja covarde!

Sorria, você está sendo filmado. Ou melhor, você está sendo vigiado. Por isso, não dê a sua opinião. Não importa o quão razoável ela seja. Os fanáticos de toda espécie… quais fanáticos? Todos. Não há nada pior para um fanático do que alguém razoável. Ele prefere ter um inimigo do que ter alguém sensato à sua frente. Ele não entende a sensatez. Só conhece o conflito. Sobre quem exatamente você está falando? Seja mais explícito! Falo sobre grupos religiosos; políticos, ideológicos, e de todos aqueles que carregam as suas causas em seus bolsos (não posso ser mais claro que isso, pelos mesmos motivos que escrevo este texto). Eles estão sentados em cima de uma verdade e ela é imutável. Por isso, não vale a pena. Não tente ser caubói e morrer como os mártires do passado. Não vá querer ser preso ou torturado à toa. Não desperdice a sua vida, alguém disse que a vida é curta demais para ser pequena. Agora que somos perseguidos o tempo todo em nossos trabalhos, escolas, templos e na rua… e todos os nossos passos são avaliados e contabilizados... Num pequeno deslize, você pode perder o seu emprego, a sua família, o seu convívio social, ou, na pior das hipóteses: a sua vida e a sua liberdade. Então, fique quieto. Até porque você não vai contrariar as verdades às quais um pessoa dedicou toda a sua vida. Muitas vezes, essas verdades são tudo o que essas pessoas têm. É o trabalho delas, o seu sustento, a sua vida. Nesses novos tempos sombrios em que vivemos, a melhor atitude é esquecer. Fingir que está de acordo com tudo. Quando perguntarem a sua opinião faça cara de paisagem. Existe um velho ditado das ruas que diz: “É melhor um covarde vivo, do que um valente morto.” Seja herói, seja covarde!

quarta-feira, 24 de julho de 2024

O preconceito da ignorância

Nem todo ignorante é preconceituoso. Mas, todo preconceituoso é ignorante. Pois ele ignora o motivo do seu ódio, que é fruto da sua frustração e ressentimento. Frustrado, encontra alguém em quem descontar a sua raiva, ele sabe ser um reles humano, e precisa crer que é superior aos outros a quem dirige o seu desprezo para continuar a viver a sua auto ilusão de superioridade. Ressentido, põe sempre a culpa em alguém por suas frustrações. São os outros que estão atravancando o seu caminho, e não deixando que ele, ou os seus, evoluam. O advento da Internet trouxe esta sensação sufocante do mundo estar ruindo em conflitos. A Internet só tem feito expor ainda mais aquilo que já existia, a ignorância de parte da humanidade.

Não há tempo

Não há tempo. Simplesmente não há tempo. Nós criamos tantas formas de aproveitar o tempo que acabamos sem tempo. Não há tempo para ler aquele livro, conversar sobre aquele filme, ou apreciar aquela paisagem. O maior problema da humanidade hoje é a falta de tempo.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Vida sem sabor

Fui ao médico hoje. Estou com sobrepeso, fígado gordo, e pedra na vesícula. Não posso mais comer nada gostoso ou beber álcool. Não bebo tanto. Não posso mais comer doces ou carne vermelha. Estou com risco de desenvolver diabetes. Sou filho de diabético. Preciso fazer um regime extremo. Só posso comer sopas, saladas, e frutas. Tenho de fazer exercícios. Comprei uma ergométrica. Faço 1 hora por dia. Como diria Mister Catra: "Um dia a conta chega." A minha chegou. O médico disse que eu sou novo. Ele fez piadas de tudo. Perguntou sobre a minha vida. Você tem depressão desde criança? Sim. Ele disse que nessa fase de tensão do meu curso, eu devo estar pirado. Claro. Eu lhe contei da minha tese sobre Mano Brown, e ele me lembrou de Mano Chao. Ficamos conversando sobre o Mano Chao, e ele me mostrou uma música de Manu Chao ao vivo. Falamos sobre imigração, o assunto da música, e como sofrem pretos, brancos, e amarelos. No fim ele me passou dois exames de nomes complicados. Um deles é pelo ânus. Mas vai ter anestesia geral, por isso eu não preciso me preocupar. Comecei a pensar em como será a minha vida sem açúcar. É preciso optar por uma vida sem sabor ou por não ter vida nenhuma. Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral, ou engorda como canta Roberto Carlos? Com certeza. Já chega! Eu vou ali tomar a minha papinha.

sábado, 6 de julho de 2024

Estar sozinho agora

Estar sozinho agora
Neste lugar
Me faz lembrar aurora
De outro lugar

Estar sozinho agora
Neste momento
Me falar lembrar a glória
De outro tempo

Estar sozinho agora
É não saber
O que vem pela frente
Como vai ser

Sempre andar sozinho
Sempre andar distante
Nunca voltar atrás
Nunca ser como antes

São por essas e outras
É por esse lugar
Podem mudar as roupas
Mas não muda o paladar

Estar sozinho agora
É não saber
O que vem pela frente
Como vai ser

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Um Século

Em três anos eu faço um século de vida. Eu estou muito velho. Sinto que estou me desfazendo com o tempo. Estou acabando. Tudo está ficando para trás. Eu sou da época da fotografia em preto e branco, da televisão em preto e branco, era tudo preto e branco naquela época, até as palavras da minha máquina de escrever eram em preto e branco. Esses otários nem eram nascidos. Esses palermas pensam que o mundo começou com as dancinhas do Tiktok. Andávamos léguas e léguas com as fichas nos bolsos para darmos um telefonema. Eu queria tanta coisa, ser tanta coisa, meu Deus como eu queria! Mas aí vem o tempo e fode com tudo. Se você não se pôr no seu lugar, pode deixar que ele vai fazer isso por você. Direitinho, ah como ele vai! Toda arrogância da sua juventude vai embora, e você saí com o rabinho entre as pernas. Você que está todo bonacheirão e pimpão no jardim de infância, saiba que o tempo vai arrebentar com tudo. E vai ser tão rápido que você nem vai ter tempo de lembrar que eu te avisei. Mas então, o que eu quero agora depois de correr tanto atrás de nada. Não quero mais nada. Eu quero apenas continuar vivo, e que essas pessoas próximas de mim continuem vivas para que possamos dançar pelados na chuva e gritar: estamos vivos!


A letra de um bolero

Eu sei que você é uma mulher de muitas dores

E que já sofreu horrores

Com antigos amores

Eu sei que você tem uma história

Tem uma passado

Igual agora

Mas ainda não é hora

De desistir

Você ainda pode esperar

O que há por vir

Pois independente do que seja

Eu estarei aqui

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Você nunca fala merda?

