o filme de Kubrick se distancia do livro. ele apresenta o Humbert
Humbert verdadeiro. sem a máscara social. conta os podres que Humbert Humbert
só contaria a si mesmo. extrapola a imagem que Humbert Humbert cria das
pessoas. no filme de Kubrick tanto Humbert Humbert quanto a mãe de Lolita são
histriônicos. gosto do clima sombrio de thriller psicológico. do nonsense.
aquela cena do atropelamento parece Hitchcock. gosto do toque noir. mas o
Humbert Humbert de Adryan Line é mais próximo da descrição que o personagem faz
de si mesmo. no filme de Kubrick, Petter Sellers impressiona já na primeira
cena em que aparece dançando aquela música formidável. assim como Lolita. Peter
Sellers tem todo seu ar canastrão. na cena do hotel tortura Humbert-Humbert
psicologicamente. vi uma entrevista em que Nabokov evitou falar de Lolita de
maneira mais profunda. ou ele não quis se limitar a falar de Lolita. também não
sabemos que tipo de constrangimento sofria ao ter de falar de Lolita. o livro
parece ter superado o conjunto da obra. Adrian Lyne acerta ao mostrar Annabel -
a paixonite adolescente de Humbert Humbert - pois é uma substituta para ela que
Humbert Humbert busca em todas as meninas até encontrar Lolita. a Lolita de
Kubrick é mais sensual. mais tentadora. como na cena antológica em que toma
banho de sol. mas é uma Lolita que não dá a mínima para Humbert Humbert. é uma
Lolita cruel. já a Lolita de Adrian Lyne tem uns momentos de ternura com
Humbert Humbert. pode até se dizer que rola uma lua de mel entre os dois. talvez
isso seja mais próximo do livro. pois de alguma maneira ela alimenta o jogo.
não pode ser sempre esnobe. a cena que Humbert Humbert reencontra Lolita é a
cena que mais gosto do filme de Kubrick. a noção do fracasso está ali. e
novamente a memorável cena do reencontro em que fica explícito toda decadência
e desespero de Humbert Humbert. doente de ciúme. É a cena que mais gosto do
filme de Adrian Lyne. mas o melhor é ler o livro, assistir aos filmes, e tirar
as suas próprias conclusões.
domingo, 4 de agosto de 2013
Lolita, Stanley Kubrick, Adrian Lyne e Vladimir Nabokov...
Marilyn e JFK - François Forester
Marilyn Monroe. o sobrenome é do pai substituto. a mãe era maluca. vivia internada tentando se matar. do pai verdadeiro não sabia nada. nem sabia que tinha irmãos. a guarda dela foi dada a uma família, que depois passou a bola para outra família. um dia o patriarca da família bêbado tentou abusar de Marilyn que tinha apenas 11 anos. antes da família se mudar, eles casaram Marilyn com o vizinho que a levava de carona para a escola. onde sempre rolava uns amasso. ele tinha um trabalho. um cara bom que caiu na besteira de ir para guerra. quando voltou, Marilyn sabendo do seu poder de sedução, deu um chute no traseiro do rapaz, e partiu com um cara do exército em troca de umas fotos sensuais e uns trabalhos. começou a sua escalada rumo a fama. sempre o medo de ficar maluca igual a mãe. se entupindo de remédios. uma junkie de farmácia, como diz o autor. Marilyn conseguiu entrar na alta roda prestando serviços sexuais. e dizem as más línguas que era especialista na felação. o Kennedy adorava uma rapidinha. puxou o pai. dane-se o prazer da mulher. Marilyn não quis ficar como o Joe DiMaggio que representa para o Baseball, o que o Maradona representa para o futebol mundial. Joe amava, e respeitava Marilyn, e queria que ela se casasse com ele, e abandonasse toda aquela bajulação, lavasse a sua roupa no tanque, enfim. ele queria tirá-la daquela vida. mas não era isso que ela queria. Marilyn gostava mais da glória do que do dinheiro. tinha a síndrome de Madame Bovary. a matriarca da família Kennedy era uma carola que rezava depois do sexo. uma das filhas seguia o mesmo estilo. a outra retardada passou por uma lobotomia com a autorização do pai. uma delas era casada com um ator medíocre que trabalhava de atravessador de mulheres para Frank Sinatra, e para o próprio cunhado. uma vez Kennedy perguntou ao empregado negro o que os negros queriam. o empregado disse que não sabia. e Kennedy respondeu: eu quero comer todas as mulheres de Hollywood. aprendeu isso com o pai. Kennedy era de uma família de caipiras irlandeses, machistas e antissemitas. mas eles também eram discriminados. o sonho de ser presidente pertencia ao pai, que não conseguiu alcançá-lo, passou a tarefa para o filho mais velho, que infelizmente veio a falecer. Kennedy ficou na rebarba. o seu irmão Robert posando de ministro tentava dar uma de herói e provocou a ira de mafiosos, com os quais o pai tinha rabo preso. Jackie Kennedy era uma menina atrás de grana e fama. uma esposa perfeita com a sua classe e ambição. era um casamento de fachada que o pai Kennedy mantinha aos trancos e barrancos. mas o mais impressionante é saber que Marilyn Monroe não usava tampão higiênico. enquanto homens do mundo inteiro sonhavam casar com ela que não tomava banho direito, um reles mortal abria a braguilha para ela dar uma chupada em troca de um papel melhor num filme. segundo o livro. e saber que a sua casa era suja. que ela era uma acumuladora, e que um amante uma vez ao descer da cama pisou na merda do cachorro. enquanto o povo sonha com os seus heróis, eles se divertem na Casa Branca. Frank Sinatra e Arthur Miller (ex-marido) tomaram pavor de Marilyn. Jackie odiava Frank Sinatra e seus capangas. ele era o braço da máfia entre os artistas, é o que dizem. rolava o troca-troca de casais no poder e o Kennedy era fã dessa fofocada toda. e isso tudo aconteceu numa época em que a espionagem era uma paranóia generalizada. Marilyn e seus surtos de loucura. querendo se tornar uma atriz dramática. troca-troca. até o psicanalista se apaixona por Mariyin. provando que a vida da mulher bonita é um inferno. é difícil acreditar que Kennedy tenha sido assassinado por um maluco. mas tudo acabou. vamos voltar a democracia, e esquecer o tempo em que Marilyn Monroe andava nua dentro de casa tendo surtos de loucura.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Pulp Fiction!
