sábado, 2 de fevereiro de 2013

Trilogia (Fim)

No último ano ele relutou mais. Ao mesmo tempo sabia que era o seu inconsciente tentando dominá-lo. No dia do lançamento do livro estaria lá. O terceiro. O último da série. Da trilogia. E o último capítulo dessa sua trilogia tresloucada. Era vítima da mesma obsessão acometida por Beatriz a Dante Alighieri. Ouvia o seu interior agitado. Embora pessoalmente fosse um tímido incapaz de pronunciar uma palavra e temeroso até mesmo de abrir a boca. Clichês. Os conselhos suburbanos vinham à tona. Casamento se acaba até na porta da igreja! Filho não segura ninguém! Ele fez o mesmo trajeto sem olhar para o balcão. Pensou novamente que ela podia ter morrido, faltado ou sido mandada embora. Mas não se entreteve com esses pensamentos. Foi até a prateleira com uma nova determinação. Dessa vez, ruim de tudo, estaria livre. No mais, não havia o que temer. O escritor havia dito que esse era o último da série e ponto final. Ele olhou para o caixa. Ela havia cortado e pintado o cabelo. Estava mais bonita e vestia uma jardineira. Ele olhou para ela e o coração deu aquela porrada. Ela olhou para ele e ele sentiu aquele mesmo olhar primário de admiração. O rosto dela se iluminou de maneira que deixasse bem claro o prazer de ver aquela pessoa. Ele pagou. Ela disse: é o último. Sabe aquela esperança ridícula a qual temos que nos agarrar às vezes, então, ele se agarrou a ela. E a menina disse: espero que dessa vez você me convide para tomar um café. Ele disse: sim, claro. Ela disse: chega aqui nesse mesmo horário. É mais ou menos no fim do expediente. Ele disse: até amanhã, então. Ela compreendendo a sua timidez respondeu: até amanhã. Ele saiu veloz para que ela não gritasse o seu nome o chamando de volta. Essa noite um rapaz naquela cidade não iria dormir de tão ansioso que estava.

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