Não vou dizer o nome dele aqui para que o texto não seja julgado antes de ser lido. O sujeito tem um talento musical extraordinário, sendo figura incontornável para os estudos artisticos brasileiros. Independente de suas opiniões políticas ou do que se possa pensar sobre elas. Séculos atrás quando eu ainda vivia naquele país, nós estávamos num pé sujo na Lapa, quando a Lapa ainda era Lapa, e no horizonte só havia; punks, travestis, rappers pioneiros, e o velho Circo Voador. Este amigo que trago no coração começou a dizer que o cantautor se vendeu, blá-blá-blá, e que só falava merda. Essa menina de óculos virou para ele e perguntou: "Cara, você nunca fala merda?" Não esqueço essa passagem da minha vida, pois essa é uma pergunta que sempre me faço quando vejo que vou começar a julgar alguém.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Obrigado

Obrigado.

Briga.

Brigado.

Gado.

O gado.

O gado briga.

terça-feira, 23 de abril de 2024

A Internet trouxe o equilíbrio para o Mundo

Eu amo a Internet, pois ela deu voz a todos. Agora todos podem falar, e podemos ouvir as mais diversas opiniões, desde as genuinamente idiotas às delicadamente equilibradas. O mundo 🌎 precisava quebrar o monopólio da informação e do saber. Era preciso deixar os jornalistas e os catedráticos de boca aberta. Nós precisávamos conhecer a sujeira que eles empurravam para debaixo do tapete ao invés de lidar com ela. Por mais que os certinhos estejam sofrendo agora, pelo menos deixamos de ser um joguete em suas mãos, conhecendo apenas às suas visões com aspas bem grandes, "corretas". Agora conhecemos a maldade, e sabemos que estamos nus, assim como Adão e Eva. E assim como Adão e Eva podemos escolher se vamos pecar ou não. A Internet trouxe equilíbrio entre os pecadores e os que se dizem deuses.

domingo, 7 de abril de 2024

Parceiros da Aventura de José Medeiros

Com um argumento de José Felício dos Santos e roteiro do grande José Louzeiro, um filme espetacular. Da época em que cinema brasileiro tinha pouco investimento, mas possuía grandes saidas criativas. Filme duro é seco, sobre a realidade do Rio de Janeiro.

A República dos Assassinos de Miguel Faria Jr

Outro filme bom, nesse caso uma ficção. Um filme que mostra a promiscuidade das relações de poder no Rio de Janeiro e a violência. Indpirado na vida de Mariel Mariscote, personagem intrigante, que nos diz muito sobre os meandros da corrupção carioca. Apesar da data em que o filme foi feito, quem assistir hoje verá muito da realidade atual. Esse filme é a adaptação de um livro de Aguinaldo Silva. 

A Opinião Pública de Arnaldo Jabor

Felizmente consegui esse filme para assistir. Ele vale muito a pena. Com ele conseguimos ter uma ideia do que a classe média pensava sobre o Brasil e sobre a vida nos idos anos 60. Filme belíssimo. Documentário interessante. 

sábado, 6 de abril de 2024

A arte é um momento

A arte é um momento. Assim momentânea não precisa ser perfeita. Quem sabe depois o próprio artista se arrependa daquele instante. Estou falando dos artistas honestos, e não daqueles que criam somente pelo vil metal. Julgar um artista por um trabalho ou uma fase é muito injusto. A arte não precisa nem deve ser perfeita. A arte, é apenas arte, só isso. Não é profana, nem sagrada. 

Os críticos

Os críticos, sejam eles profissionais ou não, são todos heróis frustrados. O crítico musical é um músico frustrado, assim como o crítico de cinema é um cineasta frustrado, e o comentarista de futebol é um jogador frustrado.  O crítico é sempre aquele garoto que não foi escolhido para jogar, e que termina sendo ou o gandula ou o juiz da partida, pois ele quer estar ali por perto. 

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Não

Não, não, não, e não. 
Essa minúscula palavra, 
é a que eu mais ouço. 
Se esses idiotas pensam, 
que uma palavra tão pequena, 
vai foder comigo... 
Sim, sim, sim, e sim. 
Eles têm razão.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Eu me aposentei das artes

Eu me aposentei das artes. Não vou mais fazer filmes, escrever livros, interpretar, ou gravar músicas. Não dá mais. Fiquei desatualizado nos meandros dos "negócios" das artes. Concomitante a isso, o interesse de outras pessoas pelo meu trabalho começou a rarear até que cessou. Ninguém vai sentir falta dele. Mas tudo o que deu certo foi feito com a ajuda de outras pessoas. Tudo que deu errado foi culpa minha. Tive chances igual a todo mundo; e não soube aproveitar. Abandono a vida artística sem lamentações; mágoas, ou ressentimentos. Apenas acabou porque teve que acabar. Simples assim. Já chega. Farei outras coisas na vida.

Renego

Renego a todo e qualquer material artístico que eu tenha produzido até hoje. Eles só fazem ocupar espaço no baú da vida e na vida em rede. Nada do que foi dito, criado, ou escrito por minha pessoa deve ser levado a sério. Eu pensava que estava certo. Tudo errado. Confesso que eu me equivoquei. Tudo desatualizado, fora do tom, ultrapassado... Aliás, esse material que por aí se encontra, só aí se encontra por minha falta de coragem para acabar com tudo. Renego a todo esse material, inclusive na modalidade cinema. Pro diabo com tudo isso! Só fez atrasar a minha vida. Agora eu vou poder dormir em paz sem sonhar com nada disso todas as noites.

sábado, 16 de março de 2024

A Crítica

A crítica aos trabalhos artísticos é uma bobagem. Pensar que existe um critério para julgar uma obra de arte é uma idiotice. Só os imbecis podem julgar algo intuitivo e subjetivo.

Raulseixista

Começou quando eu tinha quinze anos. Comecei a ouvir boleros, deixei a barba crescer, passei a usar óculos escuros. Disseram quê essa breguice toda era uma moda passageira. Se era ou não, não sei. Só sei que perdura até hoje.

As pessoas passam por nossas vidas

As pessoas passam por nossas vidas. É como a música de Milton Nascimento diz: "A hora do encontro é também despedida..." Fico pensando em tanta gente que conheci, com as quais passei algum momento, e que hoje já não tenho nenhum contato. Nem tudo as redes sociais resolvem. O que foi feito de fulano? O que aconteceu com beltrana? Será que ainda estão vivos? Será que sabem o quanto foi agradável ter desfrutado das suas companhias? E o quanto me arrependo de não ter mostrado isso na época? Vá saber. É assim. Infelizmente. Faz parte. As pessoas passam. Fica a saudade. A inspiração é pouca. Cheia de lugares comuns. Mas o sentimento é verdadeiro. Posso dizer que o que sinto é saudade.

quarta-feira, 13 de março de 2024

Ás vezes o silêncio

Às vezes o silêncio.

Nenhuma trilha sonora.

Nenhum som ambiente.

Nada.

Nada mais que o silêncio.

Às vezes o silêncio.