então apareceu esse cara aqui em casa. ele era alto, usava calças jeans e chinelos. acho que era do Recife. parecia um personagem do Amarelo Manga, ou quem sabe o Selton Mello do Árido Movie. ele tem uma banda de vários estilos, e disse que em determinados países tem McDonald`s de acordo com os preceitos dos religiosos. eu tava com aqueles caras com quem fazia teatro em Ipanema, e esse cara que tinha uma banda underground, disse: eu vou no McDonald`s. olhei pro ator politizado pra ver a sua reação. ele disse: McDonald`s é um lixo! prefiro comer no Bob`s. o cara da banda disse: cara, o McDonald`s é mais barato, e mais gostoso. o politizado disse: eles exploram as pessoas, argh! olhei pro cara da banda que respondeu: o Bob`s também. ele atravessou a rua e disse. eu vou nessa! não entendi quando aquele cara disse que o Tarantino se repetia. ele disse: vai, por mim. concordei. eu quero perguntar a ele se o Pulp Fiction não é uma obra prima. e se uma obra prima não basta para um criador. pois assim como Nabokov não era só Lolita, chegar a um livro que é unanimidade de público e de critica não é quase impossível. mesmo cravar um livro entre os mais lidos de um país. tudo porque uma vez um cara me disse: tendo MacDonald`s se come bem em qualquer lugar do mundo. independente da cultura. lembrei que ele disse isso.
Um Dia, Sabotage...
quando eu peguei o
disco do Sabotage pela primeira vez, tive certeza que ia gostar daquilo. não
sei porque, era a capa, os nomes das músicas. País da Fome, por exemplo, é um
nome sintético. foda. do caralho, porra! resume o Brasil. conheci gente que não
gostava de rap, mas que gostava do Sabotage. agora, se você não é, vai ficar de
bigode na pista. dificilmente vai entender o que Sabotage diz. já teve comedia
que me disse não gostar do Sabotage porque ele só falava de um "cara"
chamado Brooklin. mas vai pegar frases antológicas como. desencana. a fama que
matou Daiana. El Ninho na Itália, na sul polícia mata. ele é um perito em comparações,
não sei quem mata mais, a fome, o fuzil, ou Ebola, quem sofre mais, os pretos
daqui, ou de Angola. muitos que estão com o pensamento ao contrário. e no seu
trabalho com a imagem, o meu pivete se diverte. reparo o jeito dele, quando
ouve o som do rap, esquece. Sabotage vem a público falar de pó. e a gente sabe
que tem muitos irmãozinhos derramado, mesmo. o Sabotage diz que tem de parar de
cheirar, ele fala isso com a maior naturalidade. não deixa de ser um pedido de
ajuda. sem o pó, só verdim. sou Sabotage, para ter mais humildade, só tomando
Sustagen! Sabotage dispara a sua metralhadora giratória. são muitas palavras
por metro quadrado. é muito rápido. é muita gíria. muita palavra cortada pela
metade. Sabotage era gente boa. falava com todo mundo. conheço que gente que
teve contato com o Sabotage, é unânime que o cara era gente boa mesmo no meio
artístico, que é um lugar aonde a vaidade impera. é lógico que sempre existem
os invejosos. vou longe, não preciso de capataz, dou meu sangue! até loki sente.
é muito triste. é difícil ser feliz. Sabotage provavelmente era aquele cara que
nas ruas das favelas é chamado de tio. e que todo mundo gosta. tanto os velhos
quanto as crianças. Sabotage da religigiosidade afro. sobre os orixás. é de uma
religiosidade brasileira... olhe por mais um nessa terra, senhor do Bonfim!
sincretismo religioso. subiu para cantar num show de terno branco, e de blusa
vermelha. e se vivesse no nordeste provavelmente ia falar do Padre Cícero.
Sabotage fala de saudade do irmão, e das dificuldades de quem é pobre. mas fala
isso como num blues. num tom de lamento. Sabotage não é agressivo. apesar da
revolta é sereno. não é como a maioria de nós. por isso que para além dos
palavrões. das gírias. e das histórias do crime, todo mundo gosta do Sabotage.
velho, ou criança. a sua filosofia é básica, e funciona. é só fazer o bem para
todo mundo ficar bem. ele tem a classe do Cartola. Sabotage deve ter tido uma
iluminação na cadeia. Sabotage fez filmes. Até que um dia Sabotage ia levar a
sua esposa ao trabalho, veio um cara, atirou no Sabotage, e acabou com a sua
vida física. mas o Sabota já deve tê-lo perdoado.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Nicholas Cage...
