sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Síndrome da Pós-Modernidade

 Ao dobrar uma esquina, fui abordado por dois policiais. Tomei um susto. Eles estavam com suas metralhadoras apontadas para mim quando gritei: "Eu tenho família, mulher, filho, sou trabalhador, não me matem!" E o policial que fazia o papel de bonzinho me perguntou: "Você usa drogas?" Respondi a ele: "Não. Só pizza quatro queijos e refrigerante de cola de vez em quando." Ele me inquiriu: "Você anda armado?" Ao que eu disse: "Apenas munido dos meus documentos." "Você vota?", ele devolveu. Respondi de bate-pronto: "Acho político tudo ladrão." Ao que ele me respondeu: "Você está com a Síndrome da Pós-Modernidade. Vocês não acreditam mais em nada." Supondo que todo mundo aqui saiba o que este conceito significa — na época, algo que eu não sabia e que um flanelinha amigo meu me explicou junto a alguns livros, sites de busca e Inteligência Artificial. Então, quando ele me disse isto, percebi que os intelectuais, como este policial em questão, não sabem lidar com pessoas céticas como nós. Eles precisam nos encaixar em algum lugar e, quando isto não acontece, eles simplesmente desistem de nós. Entendo o lado deles, pois é extremamente necessário que sejamos úteis e previsíveis, pois o utilitarismo, sem exagero, assim como a racionalidade, é o que toca a sociedade para frente. Senão, o que seria de nós, os parasitas que simplesmente pagam seus impostos e trabalham feito condenados? Precisamos sempre de alguém que se proponha a acabar com esta bagunça ao invés de elucubrar diante de um ponto de vista que não leva a lugar algum. Eles estão certos; a coisa precisa andar, não adianta querer acabar com tudo que está aí e não pôr nada no lugar. Então, voltando ao policial, ele me deu uma aula de cidadania e utilidade pública quando conseguiu classificar o meu pensamento. Desde aquele dia, nunca mais repeti esta besteira de que todo político é ladrão.


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Eles Estão Lá

Eles estão lá,

e lá estão elas,

vidrados em seus copos,

seus cigarros,

suas telas.

Eles estão lá, 

e lá estão elas,

conectadas ao rádio,

ao cinema,

e a televisão.


Eu Já Fui Menino

Eu já fui menino...

Eu já fui um dia.

Um menino que corria...

Pelas ruas do subúrbio.


Dentro da Minha Cabeça

Eu vivo dentro da minha cabeça. E somente dentro dela eu estou. Eu, aqui, sozinho, eu sou. Dentro desta cabeça com milhões de pensamentos. Trancado nela com as ideias mais estapafúrdias que alguém pode ter. Preso, neste local, sou o único que me conheço, e que a conhece. E que não conhece os outros. Não conhece mais ninguém.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

A Política

Se não querer saber de política é ser ignorante: eu sou ignorante com o maior prazer. Passei a ter pavor das ideologias que cegam as pessoas e as tornam violentas; fazendo com que elas criem sanguinárias revoluções, ditaduras e guerras. A maioria ou seus líderes irão decidir independentemente da minha vontade. Não existe diálogo, e sim imposição de ideias. Eu que não vou desperdiçar a minha preciosa vida em brigas desnecessárias. De qualquer jeito, o que decidirem, eu terei que obedecer.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Ligações Perdidas de Johann Hari

“Estar bem ajustado a uma sociedade doente não é medida de saúde.”

Jiddu Krishnamurti


Johann Hari conclui em seu livro, que a depressão tem causas biológicas, psicológicas e sociais. E que não pode ser reduzida a um desequilíbrio químico.

Este jornalista britânico foi em busca de tratamentos alternativos para a depressão. Desde a reconexão com a natureza até o pertencimento a uma comunidade.

Ele usa o conceito de “ligação” para nos mostrar que vários aspectos de nossa vida podem ser modificados com o intuito de diminuir a nossa dor.

O autor levanta questões importantes, como o status numa sociedade desigual pode aumentar nossas angústias psíquicas. E como o luto, precisa ser vivido e não medicado.

Hari, com base em pesquisas de estudiosos de universidades espalhadas pelo mundo, e a opinião de pensadores, nos mostra ainda, como o desequilíbrio social pode afetar as nossas vidas. Usando como exemplo, uma vida cheia de stress provocada por um salário miserável. Da mesma forma que um trabalho insatisfatório, extenuante ou sem relevância onde nos sentimos inúteis.

É um livro sem respostas milagrosas, e que trata inclusive do uso de psicadélicos no tratamento para a depressão.

Johann Hari chega à conclusão que a depressão é o resultado de uma série de fatores combinados, e que vai dos traumas de infância até as pertubações da vida adulta.

É um livro útil para quem deseja se aprofundar nisso que conhecemos como depressão.


Hari, J. (2018). Ligações perdidas: (S. Castro, Trad.) editora Talento.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Instrumental de James Rhodes

Esse cara foi abusado quando era criança. Ele ficou deprimido e caiu em vários vícios. Destruiu toda a sua vida por causa do seu sofrimento. Conseguiu se levantar e se equilibrou através da música que é a sua paixão. Mesmo sofrendo melhorou muito. É um livro bom para quem gosta de ler e busca inspiração com o exemplo de outras pessoas. No livro ele também conta a história de alguns músicos que sofriam com as doenças mentais. Livro inspirador.

A Síndrome da Pós-Modernidade

 Ao dobrar uma esquina, fui abordado por dois policiais. Tomei um susto. Eles estavam com suas metralhadoras apontadas para mim quando grite...