Sem nenhum trator.

Sem nenhum motor.

Sem sol, lá, ou dó.

Só.

Só.

Só.

O silêncio.



terça-feira, 12 de março de 2024

Beatlemania

Nós somos os órfãos da beatlemania. Nós que acompanhamos os Beatles desde o Cavern Club. Não ficamos tristes apenas quando a banda acabou. Nós estamos tristes desde quando eles deixaram de tocar exclusivamente, e deixamos de ser o seu público alvo e cativo. Antes daquela treta de John Lennon e o sonho acabou. Só nos resta ouvir Martha My Dear no rádio nessas manhãs de sol. A começar por seu piano de introdução … e sair a caminhar debaixo das árvores. 

Eu converso com a tela em branco

Eu converso com a tela em branco. Quando se escreve para ninguém é isso que se faz. Como num diálogo interno. Ninguém sabe porque um escritor cisma em escrever, mesmo não tendo a mais remota chance de publicar. São tantos. Eu não sou o único. Parece que arriscamos alguma companhia. Deve ser isto o que almejamos: ter alguém com quem conversar. O tempo todo. Falam também do prazer. Um satisfazer solitário, talvez. Como a masturbação. Qual graça tem praticar esse hobby na solidão do quarto como se fosse um dever. Entupir caixas de livros, os armários de contos, e os blogs de crônicas. Talvez por não ter a mínima habilidade social para puxar assunto. Mesmo fantasiando conversar com inúmeras pessoas ao mesmo tempo. Só nos resta escrever. Talvez seja destino. Outros irão romantizar e dizer que é o que eles conseguem fazer. A verdade é que ninguém sabe o porquê disso.

domingo, 10 de março de 2024

Os escritores que eu gosto

Eu só queria estar na companhia dos escritores que eu gosto. Ou dos seus livros para ser mais exato. Não quero falar de ninguém. Com nenhum chato que não compreende nada. Sem tempo agora. Quando tiver, estarei apenas com os escritores que eu gosto. Agora ando ao lado de outros por causa dos meus estudos. Gosto deles também. Sou obrigado a textualizar. É interessante. No dia em que puder escrever apenas para o meu bel-prazer; eu continuarei a criar romances para ninguém. E andarei com os escritores que eu gosto.

Animais Abandonados

Eu já escrevi textos falando que os animais de estimação não podem ser considerados como filhos, e fui massacrado nas redes sociais. Não tenho um animal em casa, pois sei que vou querer viajar e não vou poder. Mas percebo que o mesmo tipo de gente que reclama tal maternidade e paternidade abandona os seus supostos filhos chorando e latindo nos finais de semana. Então reforço o que disse. Não, eles não são os seus filhos. Se abandonar uma criança como abandona um animal em casa você vai preso.

sábado, 9 de março de 2024

O Peso dos Pecados

Os pecados pesam uma tonelada em minhas costas e eu preciso carregá-los por aí. Pois sempre que são acionados pela memória eles me fazem sofrer. Não ficam mais leves. O tempo não cura nada. Com o tempo, o que acontece com eles, é que são esquecidos mais rápido. Antes de voltarem novamente. É incrível chegar aos 128 anos.  

Os Meus Clichês

Sequência de dias quase felizes.

Isso não é normal.

Uma hora ela volta.

E não é que ela voltou com força total?

Mas dessa vez teve um motivo.

Ela sempre carrega uns motivos.

Antes de me jogar na cama.

É bom ter o sol no rosto.

O sol entra pela janela.

Ela entra pela janela. 

Eu não consigo trabalhar.

Eu não consigo estudar.

Mas confesso que não estou tentando.

Pois eu não consigo.

Sinto vontade de ver pessoas.

Não sinto coragem de falar com ninguém.

E lá se vai mais um objetivo abandonado.

Eu acordo dormindo e durmo acordado.

Ela deita ao meu lado e rouba meus sonhos.

Os meus clichês.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Acabou a Música...

Acabou a música. 
O violão está jogado no quarto em cima da cama.
Não há mais letras para decorar...
ou canções para serem gravadas.
Simplesmente acabou a música.
Assim como acabou o teatro,
a literatura,
e o cinema.
É uma pena.

A Música na Nuvem...

Entendo que agora vivemos em outra época. Mas eu que experimentei o mundo no passado, estou de saco cheio de ouvir música digitalizada. Vou comprar uma vitrola e discos de vinil só para sentir aquela emoção de colecionador. Ouvirei os conceitos do conjunto da obra. A música na nuvem parece dispersa.

domingo, 3 de março de 2024

Plantão de Polícia

Ontem um homem de vinte anos em atitude suspeita foi abordado por dois policiais. O cidadão se encontrava agachado, e quando perguntado o quê fazia naquela posição, ele disse estar à procura de  uma moeda. Ao sentir um forte odor, os policiais pediram para o revistar, e descobriram um estupefaciente em sua posse. Indagado sobre a origem da substância, o homem respondeu que a havia ganhado de um desconhecido na praça. Os policiais argumentaram que a posse de determinadas substâncias é ilegal,  e que ele teria de ser autuado em flagrante e levado à delegacia. No que o homem argumentou que estava sendo preso por causa de uma planta. Independente de suas indagações, ele foi recolhido e o material apreendido. Como penalidade o homem terá de pagar dez cestas básicas e frequentar um programa de esclarecimentos sobre o uso de substâncias ilícitas para que possa ser reinserido à sociedade.

Compulsão Sexual

A compulsão sexual acaba com a dignidade. Ela toma conta do cotidiano de sua vítima. Ninguém sabe o que leva a esse tipo de comportamento. Mas, provavelmente, como a maior parte dos vícios, ele está relacionado a alguma carência que faz com que a pessoa queira ocupar esse vazio. É o vício menos levado a sério por estar associado a um prazer supostamente "natural". Em discursos machistas, o homem que mantém essas práticas é visto como "normal". Já as mulheres podem ser muito "malvistas". Preconceitos que tumultuam a busca por uma vida de melhor qualidade. A Internet parece ter potencializado o número de sexólicos, pois a busca por pornografia foi facilitada com o advento da rede. Com certeza é um dos vícios mais nocivos, já que a substância em que se está viciado se encontra no próprio corpo. Sendo a satisfação de muito fácil acesso. Esse deleite não se esgota, e o doente viciado caminha em círculos descendo cada vez mais fundo pulando de uma prática à outra sempre com a desculpa de que a atual está satisfeita. O compulsivo sexual gasta dinheiro em demasia, prejudica a qualidade de seus relacionamentos, de seu sono, arrisca a sua saúde e a dos outros, passa a ter dificuldades no trabalho e nos estudos, desenvolve vícios em outras substâncias, e pode chegar ao ponto de como em qualquer droga, emagrecer e negligenciar os seus cuidados. Quando procura ajuda não é raro ouvir que "não passa de sem vergonhice", ou "quem não queria ter um vício desses?" Com a facilidade do acesso ao sexo, e o preconceito, essa doença tem avançado a cada dia, contaminando cada vez mais jovens. A sociedade evita o assunto, e poucos profissionais das áreas de saúde mental estão prontos para lidar com o problema. Os viciados se escondem nas sombras e temem ser rechaçados. Por isso, se encontram sozinhos. É difícil saber qual é o limite entre o sexo saudável e o obsessivo, mas provavelmente é o quanto prejudica a vida de uma pessoa.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Renego