Nicholas Cage caminha pelas ruas do centro. Nicholas Cage dirigi ali pela Lapa. Nicholas Cage pega uma mina que é a cara da Eva Mendes. Nicholas Cage dá uma dura num casal. e diz: eu quero um naco desse baseado! o rapaz olha para o Nicholas Cage. ele faz parte da máfia. da máfia dos italianos, tá ligado? Nicholas Cage namora a Eva Mendes que mora num daqueles cortiços do centro da cidade, esses cortiços antigos que são bucólicos durante as tardes de domingo, e tristes durante os dias de carnaval, quando ficam mais tristes pois parecem estar mais expostos aos nossos olhares, assim como os barrigões de chopp. Nicholas Cage é todo malandreado. macumbeiro. Nicholas Cage fez capoeira na juventude, e hoje ele está um pouco enferrujado. Nicholas Cage é malandro a moda antiga. se vivesse antigamente ele ia usar chapéu panamá na cabeça e andar de tamanco. Nicholas Cage desce do carro. Nicholas Cage diz: me dá o cachimbo de crack. Nicholas Cage fuma o cachimbo de crack igual aquele advogado. Nicholas Cage é do povo da rua. Nicholas Cage entra na favela e diz. eu quero maconha, e pó, eu quero maconha e pó. Nicholas Cage é carioca. deixa o radio do carro ligado numa radio que toca pagode. Nicholas Cage ouve A Patrulha da Cidade. Nicholas Cage diz rindo: enfia os vinte centavos no rabo! Nicholas Cage foi a um jogo no Maracanã. Nicholas Cage ouve o Maracanã dizendo: Nicholas Cage! Nicholas Cage ficou sentado perto da Charanga do Flamengo, curtindo o jogo chapado com o sorriso no rosto. Nicholas Cage anda bêbado pela cidade enquanto rola um blues ao fundo. Nicholas Cage vai beber até morrer. Nicholas Cage bêbado na Praça Onze durante o carnaval, ele diz. o Rio é foda, uh! Nicholas Cage ouve a música Naquela Mesa numa barraquinha de camelô, e diz para o rapaz, essa me lembra o meu avô! Nicholas Cage pega um disco do Benito de Paula de um viciado. ele diz: esse, fica comigo...Nicholas Cage vai buscar o pão com mortadela e o jornal. Nicholas Cage diz para o bandido. me dá só a maconha, e rala! Nicholas Cage passa no carro. eu atravesso no sinal aberto. Nicholas Cage balança o dedo na minha cara me ameaçando por ter avançado o sinal. ele faz como se fosse me pegar. Nicholas Cage entra num grupo de anônimos. Nicholas Cage se mata? Nicholas Cage, morre? não, ele não morre. ele para com tudo, e fica com o a Eva Mendes. hum... e diz: o meu nome é Nicholas Cage. estou em recuperação... e depois Nicholas Cage se converte. só não consegue parar de fumar cigarro. é, maldito cigarro.
Subúrbio...
uma menina
preta passa com o namorado preto. ele diz: cala a boca, oh, você só fala merda!
ela mete a mão na cara do filho da puta e diz, cala a boca é o caralho! corta
pra ele de novo. subúrbio. pô, cara, eu queria ler um livro que eu vi naquele
sebo que fica embaixo do viaduto da Lobo Júnior... ele se chama O
Porteiro da Noite... dei mole. subúrbio. o Thiago da Dulcineia. o Thiago da
Conceição. o Leandro da Belisário. o Leandro do Prédio. subúrbio. plataforma.
subúrbio. o cara no buraco da Penha. o cara paga vinte reais em dois bifes
desse tamanho! subúrbio. como é que tá o rap? tá bem! como é que tá o charme?
tá bem! como é que tá o rock? tá bem, também! subúrbio. corta pra um bêbado no
bar, eu conheço esse cara, é o cara do rap! subúrbio. vai lá assistir o jogo
com nós... subúrbio. toca a bola, sangue bom. caralho, da antiga, aí! só
relíquia. subúrbio. pai, vai com essa barriga do lado de fora? maior micão, aí!
você vai me buscar assim? maior micão, aí! subúrbio. Parque Shangai, subúrbio.
você só anda de tênis? só. subúrbio. aí aquele cara começou a dançar caindo em
cima de mim. gente, medo. subúrbio. eu cortei o meu dedo cortando laranja, vi o
sangue escorrer, e saí gritando e chorando no meio da rua... ah, o meu dedo!
oh, o meu dedo! subúrbio. como é que tá o livro? o livro tá bem! subúrbio. e a
banda? tá indo bem! subúrbio. vai chupar, ou vai lamber! senta, senta, senta na
piroca! subúrbio. menina, você acredita que no casamento do Naldo... subúrbio.
O Dia. O Meia-Hora. O Extra. O Globo. Na Globo todo dia. uma colher de açúcar.
uma colher de sal. o dia da eleição. Festa da Couto. subúrbio. feira da
Montevidéu. subúrbio. Feirinha de Itaipava. católico. macumbeiro. espírita.
budista. crente. subúrbio. a menina me olha, e diz. ter de ver esse tipo de
coisa no meio da rua! lembro Cartola que dizia, quando eu passo, a gurizada
pasma, horrorizada, como quem vê um fantasma, e o esqueleto humano, assim, vai
cambaleando, quase cai, não cai. esse cara estudou comigo. ele é casado com uma
prima minha. um moleque fala com a mãe cantando: mãe, eu posso ficar com o
troco do pão? maquininha de música. Maluco Beleza. Vida Louca. Papel de Pão.
subúrbio. bicho. corrida de cavalo. Nextel. Tablet. vamos circular. circulando,
rapaziada! subúrbio. subúrbio. subúrbio...
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Tipo, Rolando Boldrin!
este cara que eu conheço é um bom contador de causos. pouco importa se é história ou se é estória. ela te prende. gosto de bons contadores de causos. tipo, Rolando Boldrin. ser um bom contador de causos independe de profissão, ou formação didática. o cara não precisa nem saber escrever. no caso dele, ele lê, e escreve bastante. e também já viajou um bocado. o que com certeza ajudou no seu conhecimento. então paro e fico ouvindo esse cara durante todo o tempo. ele diz: o cara apareceu na rua. ele tava com uma Kombi da firma em que trabalhava, e queria que a gente fosse com ele no centro. aí nós fomos, eu, ele, e mais dois moleques. aí num dos sinais da Leopoldina um cara disse de outro carro: pô, que cheiro de maconha, hein! o motorista olhou pro lado com a cara mais cínica do mundo, e disse: num tô sentindo, não! aí a fumaça começou a sair da Kombi. pô, como é que tu não tá sentindo? o motorista não deu mais ideia a ele. o cara olhou pro sinal, e disse: polícia! encosta... aí todo mundo desceu da Kombi. o parceiro dele ficou olhando os documentos, e ele ficou fazendo pergunta. nisso o motorista disse: esses caras ficam tudo no meio da rua de bobeira. aqui tá tendo muito assalto... não deixa de ser uma segurança, doutor. e o policial disse: mas, fumando maconha! o policial me perguntou: o que você faz? eu disse: sou estudante. ele virou pro outro moleque, e perguntou. e você, o que faz? ele disse: também sou estudante. e quando virou pra esse moleque que eu tava te falando, ele perguntou: e você, faz o que? ele respondeu assim: eu não faço nada... e o policial perguntou: como assim você não faz nada?! ele disse: eu não faço nada! o policial disse: você não trabalha? ele disse: não, eu nunca trabalhei! aí o policial perguntou indignado. e como você, vive? o meu pai me banca! o policial bufou, e desistiu. o parceiro dele devolveu os documentos e entrou no carro. o carro saindo, ele pôs os braços pra fora da janela do carona, e perguntou: você nunca trabalhou? aí esse moleque reafirmou: não, eu nunca trabalhei! ele sorri e dá um trago no cigarro...