Renego a todo e qualquer material artístico que eu tenha produzido até hoje. Eles só fazem ocupar espaço no baú da vida e na vida em rede. Nada do que foi dito, criado, ou escrito por minha pessoa deve ser levado a sério. Eu pensava que estava certo. Tudo errado. Confesso que eu me equivoquei. Tudo desatualizado, fora do tom, ultrapassado... Aliás, esse material que por aí se encontra, só aí se encontra por minha falta de coragem para acabar com tudo. Renego a todo esse material, inclusive na modalidade cinema. Pro diabo com tudo isso! Só fez atrasar a minha vida. Agora eu vou poder dormir em paz sem sonhar com nada disso todas as noites.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Esse filme eu não encontrei

Dando seguimento à crônica anterior. Eu assisti a um filme de um cara como uma mulher loura e que ele era ladrão e que era cercado na cena final numa espécie de fronteira com o México enquanto a sua namorada olhava para ele. O filme terminava congelado. Tudo indicava que ele iria morrer e o diretor não quis dar esse desprazer para o espectador. Esse filme eu não encontrei. 

Sobre quando assisti Badlands de Terrence Malick

Havia assistido esse filme ainda criança. De madrugada. Ele passou na televisão. Naquela época eu não tinha como encontrá-lo. Não havia nem videocassete na minha família. Fiquei décadas com esse filme na cabeça. Só lembrava que a menina loura fugia de moto com o cara e que no caminho eles iam assaltando. Há uns três anos atrás eu estava procurando material sobre psicopatas e ouvi algo dizendo que esse filme contava a história de um deles. Fui atrás do filme, mas quando começou não tive dúvidas. Era o filme que eu procurava há décadas. O filme é mais maravilhoso do que eu pensei quando criança. 

Sergio Leone

Sou apaixonado por Sergio Leone. Embora os meus filmes preferidos não sejam os de sua primeira fase. Curioso é que tenho adoração também pelos filmes de Clint Eastwood. Com todo o respeito a ele como ator, mas eu gosto dos últimos filmes. Vou escrever os seus nomes da tradução brasileira. Era uma vez na América, Era uma vez no Oeste, e Aguenta-te canalha. Estou no mestrado tendo de admitir que o meu melhor trabalho, o que mais tenho carinho, é o que na licenciatura fiz sobre esses últimos filmes de Sergio Leone. O texto se chama A pós-trilogia dos dólares e está no academia.edu. Ninguém vai ler. Uma pena. 

Sobre quando assisti ao filme Henry & June

Não é segredo para ninguém o quanto gosto de Henry Miller. Aconteceu uma coincidência engraçada. Era louco para assistir ao filme Henry e June baseado na obra de Anaïs Nin que obviamente recomendo. Não tinha na época como conseguir o tal do filme. Um dia acordei de madrugada e fiz algo que eu não fazia desde que era criança, ligar a televisão de madrugada. Depois de apertar o botão entra uma tela com os nomes Henry e June. Nunca mais esquecerei de quando assisti esse filme.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

O melhor da Internet são os comentários

O melhor da Internet são os comentários. Ignorem as leis, a opinião pública, os formadores de opinião… A vida real está nos comentários. Os comentários são as conversas de alcova, o palavreado das casernas, das tabernas, das zonas, das tascas imundas, dos pés sujos, das bocas de fumo, e dos risca facas. O politicamente correto e os seus modismos são motivos de piada nos comentários. Eu vejo o título de um vídeo e nem assisto. Pulo direto para os comentários. Ali é onde a vida pulsa. Onde está o povo. A massa. As conversas de rua e das celas das cadeias. Lugar onde filho chora e a mãe não vê. Onde você conhece a podridão humana. Esqueçam os púlpitos, os altares, os plenários... nem quero ouvir esses chatos com suas notas de repúdio, seus abaixo-assinados, suas manifestações... Eu gosto da idiotice humana, de sua cupidez, e do seu ultrarrealismo. Eu quero a verdade. Eu quero a realidade. Por mais feia que ela possa parecer.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Manu Chao: uma inspiração

Sempre lembro da música Clandestino de Manu Chao. Pois desde que comecei a mudar de cidade me sinto assim. Já sentia ser um estrangeiro em minha própria terra. Pois lá, como em todo lugar sofria descriminação. Por causa da origem, da raça, e das escolhas. Vim morar em outro continente. Compus um poema pensando nisso. Amo tanto a canção Me Llaman Calle, o clipe, o filme, a sua história, que fiz uma versão dela. Mas ninguém nunca vai ouvir. É uma pena. Manu Chao morou no Rio de Janeiro. No clipe de Desaparecido ele anda por suas ruas. A música inicia com a narração de um jogo do meu time, o Flamengo. E aquela em homenagem ao Maradona? Ele cantando à sua frente. Não canso de assistir...

Logos in loco

In loco. 
Em bloco.
Sigo logo.
Tenho logos.
A Deus,
ateus,
adeus,
eu jogo.
Não cobro.
Não troco.
Não logo.
Dialogo.
Aos seus,
aos teus,
aos meus,
eu rogo.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Ouvindo Billy Paul cantando Purple Rain...

Hoje a tristeza veio com tudo. Nesta manhã de domingo ensolarada. Eu lembrei do meu livro Cidade Nova e de seu protagonista e fiquei triste. Ele morre na estante. Os meus tios todos mortos. Eles, os meus pais, e os meus avós estão no livro. Eu carregando a mesma árvore genealógica deles. Com os mesmos fracassos. Os mesmos vícios. Ouvindo Billy Paul cantando Purple Rain. Eu queria chorar mas não tenho lágrimas. Tem tanta gente com quem eu quero falar, e tanta gente que eu sei que ficaria feliz se eu entrasse contato. Mas simplesmente não tenho essa disposição. Devia ter ido caminhar. Vou ver o que eu faço. Ouvindo Billy Paul cantando Purple Rain...