Perdi a Minha Primeira Gravação...
era um rap. gravei uma fitinha demo. quem conhecia a música a chamava pelo nome de Terra Encantada. mas na verdade a música se chama Uma Jogada Do Destino, porque era o título de um filme que eu gostava. a estória não tem nada demais. um turista se perde, esbarra com um bandido "consciente" (sem piadas, por favor), e vai para o desenrolo. gravei a música com um ódio que nunca mais consegui repetir. como um crente fanático gritava que a gente estava tudo ferrado, e que ia tudo morrer de fome. depois fui descobrir que a maior parte de nós não está nem aí para o apocalipse, ou pra hecatombe que provocamos com nossa indiferença perante a vida. mas gosto daquela performance. depois disso me transfigurei numa porção de coisas, do romântico suburbano ao piadista sem graça. popular ao extremo. obviamente, que essa, por ser a minha primeira gravação, tem para mim um valor sentimental. levava as copias desta fitinha para as rádios comunitárias num tempo em que praticamente não existia internet. não passei a música para o CD. ela é de uma época em que me perguntavam: você é do hip-rock? eu parava festinhas juninas, e festinhas de pegação em escolas para gritar palavras de ordem! e assim como um Tim Maia raquítico, e anônimo, abandonei palcos. fui expulso. boicotado. fiz inimigos. dei lição de moral em gente da plateia. parei bailes funk. bailes charme. festivais de rock. importunei pessoas. quanta besteira, meu deus! quantas vezes desafinei no underground, como diz meu tio músico, e sai do tempo com essa mania de querer fazer, apesar de tudo. mas se algum doido que não consegue se desfazer das coisas, não por sua qualidade, (risada nervosa.) e sim pelo valor emocional que elas têm, e se tiver uma fitinha dessas, ou se tiver esse material digitalizado, entre em contato comigo. não tenho a música porque assim como hoje, naquela época acreditava que tudo é o registro de um momento, e por mais que não seja perfeito, é para ser compartilhado com os outros, para que eles possam compartilhar comigo também. mas, nem a esperança, nem o texto, morrem com o ponto final.
domingo, 21 de julho de 2013
Recorde de Curtidas do Facebook é de um Brasileiro!
Eugênio é um pacato garçom de 23 anos, carioca, e morador do bairro da Penha no subúrbio. mas ele tem uma façanha histórica para o mundo moderno. conseguiu ficar sentado durante vinte e quatro horas consecutivas, compartilhando, curtindo, compartilhando, e consequentemente sendo curtido. o primeiro desses recordes estranhos do mundo virtual, era de um australiano que havia ficado o mesmo tempo que Eugênio em frente ao computador, só que tuitando, que atualmente já é um verbo reconhecido pelo corretor ortográfico. Eugênio preferiu o micro tradicional aos outros aparelhos, pois o australiano do Twitter havia feito o mesmo. talvez para dificultar um pouco. lógico que tanto o brasileiro quanto o australiano tiveram uma boa alimentação, eram hidratados de hora em hora, e passaram por uma correção da postura corporal. eles urinaram através de uma sonda. mais nada seria permitido pelo motivo óbvio de tomar mais tempo. também foram acompanhados por nutricionistas semanas antes das respectivas empreitadas. e uma junta médica os acompanhou durante a prova. perguntei a ele como foi ter que compartilhar tudo, até coisas com as quais não concordava? ele disse: foi como tratamento de choque, rapaz, lobotomia. troço pesado. Eugênio tuitou desde coisas como gente xingando deus, pornografia, e apologia ao crime e as drogas. até mesmo curiosidades como a filha pedindo a mãe para dar uma ligada para ela, ou uma irmã pedindo ao irmão que pusesse o feijão no fogo. e muito adolescente se dizendo entediado na própria internet. que nas palavras de Eugênio serve para matar o tempo. a diversidade religiosa do brasileiro também foi uma das coisas que o assustou. pois ao mesmo tempo em que uma pessoa compartilhava algo extremo sobre sua religião, vinha outra pessoa compartilhando algo no mesmo nível sobre a sua. Eugênio disse ainda que no mesmo momento em que repassava um baita protesto pelos direitos dos gays, vinha um homofóbico atrás, algo bem radical. ele disse não ter parado para pensar que isso existia com tanta intensidade no Brasil. essa diversidade, brasileira. perguntei a ele: mas porque você fez isso? e a sinceridade não faltou: olha, não vou mentir pra você, não, rapaz. fiz isso pra aparecer, mesmo. não ia ficar famoso. não tenho nada a perder. perguntei a ele: e se alguém quebrar o seu recorde? ele respondeu rindo: invento outro. e para finalizar pergunto: o que ele ganhou com isso? ele diz: apareci na televisão, ora! você veio aqui me entrevistar. não sei se é motivo de orgulho. mas este recorde é nosso!
Que Porra é Essa de Funk Ostentação?
ligo pro meu pai. pai, tudo bem? ele diz: fala! pergunto: o que é funk ostentação? ele responde. num sei não, aí. e me pergunta: era só isso? digo: só. ouço o sinal de desligado. depois eu ligo prum amigo gangsta rap. digo: e aí, cara, tranquilo? ele diz: tranquilo. pergunto: o que é funk ostentação? ele rebate: qual é, cara? tá me tirando! ouço o sinal de desligado. viro para o lado. balanço minha mina. pergunto: o que é funk ostentação? ela pergunta: que horas são? digo: cinco da manhã. ela se vira. resolvo ligar pra minha irmã. aqui é o irmão, me responde uma coisa, o que é funk ostentação? ela diz: vai a merda cara! ouço o sinal de desligado. ela se vira para o lado, e responde: era um babaca se passando por meu irmão, meu irmão tá nem aqui, meu irmão tá lá na Antártida!
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Whisky Nacional é Cachaça!
tem um vândalo no meu portão. tenho andando com medo dos vândalos, doutor. não consigo mais sair de casa, doutor. tenho medo de quebra-quebra. a televisão me diz que os vândalos estão chegando, doutor. o Brasil é um país pacífico... o estado não vai permitir que esses vândalos tomem conta da cidade. atos de vandalismos não serão tolerados. o cidadão comum, sabe que esses não são manifestantes e sim, bandidos. criminosos. tem um vândalo em cima da árvore. um vândalo depredou o patrimônio público, doutor. um vândalo foi acusado de apropriação indébita. o patrimônio público não pode ser depredado. o nosso país é um país livre, doutor. os vândalos tiram o nosso direito de ir, e vir. um vândalo matou... não, doutor, um vândalo não matou. mas é de matar. tem um vândalo sentado na praça comendo pipoca. tenho pesadelos com vândalos, doutor. eles descem de helicópteros. saem dos esgotos. tem um vândalo com uma camisa do Papa. quem sabe um vândalo peregrino. os baderneiros e os vândalos estão provocando arruaças. tento dormir. não consigo. ouço aquela voz vinda debaixo da minha cama. vândalos... vândalos... e aí coloco o meu travesseiro na cabeça. teremos uma comissão para cuidar dos atos de vandalismos. tem um vândalo mascarado no meu espelho. o vândalo mascarado fumando charuto, dá um trago no Whisky, cospe e diz: eca, nossa, Whisky nacional é cachaça!
A Molecada do Lava a Jato...
...sempre tem um sofá e um sonzinho rolando ao fundo. na maioria rola Racionais, ou Arlindo Cruz de leve para não contrariar ninguém. ah, às vezes, funk. mas dependendo do dono rola até uma Plebe Rude, Black Alien, eu já ouvi. encosta a tua bike, senta naquele sofá e fica a tarde inteira. depois do almoço, é claro. olha pro valão em frente, e sente aquela fedentina, olha para a parede em frente, e diz: que merda. de vez em quando alguém fala: me empresta a bike que eu vou dar um pulo na farmácia. some na esquina. e você apenas balança a cabeça. as vezes a rapaziada do lava a jato mergulha num silêncio prolongadíssimo. as vezes depois da rodada de domingo todo mundo dana a falar. as vezes no final de semana rola um churrasco. uma churrasqueira, e um isoporzinho. as vezes cola até algum velho que fica jogando buraco na praça. algum velho que não conseguiu entrar na internet. como dizem. mas a molecada do lava a jato está sempre ali. naquele sofá, faça chuva, ou faça sol. me empresta a bike aí que eu vou lá no meu primo pegar a máquina de cortar cabelo!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Eu Sei que Eles Sabem que Eu Existo!
eu pergunto a minha mina. você viu um furgão lá fora? digo olhando pelo canto da cortina. ela diz: deve ser a CIA atrás de você... ela abre a janela, que calor aqui... que cheiro ruim! tudo fechado. eu me jogo no chão e ponho a mão em frente a boca como fazem os jogadores tentando evitar a leitura labial. falo por sussurros. devem existir escutas por toda a casa.... ponho o telefone no ouvido e ouço um chiado ao fundo. ela me diz: você tá delirando! eu digo: tô cercado! os meus companheiros me abandonaram... ela diz: é impressão sua, amor. eles me boicotaram. disseram que eu sou um dissidente. entrei para a lista de traidores. ou será que eu sou apenas um capital dissidente? não sei! não rolou nem um sentimento de classe. consideração racial ou algo que o valha. disseram que sou uma ameaça. falo por códigos. sinais. driblo. não posso ser muito explícito para que não me descubram. passo na rua. alguém diz: esse cara com essa mulher de cabelo vermelho, não sei não! eu me escondo no supermercado. a câmera do supermercado me persegue. eles sabem que envio mensagens secretas. sou censurado. torturado. quero ir exilado para a França, Estados Unidos, Inglaterra. eles vigiam os meus passos. o meu vizinho me espreita do olho mágico na madrugada. alguém diz: é um artista do bairro que sequelou. outro diz: incapaz de fazer mal a uma formiga! alguém diz: tem de se relacionar. eu digo: sou tímido. o rapaz que recolhe o lixo faz sinal para alguém quando eu passo. o mesmo acontece com o cara falando no orelhão. o entregador de flores parece me apontar. mas um passarinho me traz notícias de campo da fronte. do campo de batalha. onde sempre há algo novo. ele me diz: você foi citado. eu digo: sério? ele diz: sério, num relatório da ONU! Obama tá na tua cola, malandro! eu digo: mentira! ele diz: eu lá sou homem de jogar conversa fora, rapaz!? tem caroço neste angu.... e eu vou descobrir o que é. ele reforça: aí, tem! eu digo: já avisaste ao Joaquim Barbosa? ele diz: sim. mas não mija fora do penico, não, rapaz, se não a coisa esquenta pro teu lado! vai sobrar pra mim, e não há quem te tire de lá! eu pergunto: batata? ele diz: batatíssima! eu digo: você vai me ajudar. ele diz: eu sou bem relacionado no jet set, como você sabe. vou ver o que posso fazer por você. mas não prometo nada! ele pigarreia, e diz: mas por enquanto segura a tua onda, que a tua batata tá assando! a minha mina diz: elas têm alucinações. e amigos imaginários. (e inimigos também, ela pensa). eu digo: amor, é verdade, o meu amigo intelectual, ele não cresce! ele nunca cresce! permanece do mesmo tamanho. com a mesma idade, desde que eu o conheci!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O Caçador de Androides - Philip K. Dick