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Raul Seixas e Edith Wisner

Edith Wisner foi o grande amor da vida de Raul Seixas. Ou, melhor, Edith foi o grande amor da vida de Raulzito. Antes da invenção Raul Seixas. Tudo o que aconteceu depois na vida de Raul, teve início com a quebra dessa paixão. Toda a depressão e as drogas onde ele tentou aliviar a sua dor. Raul não amou nenhuma mulher com a mesma intensidade com a qual amou Edith. Assim como Salinger com Oona O'Neill, ou Henry Miller com June. Todas as vezes que fingiu amar profundamente alguém foi apenas para chamar à sua atenção. Edith amou Raul com a mesma efervescência. Basta ver o seu depoimento magoado para o documentário sobre ele. Se Edith não sentisse mais nada por Raul, ela teria simplesmente ignorado. Mas, depois de tanto tempo se manifestou de forma agressiva. Ficou frustrada tanto quanto ele pelo fim do romance. Não é possível tanto sofrimento. Eles deveriam ter se acertado. Talvez hoje não existisse Raul Seixas. Quem sabe se o casal não estaria vivendo uma vida comum nos Estados Unidos. Com o Raul tendo um cotidiano normal com as suas alegrias e tristezas. Mas ao lado do seu amor. Creio que eles ainda vão se reconciliar um dia. O mundo não pode ser tão injusto. Talvez eles já estejam vivendo juntos em outra dimensão. 

Chico Buarque e a Zona Sul Carioca

Quando ouço músicas como Todo o Sentimento, Leve, e As Vitrines… eu me lembro da Zonal Sul Carioca. De sua beleza. "De um tempo em que eu não vivi". Lembro do sonho de Jovelina Pérola Negra em Garota Zona Sul. E da tristeza que eu sinto em não ter explorado essa parte da cidade ou conhecido as suas Lauras e Marianas. Da bronca pelo Rio de Janeiro não ter mudado e feito com que eu precisasse mudar. Provoca mágoa a minha cidade. Ela foi injusta demais comigo depois de tudo o que eu fiz por ela. Não há gente, como gente de teatro, como diz Caetano Veloso. As lembranças que eu tenho da Zona Sul, é de seus morros, e das coxias de seus teatros. De ouvir Chico Buarque com os elencos. Um dia desses aqui em Portugal, nos bastidores do teatro ouvíamos Chico Buarque, antes da peça, e eu me lembrava de tudo isso.

ChatGPT e a literatura

Pedi ao ChatGPT para criar textos como se fosse escritores aos quais eu domino completamente, pois li tudo o que eles escreveram. Por exemplo, Nelson Rodrigues e Henry Miller. O resultado foram trabalhos clichês e caricatos visivelmente baseados na média do que o senso comum diz sobre esses artistas. Ele tentou se inspirar na primeira fase de Henry Miller, apenas parte de sua escrita, além do vulgarmente dito sobre ela, e montou uma baboseira qualquer. O mesmo aconteceu com Nelson Rodrigues. Tive a impressão de ler alguém sem conhecimentos desse autor e que escreveu a partir do que ouviu falar. A inteligência artificial terá de comer muito feijão com arroz se quiser substituir os seres humanos em algumas funções da vida. Quanto a isso, os escritores podem ficar sossegados.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A importância dos laços afetivos na luta contra a depressão e a bipolaridade

No momento em que sentimos necessidade de nos isolar devemos recorrer à companhia dos outros. Caso contrário nos afastamos mais e mais e ficamos viciados em solidão. Mesmo relutantes precisamos nos expor a presença de outras pessoas para que sintamos um prazer saudável. Se faz necessário saber escolher as nossas amizades e com quais de nossos familiares temos relações de respeito mútuo. Principalmente nas horas em que estamos fragilizados. Tendo feito isso, não há porque não manter contato. As conversas agradáveis e os sorrisos compartilhados melhoram a nossa autoestima e fazem com que nos sintamos amados e úteis. Tudo o que a depressão e a bipolaridade não suportam. Não importa se você tem tendência para se manter isolado ou se é solitário por temperamento. A ligação com entes queridos quando estamos abertos sempre ajudam a melhorar o nosso humor. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Bandidos no desfile do Sambódromo

Para entender como funciona o Brasil e o Rio de Janeiro basta ver a promiscuidade das relações nos desfiles das escolas de samba. O bicheiro e contraventor (bandido) Anísio Abraão David, presidente de "honra" de uma das maiores agremiações; a Beija-Flor de Nilópolis, desfilando alguns passos atrás de Arthur Lira, presidente da câmara dos deputados (bandido). Os desfiles são transmitidos pela maior rede de televisão brasileira, a Rede Globo. A mesma que mostra as operações quando os bicheiros são presos e acusados, por exemplo, de serem mandantes de assassinatos. Nos camarotes a história não é diferente, no mesmo ambiente respirando o ar podre e fétido, estão artistas famosos e todo tipo de gente, corruptos e etc. Sou a favor da descriminalização do bicho. Gosto de samba e não sou santo. Mas o jogo precisa ser às claras. Não podemos festejar com bandidos importantes, enquanto ladrões de galinha, pobres e negros, são executados à luz do dia e apodrecem nas cadeias. Isso mostra porque o país é tão desigual. Como dizem, a lei precisa ser para todos.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Jogaram sopa no quadro de Monet

Nunca vi um quadro de Leonardo da Vinci pessoalmente. Admiro a inteligência e talento que ele possuía. Nunca vi um quadro de Van Gogh, que eu amo por causa de sua faceta onírica, que é algo pelo qual eu sou atraído. Além de sua vida. Por acaso fui à uma exposição de Monet. Tudo isso para dizer que eu não me importo se os quadros desses artistas valem milhões ou se ficam trancados no cofre de um bilionário ou num museu. Não me perturbo com isso. Assim como não estou nem aí para o que esses idiotas que atiram coisas em quadros defendem. Posso até defender o mesmo que eles, mas não as suas atitudes. Os quadros desses artistas são obras de artes atemporais, diferente dessas picuinhas políticas, como sempre passageiras. Além de serem objetos históricos.

Redesfobia: o medo das redes sociais

Eu sempre socializei com muita gente desde antes das redes sociais. Só que não soube me adaptar a elas. Ainda hoje não sei fazer uso dessas ferramentas. Já saí e entrei diversas vezes até que fui convencido que são necessárias. Elas não me ajudaram em nada na divulgação do meu trabalho. Muito menos na prometida "socialização". Pelo contrário, fizeram com que eu me distanciasse ainda mais das pessoas. Eu me sinto uma fraude nas redes sociais. Sinto como se tivesse a Síndrome do Impostor. Pois nunca estou em sintonia com o que está acontecendo. Pode ser que numa noite de sábado, em que as outras pessoas estão postando fotos de festas, eu esteja pensando em outra coisa. Também não consigo investir meu tempo em sua "socialização", que significa clicar e enviar mensagens para outras pessoas. Não tenho tempo para isso. Nem me sinto estimulado. Desisti de postar o que sinto ou o que penso. Quando faço isso me sinto demasiadamente exposto. Embora foda-se, acontece. Na maior parte das vezes o que eu posto não desperta interesse ou os algoritmos boicotam. Hoje as tenho apenas como forma de contato, principalmente com familiares e amigos reais. Vai ver que eu é que sou estranho.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