eu li o caçador de
androides. e gostei da caixa de empatia. do Mercerismo. ou seria Cristianismo,
Budismo, ou Islamismo... são metáforas do livro. e o teste Voight-Kampf para
detectar os androides que ao que me parece são psicopatas, assim com a maioria
de nós, que assim como psicopatas, nós homens da sociedade moderna somos mais
inteligentes. e o preconceito contra os especias, que ao que me parece tem uma
especie de esquizofrenia. assim como a maioria de nós. eu sei disso porque me
observo. e o observo os outros. ainda existem homens "santos" que
conseguem suportar todo esse estresse de viver numa grande cidade, competitiva,
perigosa e veloz. as vezes corremos sem saber porquê. e na maioria das vezes
nossa correria não nos leva a nada. ao invés de desejar mais, desejar menos,
cada vez, menos. mas com a mídia nos aplicando um tratamento de choque, em que
logo depois caímos numa Síndrome de Estocolmo amando aos nossos inimigos. mas
na maioria das vezes, reagimos de maneira violenta. temos uma crise dos nervos,
entramos numa escola atirando, temos um enfarto, ou esganamos o pescoço mais
próximo. a gente segue comendo mais, bebendo mais, fantasiando mais, se
drogando mais, trepando mais, consumindo mais, rezando mais, fazendo cada vez
mais festa, e se entediando cada vez mais com todo o excesso. pois ninguém pode
ser tão feliz. a nossa caixa de empatia é a nossa caixa de remédio tarja preta.
é só engolir uma pílula. assim que funciona a caixa. é só apertar um botão. até
a nossa tristeza normal, por causa do nosso vazio que a certeza da morte causa,
estamos tratando com remédio. seja ele, sexo, cerveja, videogame,
antidepressivo, ou esporte radical. para um tratamento com menos drogas é
preciso tempo. e tempo é tudo o que nós não temos. pois somos uma sociedade
dedicada ao prazer imediato. você pode até trepar com uma androide como fez
Rick Deckard. não, é verdade? quantas pessoas acordam todos os dias ao lado de
androides. androides com botox, bombas, enchimentos, silicones, recauchutadas,
reinventadas, plásticas. bonecas infláveis. assim como no Mercerismo nos
ligamos a todos. todos estamos conectados a internet que funciona como uma
espécie de inconsciente coletivo. virtual. física quântica. androides incapazes
de formular um raciocínio assim como os nossos analfabetos funcionais que
acreditam no que o repórter, ou o pastor diz a eles. que tem como exemplo
de vida o empresário boçal. que teme os vândalos, e os quebra-quebras. o que eu
mais gosto é da depressão do Rick Deckard, e de sua esposa Iran. e a falta de
autoestima que é curada com a compra do animal de estimação. será que Deckard
desejaria tanto qualquer animal de estimação, se eles não estivessem extintos?
é parecido com nosso consumismo que paga por exclusividade. que diz que não sei
o que é uma pedra preciosa só porque é rara. e a nossa incapacidade de lidar
com outros seres humanos, e com outras culturas, descarregando todo nosso amor
aos nossos animai de estimação. mesmo estando conectados com outros seres
humanos 23 horas por dia. o que leva Rick Deckard a entrar em crise, é
justamente uma trepadinha como uma androide. ah, nossos escândalos sexuais, e
quem nunca pecou que atire a primeira pedra! como aquelas atiradas, Wilbur
Mercer. que talvez seja uma fraude. um bufão. apesar de muito coerente em
algumas colocações insatisfatórias. a polícia cobra a Rick Deckard que ele não
sinta empatia por androides, para que isso não atrapalhe o seu trabalho. será
por isso que amamos essas lutas em que se dá porrada no outro, e que o deixa
retardado para o resto da vida, assim como ficou John Isidore. Buster Friendly
que é o comediante que fica vinte e três horas por dia no ar, e que é a pessoa
pública mais importante do mundo, declarou que a terra morreria debaixo de uma
camada, não de pó radioativo. mas de traste. não duvido nada!
sábado, 13 de julho de 2013
Franz Kafka e Albert Camus
li O Estrangeiro de Albert Camus numa tarde, fiquei chapado, e desde então tive vontade de ler algo parecido com aquilo. fui ler mais Camus. peguei O Mito de Sísifo que é um ensaio filosófico maravilhoso. no final fui presenteado com um ensaio sobre Franz Kafka. talvez por aí eu conseguisse alguma coisa. em minha cabeça, ou na realidade, Camus foi influenciado por Kafka. numa tarde, deitei no mesmo sofá, e da mesma forma que aconteceu quando li O Estrangeiro de Camus, fui hipnotizado por aquela metamorfose de Kafka, não consegui me levantar enquanto não finalizei, o livro. não quero dar a minha interpretação da história. até porque esse negócio de achar que um livro tem uma interpretação é coisa de religião ou de intelectuais. e não quero que aquela pessoa feliz, que ainda não leu A Metamorfose, ou O Estrangeiro, seja poupada de qualquer novidade. mas no meu caso, o primor de Kafka, o que ele conseguiu fazer com este leitor ignorante, foi o seguinte, além de me levar a pensar sobre a profundidade do que foi abordado, é claro. ele me conduziu aquele quarto. até hoje os olhos de Gregor me perseguem. consigo descrever Grete. o senhor Samsa. conheço o cheiro das suas roupas. conheço as cores. e a voz de cada um deles. estive naquele quarto. posso jurar que estive lá observando os durante algum tempo. até a sensação de sufocamento que a sociedade nos dá, senti com mais intensidade durante a leitura. consigo debruçar sobre aquela janela, e ver um sol que ilumina o mundo de maneira infinita. como num sonho. o livro caiu da minha mão. fiquei exausto.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
O Banheiro e a Leitura...
quando o meu livro foi lançado uma prima lembrou que na casa da minha avó eu lia no banheiro. morando numa casa cheia de gente, o banheiro torna-se o porto seguro para a leitura. na madrugada é a única luz que pode ficar acesa sem incomodar aos outros. ainda leio no banheiro. mais para não perder uma oportunidade de leitura, do que por necessidade. embora não sei porque sempre a sua luz do banheiro parece ser melhor. a batida do violão da bossa nova foi inventada dentro de um banheiro. pois João Gilberto gostava da acústica do mesmo. caso queira ler em voz alta para melhor absorção da leitura, é uma boa pedida. dizem que o banheiro era o único lugar onde os Beatles não eram incomodados. hoje a leitura deixou de ser prioridade, assim como a verba para a cultura é a menor, a leitura é a última opção de passatempo, ou o que quer seja, para a maior parte das pessoas. com a chegada do livro eletrônico, em países como o Brasil, em que se lê pouquíssimo, a leitura tende a perder espaço. quanto mais se entulha músicas em um equipamento eletrônico, menos se ouve música realmente. poucas pessoas ouvem os discos completos. a maioria vive de sucessos. o chavão do conceito de trabalho parece ter se perdido. no caso da música, talvez o ideal fosse que os artistas lançassem apenas compactos. como acontecia na época da Carmen Miranda. pois hoje, uma música de um ano atrás, é velha para a maioria dos adolescentes, e das pessoas em geral. são raros os artistas que conseguem manter alguma resistência, e lançam o disco no tempo em que acredita ser necessário. por causa desse processo de banalização que estamos vivendo. embora saiba que alguns artistas sentem necessidade de criar mais. mas é bom que isso seja uma opção. durante algum tempo acreditei que o artista deveria tentar negociar com esse modelo que aí se encontra. eu mesmo, quando comecei a escrever para este blog tentei evitar textos longos. hoje não temo mais os caudalosos. é bom ter tempo para ler e pensar um Marcel Proust, que é eterno, ou um Mario Vargas. mas é preciso tempo para isto. e tempo é tudo o que nós não temos hoje. então o tempo passa a ser mais importante que o dinheiro. sempre foi. desisti de acompanhar a evolução tecnológica. não há mais para aonde se evoluir. não duvido mais de nada. temos que resistir um pouco, para que as coisas do espírito não se percam por aí. para que a hegemonia da falta de tempo cesse. quem só tem tempo para responsabilidades pode se considerar morto. pois como diz o filósofo, o ócio também é necessário. principalmente para a observação com a qual se aprende muito. enquanto o mundo, ou seja, nós mesmos, nos faz acreditar que não temos tempo nem para cuidar do próprio umbigo. o tempo investido em uma boa leitura, ou num bom disco, dizem que isso é um conceito relativo, mesmo para os seus criadores, tem um retorno inestimável. que nesta correria, nós não vamos conseguir perceber. mas ler um bom livro, e caminhar numa manhã de sol pensando nas questões que foram abordadas por ele, continua sendo um dos melhores refrigérios para a alma.
domingo, 19 de maio de 2013
Black Alien Se Retrata...
desde que assisti a
este documentário sobre o Black Alien que não consigo parar de ouvir o Babylon
By Gus. sou parte do pessoal da minha geração que era Racionais-Nação-Planet, e
Rappa. vi o Black Alien ao vivo com o Planet, e, em dupla com o falecido Speed.
sei que assim como o Sabotage, e o samba, que é preto na poesia, ele é um
mestre. tem levadas, interpretações, e presença de palco infinita. seu estilo
se aproxima do noir. de um trhiller-psicológico. ou de um filme
pós-apocalíptico. cineasta, mostra cenas em suas letras que conseguimos
visualizar com facilidade. pena não ter conseguido compreendê-lo de imediato.
hoje entendo porque, porque ele desconstrói a linguagem. embaralha
tudo. é um artista sem cerimônia. sem máscara. não é fanático em suas
ideologias musicais, ou políticas. a sua cultura é caótica. assim
como a sua cabeça. é um Itamar Assunção fluminense. é um cabeça de
liquidificador. Black Alien é cru em sua entrevista. lava roupa suja em
público, como poucos artistas, e assume a parte que lhe cabe. um dos melhores
momentos do documentário em minha opinião, é quando ele diz que gastou muito
dinheiro com mulheres e drogas na época do Planet. discorre sobre o
"business" em sua palavras. fala sobre aquelas músicas que
desaparecem nas mãos de produtores. espalhar coisas por aí é ao que me parece,
é uma característica de quem produz muito. ele torna o improviso a
regra. mas o que ele faz no improviso dentro do estúdio, são músicas
antológicas. tenho a impressão de que ele solta frases no ar. volta e meia eu
pego alguma. mas tem que estar concentrado, e saber que o que a primeira
impressão parece uma verborragia, no final tem um significado profundo. pega
essa: eu tive lá. mas não te vi lá. no documentário você vê o Black Alien
gravando com o DJ. e reclamando, às vezes. e pessoas reclamando dele também.
indo para um show passam umas minas de carro, e o confundem com o Falcão. ele
fica puto. Black Alien toca num assunto chato que é o preconceito que um
artista preto pode sofrer de "algumas pessoas" ( as aspas são minhas)
em determinados segmentos, por não ser miserável. de forma madura diz
que não liga mais para isso. ainda rola ele cantando pra dez pessoas no norte fluminense.
sem holofotes. e o Black Alien na banda Reggae Bi, que tem o Bi Ribeiro e parte
dos músicos do Paralamas. Black Alien nos ensina que a música é criação de um
momento. não sei se ele concorda com isso. sem apego. bom filme. e bom disco
para você que não conhece. Ele diz numa letra "tirar foto é fácil, quero
ver quem se retrata". Black Alien se retrata.
domingo, 5 de maio de 2013
No Programa da Igreja...