A Polarização Bipolar

O mundo está dividido,
entre dois polos.  
Um é o Polo Norte,
e o outro é o Polo Sul. 
O mundo tem ido,
de um Polo a outro. 
O mundo está dividido, 
entre dois extremos. 
O extremo direito,
e o extremo esquerdo. 
O mundo está dividido,
entre dois Trópicos;
o Trópico de Câncer, 
e o Trópico de Capricórnio. 
E nós que estamos em cima,
da Linha do Equador, 
com episódios de mania,
e de depressão,
engolimos a nossa dor,
e a nossa opinião.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Assassinato de jovem por policial na Maré

Essa imagem do jovem sendo morto pelo policial me provoca náuseas. Os gritos daquela mulher me provocam lembranças de tristezas absolutas. Eu lembro de algumas vezes em que homens foram assassinados. Não consigo ouvir os prantos dessas mães, irmãs, e esposas. É insuportável demais. O Brasil é um país onde a vida de um ser humano não vale absolutamente nada. É uma nação que como tantas outras não pode ser considerada civilizada. Pois não consegue acompanhar a evolução das leis. E que se dane o vitimismo querendo colocar a culpa de suas mazelas internas em outras nações. O Brasil deixou de ser colônia há mais de um século. É um país rico em recursos naturais. Deveria ser expulso de órgãos internacionais enquanto não conseguisse diminuir os seus números de guerra. Ao invés de ficar procurando culpados. Agora é o Carnaval, e nos camarotes estarão juntos; polícia, bandido, assassinos, corruptos, artistas, e todo tipo de gente influente. Semana que vem continuam as festas e o genocídio.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Cannabis também faz mal

Dos males, o menor.
Se for usar alguma droga,
que seja Cannabis.
Pois, 
Cannabis pode dar uma onda boa.
Mas,
Cannabis também faz mal.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Preconceito contra depressão e bipolaridade

Duas pessoas das minhas relações tiveram um desentendimento e uma delas justificou o fato acusando a outra de ser bipolar. Sendo que a pessoa em questão não tem nenhum diagnóstico de bipolaridade. No Brasil, o termo "bipolar" virou sinônimo de pessoa agressiva. Principalmente ao fazer referência a mulheres ciumentas do tipo que arrebentam os vidros dos carros de seus parceiros. Preconceito dobrado. Algumas vezes dito em tom de ironia, e outras a sério. Muitos advogados na tentativa de amenizarem as penas de seus clientes alegam doença mental independente se esses as têm ou não. Argumentam que o réu estava deprimido. Se uma pessoa com diagnóstico de depressão ou bipolaridade comete um crime violento, os jornalistas fazem questão de frisar esse aspecto. Como se a doença fosse a causa do ato. Muitas vezes fazendo referência ao abandono do tratamento. O que também não justifica determinadas atitudes. Doenças como a depressão, onde não existem sintomas psicóticos, não tornam ninguém violento. Isso é uma questão de caráter. Essa propaganda negativa só aumenta o preconceito; e faz com que nós, os doentes, que já sofremos com os estigmas de sermos portadores dessas doenças, soframos ainda mais. E também desestimulam outras pessoas que precisam a buscarem ajuda. Da mesma forma que criam a imagem do doente como perigoso. Mesmo quando o maior perigo que ele representa é para si mesmo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A loucura da loucura

Ao ser atendido por um psicólogo eu me senti exausto tendo que reviver tanta coisa. Por alguns momentos pensei se eu não estava mentindo. Tenho consciência de quem sou. Isso dá a sensação de estar me vendo de fora como se fosse outra pessoa. Senti medo. Raul Seixas fala sobre o medo da loucura em algumas canções. Entendo o que diz. O mesmo acontece quando ouço Renato Russo cantar que esteve cansado por causa do seu orgulho, egoísmo e vaidade. Fazer uma análise de si mesmo é como pensar sobre a loucura que é a loucura.

A importância da cultura

Ouvi uma pessoa dizer que a vontade do ser humano explorar Marte é influência da cultura popular. Poderia ser outro planeta. Não há uma explicação plausível. Li um escritor desmistificando o mito da potência sexual dos negros como mais um sinal racista. Pensei dessa ideia também ter origem numa crença cultural como tantas outras às quais não questionamos.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Violência

Eu li um autor respeitado em muitos meios que pregava a luta armada para os povos oprimidos. E defendia que isso era autêntico como último recurso. Meu amigo, eu cresci em bairros violentos. Sou traumatizado por isso. Violência de nenhum tipo sobre qualquer aspecto. Não vou nem entrar no mérito; de que, quando o poder muda de lado, normalmente os que são oprimidos, se tornam eles, os opressores. Quanto mais os anos passam, mais eu me convenço de que a paz precisa prevalecer de qualquer forma. Nenhum ato de violência é justificável. Nem contra o estado, nem a favor dele. Nem dos marginalizados, nem de quem quer que seja. Eu pensava e falava esse tipo de bobagem quando era adolescente. Com o tempo aprendi a valorizar a vida. Percebi o valor que ela tem com as perdas. Tirar a vida de ninguém sobre hipótese alguma. Hoje eu tenho pavor de violência. Paz!

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Imprevisibilidade Humana

Antigamente quando alguma máquina de fliperama travava com um problema que aparecia na tela; nós dizíamos que a máquina havia dado "tilt". E sempre lembro disso, quando num ato repentino, alguma pessoa, de onde menos se espera, tem uma atitude agressiva. Eu lembro do tilt. Pois nós seres humanos também damos tilt, ou "bugamos". Mas poucos saben ou admitem isso.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Dizer a Verdade

Dizer a verdade em seu trabalho; estudo, ou vida social, pode ser digno, mas também é perigoso.

Autocrítica

É mais fácil atacar aos outros do que fazer uma autocrítica.

Voltei a ouvir Raul Seixas

Depois de anos sem ouvir o Raulzito, pensei que ele já havia sido superado. Mas estou sentindo a mesma sensação de quando tinha quinze anos, que foi quando eu o ouvi pela primeira vez.

Voltei a ouvir MPB

Depois de seis anos sem ir ao Brasil; e sem escutar os críticos, os chatos de plantão, e os invejosos... me fizeram voltar a ouvir a MPB, os meus heróis de infância. Estou redescobrindo gente como Raul Seixas; Jorge Aragão, Chico Buarque, Moreira da Silva, Noel Rosa...

Subjetividade

Somos vítimas da nossa própria subjetividade. Pela qual injustamente seremos julgados.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Opinião

Nos dias atuais ter opinião é arriscado. A melhor resposta para um pedido de opinião é: "Não sei." O silêncio se faz necessário.

Bem Bolada

Eu não consigo te esquecer. 
Você não saí da minha cabeça.
E que a sua imagem nela se fortaleça.
Antes que eu enlouqueça.
Ou desapareça.
Ela entra pelos meus olhos.
Vai para a minha mente.
E desce para o meu coração.
Nesse meu ranger de dentes.
A frente dos meus sentidos.
Ela afeta a minha razão.
É o que acontece comigo.
Acontece com uma porção.
Não importa que você tenha.
Ou não um mal caráter.
Não importa que você finja.
Ou não ser minha alma mater.
Eu fui pego estou preso.
Neste fraque em desalinho.
Sentir paixão é bom.
Mas não quando se está sozinho.
A mulher que eu amo.
É toda é bem bolada.
E tem uma pele dourada.
Superbronzeada.
Dentro de um short curto.
Toda depilada.
Ela pra mim é tudo.
Para os outros não é nada.

Meio Caminho Andado

Diga o seu nome.
E me fale alguma coisa.
Sobre o seu passado.
Cantando a gente se conhece.
Já é meio caminho andado.
Dê uma entrada.
Pague uma parcela.
Ou compre tudo parcelado.
Já é meio caminho andado.
Comece em junho.
O que começou em janeiro.
Já era pra ter terminado.
Já é meio caminho andado.
Erga a cabeça.
Mantenha o peito estufado.
Finja que não é com você.
Já é meio caminho andado.
Ê melhor chegar tarde.
Do que nunca ter chegado.
Devagar se vai ao longe.
Já é meio caminho andado.

Vá até a Lua.
Antes de chegar a Marte.
Deixe tudo enluarado.
Já é meio caminho andado.

Já é meio caminho andado.
Nem tão pouco caminhado.
Objetivo perseguido.
Objetivo encaminhado.
Já é meio caminho andado.

A Sentença

Eu sou o inadaptado.
Do navio negreiro.
O pistoleiro solitário.
Eu sou o forasteiro.

Eu sou o imigrante.
Eu estou ilegal.
Em meu voo errante.
Chego ao litoral.

Então é por isso.
Que me olham desconfiados.
Eu vivo do presente.
Eles vivem de passado.
Se fossem inteligentes.
Não teriam reparado.
O que há de diferente.
Como o que há de errado.

Eu não tenho passado.
Talvez eu tenha futuro.
Um dia com a cabeça a prêmio.
Outro dia dando murro.

Eu corro atrás.
Caçador de recompensas.
Um dia foragido.
Outro esperando uma sentença.

Então é por isso.
Que me olham desconfiados.
Eu vivo do presente.
Eles vivem de passado.
Se fossem inteligentes.
Não teriam reparado.
O que há de diferente.
Como o que há de errado.

O Resto do Ocidente

Eu sou americano.
Eu tenho orgulho de ser sul-americano.
Eu sou latino.
Eu tenho orgulho de ser latino-americano.
Eu sou brasileiro. 
Eu tenho orgulho de ser afro-brasileiro.
Mas, aonde quer que eu vá...
Eu serei sempre um estrangeiro.

Por causa da minha classe.
Por causa da minha cor.
Por causa da minha arte.
Desconhecem a minha dor.

Por causa do que eu faço.
Por causa do que eu penso.
Não é um canto de acalanto.
É só um canto de lamento. 

Caos Menor

Não tem água na torneira. 
Em casa não tem ninguém.
Não tem nota na carteira.
Na biqueira você tem.
Parecia até toada.
Que lambada, você, hein?
Ninguém não me disse nada.
Ninguém não disse ninguém.
Não apontem as suas flexas para o mal...
Nem que seja um mal menor.
Não apostem as suas fichas no caos...
Nem que seja um caos menor.
Sentimento é o que fica.
Pensamentos vem e vão.
No final quem acredita.
É que se sagra campeão. 
Mas nem uma palavra dita.
Mas nenhuma frase, não.
Pois a impressão desdita.
É a primeira impressão.
Não apontem as suas flexas para o mal...
Nem que seja um mal menor.
Não apostem as suas fichas no caos...
Nem que seja um caos menor.

Opinião Pública

O que chamamos de opinião pública é regulada em sua maioria por indivíduos e grupos oriundos de escolas e universidades distribuídos para os meios de comunicação, legislação, instituições religiosas, forças de segurança, saúde,  mercado, e terceiro setor. Mesmo as pesquisas de opinião são enviesadas, pois passam pelo crivo de tais reguladores. É impossível saber o que vai nos corações e mentes das pessoas comuns. Talvez nem elas saibam, ou neguem; pois apenas seguem regras que lhes foram impostas ao nascer. Mas é melhor que seja assim, caso fosse dada voz a todos; a democracia estaria em risco.

Eu fui abandonado por minha mãe

Eu fui abandonado por minha mãe… Ela deixou que um sádico me puxasse de dentro do seu ventre aconchegante e luminoso para esta terra. Ele me agrediu com uns tapas humilhantes na bunda, e quando eu comecei a chorar uma de suas capangas me levou para junto de outros pobres coitados enfileirados distinguidos apenas por pequenas placas de identificação. Depois a minha mãe me deixou com uma mulher que os outros chamavam de "tia" e que me puxava pela mão enquanto eu berrava para que ela não me abandonasse. Eu fui levado para um edifício onde dizem que formam seres humanos melhores e que nos preparam para a vida… mas, como podem perceber, esse não foi o meu caso. Eu pulava de uma instituição para outra e depois ia para esses lugares onde pagam uma miséria para que compre seu uniforme, coma, e volte no dia seguinte. Eu insistia para que a minha mãe fosse comigo; mas ela negava dizendo que eu precisava aprender a me virar, e eu me virava para outro lado. A última vez que minha mãe me abandonou ela se foi sem previsão de volta. Mas próximo a ela pude sentir o céu onde poderemos ficar juntos de novo, dessa vez eternamente. Enquanto isso eu espero aqui neste purgatório com outros milhões de pobres diabos órfãos que vagam sem pai nem mãe por este mundo onde a vida é dura e a morte é certa.


Na Academia

Na academia você percebe que não malha nada. Até que de tão fraco descobre que os mais fortes são os que frequentam os concursos de halterofelista.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

O Estudante

O estudante lê o mesmo parágrafo novamente. Ele está na solidão no silêncio do quarto. Procura o significado de dois conceitos e três palavras. Uma pássaro canta lá fora. Ele se distraí. Lê o mesmo parágrafo novamente. Caí a noite. O mesmo parágrafo novamente…

domingo, 28 de janeiro de 2024

Cidade Nova

A motivação para a escrita veio quando por curiosidade passei a ler sobre a história do samba e cheguei às suas raízes. Desci à Belle Époque com o seu encanto e as suas mazelas. Isso com o apoio de inúmeros autores; entre pesquisadores, jornalistas, cronistas, memorialistas, romancistas, e poetas. Inclusive conversei com guias e malandros vivos. Creio ter escrito do ponto de vista dos pobres; da malandragem, dos capoeiras, dos moradores dos cortiços, dos moradores dos morros, dos artistas, da cidade cosmopolita, das mulheres da vida, e dos boêmios. Além da inclusão de personalidades importantes da época e personagens de sua ficção. Com exceção de alguns autores daquele tempo, não conheço romances produzidos com esse enfoque. Não estou dizendo que não existam. O livro abrange o final do século dezenove e início do século vinte. Mas os acontecimentos nele resgatados nem sempre são fiéis ao tempo histórico. Por isso não pode ser definido como histórico e muito menos jornalístico. Nem era essa a minha intenção. Não sou historiador ou jornalista. A proposta era escrever um livro em que as pessoas pudessem viver por alguns momentos as fantasias e a realidade sombria pouco conhecida daquele tempo do centro da cidade do Rio de Janeiro. Após uma pesquisa de dez anos para Cidade Nova, eu perdi toda a mágoa que sentia por minha cidade ser tão desigual e violenta. Serviu de consolo saber que ela sempre foi assim.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Eu leio Henry Miller escondido

Henry Miller é o escritor no qual eu mais identifico a liberdade; a celebração de viver, e a vontade humana. Extremamente sincero expôs as suas incongruências e as da mente dos outros seres humanos num pensamento verdadeiramente livre e independente de influências externas que cerceassem as suas conclusões. Por ser um escritor completamente honesto durante a sua vida foi censurado e boicotado. Hoje é simplesmente impossível sussurrar seu nome em meio ao apagamento sofrido por artistas sem ouvir as recriminações da falta de diálogo. É uma pena. No meu caso, os seus livros sempre foram um apoio nos momentos mais esdrúxulos em que faltava forças para seguir. Junto de seu ânimo inquebrantável ajudou a me tirar do buraco diversas vezes. Com o avanço da idade se tornou um homem sábio. As suas últimas obras são de uma sabedoria suntuosa. A coleção dos seus livros se foi com a nossa biblioteca quando viemos embora. Mas a minha esposa me presenteou com este Plexus que eu camuflado vou reler em meu bunker.


É melhor falar...

É melhor falar. Sabemos que a maioria não entende ou não está preparada para ouvir. Mas o pouco apoio que se recebe já vale a pena. Fraco é o que se fingindo de forte não se fortalece, e sozinho implode. Não viva sob uma carapaça que não é sua. Ela pode pesar. Aparentar força não é ser forte. Mostrar fraqueza não é ser fraco. Pode vir a ser robustez.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Transtorno Bipolar

Digo como me sinto. A mulher no telefone diz que precisa mandar uma ambulância. Não quero causar transtorno. Ela insiste que é o seu trabalho. Os enfermeiros chegam e eu repito a mesma cantilena que vou repetir na triagem, e depois com a médica. Fui parar na urgência umas quatro ou cinco vezes num período de meses. Tomo tantos remédios que o meu corpo parece uma farmácia ambulante. A doutora diz que a única coisa que pode fazer por mim é ajustar os medicamentos. Mas, de novo? Ela me pergunta como pode me ajudar. Não sei. As religiões, a filosofia, os vícios, e os grupos de autoajuda também tentaram. Eu torço para que a medicina evolua. Existem boatos sobre novas drogas e impulsos elétricos milagrosos. Sonho servir de cobaia para algum novo tratamento. Desde criança que vivo neste inferno. Uma vez tentei acabar com esta dor. Não deu certo. Meu problema não é a morte, se é isto que esta doença pensa; é a vida. E não tenho apego a ela, e sim temo pela dor dos que vão ficar. Quanto a mim, desconfio que já vivi os "melhores dias de minha juventude". Necessito expor esta maleita, se ela pensa que pode fazer o que quiser comigo... vou gritar por ajuda até o meu último suspiro! Tombarei lutando. Preciso cumprir com as minhas obrigações. A vida continua. Sei que para a maior parte das pessoas é frescura ou algo irreal. Eu mesmo penso se há alguma enfermidade. Pode não ser... embora seja uma ilusão extremamente palpável.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Nós somos os privilegiados

Nós somos os privilegiados do mundo ocidental. Vocês vivem em zonas de guerra, miseráveis barracos de madeira, e bolsões de pobreza; nós desfrutamos das nossas casas com aquecimento, planos de saúde, e automóveis. Falamos duas ou três línguas, frequentamos terapia, e tomamos remédios controlados para dormir. Vocês comem  o que tem e cochilam de sobreaviso. Olhem para vocês…  são tão ignorantes que ao dormir não capazes de sonhar. Só porque tal político ou livro diz que sabe o que vocês precisam; nós damos lições de moral nos outros pela Internet. Mas não deixamos de frequentar os cursos e escolas especializadas para que futuramente ocupemos os melhores cargos dentro da sociedade. Sempre teremos uma história triste para contar; de uma vida num subúrbio perigoso ou numa periferia. Até quando somos discriminados fingimos nos preocupar com vocês. Fato é que os nossos filhos estarão bem colocados nas empresas e no serviço público; independente de serem netos de faxineiros ou não. Vocês nunca ouviram a máxima de que conhecimento é poder. Vocês continuarão a viver em meio à desgraça e a fealdade para que nossas vidas se mantenham dentro do expectável. Enquanto debatemos sobre o futuro que para vocês não chegará nunca.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Mesmo não sendo igual você não vai poder ser diferente

Apenas um por cento dos artistas do aplicativo de música que mantém o monopólio da música no mundo obtêm noventa e nove por cento dos lucros. O mesmo acontece com a plataforma de vídeo que abriga praticamente tudo o que é produzido para este meio. Mas os produtores culturais que geram riquezas ainda são burlados em seus ganhos. Da mesma forma as redes sociais se nós acreditarmos que hoje elas são a extensão da divulgação de bens culturais. Quatro ou cinco serviços de streaming corroboram com isto. A cultura ficou à mercê de um punhado de empresas. O domínio da indústria cultural nunca foi tão eficaz. Ou você dança conforme a música do capital, ou você não dança. Se você for pequeno e estiver com sonhos de divulgar a sua arte, simplesmente será irrelevante com os seus poucos cliques, pois os algoritmos são o meio de exclusão mais eficaz criado até hoje. Eles sabem muito bem quem paga e o quanto paga. E não toleram autenticidade, pois o mais do mesmo, de fácil assimilação; é vendido rápido e servido requentado como o prato do dia. Não há como burlar o seu sistema. Tem muita gente pagando muito e recebendo pouco. Pois você pode comprar cliques, mas não a admiração das pessoas. Se você se revolta contra o sistema dos algoritmos não consegue nem fazer cócegas em seus calcanhares; é tão ignorado quanto os que estão dentro. A indústria cultural finalmente conseguiu esmagar os seus inimigos que são aqueles a favor de uma cultura autêntica. Mesmo não sendo igual você não vai poder ser diferente.