...vi mendigo virar
empresário. gente começar a andar, ouvir, e enxergar. cadeiras são levantadas
no meio da multidão. quem nunca falou destrava a língua. há vinte anos viciada
em crack, aparentemente sem nenhuma sequela. é água, óleo, rosa,
toalhinha, e outros souvenires que devidamente pagos, auxiliam na
cura. Aids. Câncer. besteira, pra gente não vale isso! sem resenha, filhinha,
conta o milagre! eu quero saber do milagre... o Deus do senhor me curou! acabei
de abrir uma empresa, e fechei um contrato milionário! ganhei uma licitação e
aquela causa na justiça. a minha dívida sumiu. o carcereiro disse: pode ir
embora. sonhei com o senhor. o senhor olhou para mim. eu me lembro de você! o
senhor profetizou que alguém no meio da multidão tinha esse problema. tomei um
gole do resto da sua água senhor, e passei a mão no teu suor. a oferta é
para não tirar o programa do ar. mas ele subiu para o horário nobre na grade da
programação. o representante deixou escapar numa revista, que com 1 culto se
paga um mês de tevê. os milagres não podem parar. o que seria de nós sem esse
ministério? os hospitais lotados. as clínicas de recuperação... fora o LEPROSO
que é curado. e como é apregoado, os milagres da bíblia estão voltando! e se
esses milagres são verdadeiros, Jesus voltou, e ninguém foi avisado. pois até
médicos indicam a cura para os seus pacientes. como é dito no ar. ontem uma
senhora foi ao banheiro, e voltou com pedras enormes na mão, pedras essas que
ela havia expelido dos rins. provavelmente maiores que os rins da coitada. pois
uma pedrinha minúscula dá uma dor tremenda. eu sei o que é isso. é
aposentadoria. aluguel de tevê. pobreza dá dinheiro. que nos digam as ONGs. é
rabo preso. é voto. e nós que somos brasileiros, mas não somos otários, vivemos
a espera de um milagre!
sexta-feira, 3 de maio de 2013
John Coltrane: O Santo
comecei a ouvir jazz um dia desses. não porque tem selo de bom gosto ou porque sou preto. mas por acaso estava ouvindo ao rádio e gostei de um programa de jazz. já fui a festival de jazz, e tentei ouvir diversas vezes. sempre gostei dos filmes. e das histórias dos músicos. o jazz diferentemente do chorinho, que acredito ser a música instrumental mais agradável do mundo, sempre me soou estranho. da mesma forma a música clássica, ainda hoje, embora ouça quando preciso relaxar. e também goste das histórias de seus compositores. mas o meu ouvido finalmente parece ter cansado um pouco, da sonoridade pop, não que eu tenha deixado de amar, ou ouvir a cultura pop, underground ou alternativa. mas é que nessa nova fase posso experimentar coisas que antes não conseguia. ou para as quais não tinha ouvidos. acredito que assim como na literatura, na música, passamos por fases em que vamos amadurecendo. há exceções sempre. mas no geral não adianta pular essas fases. pois sempre dá merda. vejo pessoas que forçam leituras para as quais não estão preparadas, e depois posam de sabichões sem ter entendido bulhufas. com isso se perde a novidade do primeiro contato. talvez acabe o tesão com a descoberta precoce. há livros que leio hoje, que não teria lido antes. então passei a ouvir jazz. não como uma obrigação. ou porque é cult. mas por prazer. estou no início da minha paixão por John Coltrane. ouço John Coltrane todos os dias. o que mais me impressiona em sua música, é que ela se adapta a meu estado de espírito, e o transforma. é a música que não me atrapalha. e não precisa da minha atenção para ser compreendida. ela me pega e me joga na serenidade. mesmo que esteja escrevendo. consigo raciocinar e ouvir John Coltrane. até me ajuda. e tecnicamente não entendo nada de jazz. e se o John é uma música intimista, e de improviso, como acredito ser uma música que pede a proximidade do ouvinte. não sinto nada assistindo jazz na tevê. ou em grandes shows. jazz é música para lugares pequenos. John Coltrane te dá essa sensação. John Coltrane havia dito que a sua música era religiosa. assisti isso num documentário sobre jazz. e nele um cara disse que John Coltrane, um pouco antes de morrer, perguntado o que faria dali para frente, disse que se tornaria santo. e como disse o meu vizinho ao ouvir essa história. ele conseguiu.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O Lixo da Cidade...
eu vinha pensando numa música sobre o lixo. mas aí pintou aquele documentário Lixo Extraordinário, e era esse o nome que eu queria. desanimei um pouco. eu via isso escrito nos caminhões e achava sensacional. as ideias estão no ar. no carnaval eu fui ao local do Rio que eu acho mais bonito. o Arpoador. aquela vista, não vi todas, mas na minha opinião é a vista mais linda do mundo. vi o calçadão todo sujo. uma sujeira deprimente. não que eu me importe com aquele discurso enérgico dos moradores de Ipanema. eu quero que eles se explodam! mas me preocupo com a imundície. quem joga lixo no chão é porco e nada mais. mas pessoas insuspeitas são porcas, gringos de países europeus limpíssimos, esses que dizem aproveitar um pouco a liberdade que não tem em seu país, como gostam de apregoar sobre o Brasil. sei o tipo de liberdade em que eles estão interessados... o mesmo... que... ah, deixa pra lá. cheguei a conclusão de que quem suja essa porra somos nós. de várias maneiras. e me veio o Robert de Niro de Táxi Driver que chama as pessoas de lixo por sua falta de caráter. ou pelo menos pelo que ele acredita ser falta de caráter dentro da moral de alguém que leva uma dama num primeiro encontro para assistir a um filme pornô num inferninho. Isso me inspirou um pouco. na musica falo de como o corpo expele o seu lixo. e que existem lixos sobre determinados pontos de vista. nós somos lixo orgânico. tenho os meus pecados. e se não existe uma merda de um banheiro químico por perto, eu simplesmente não consigo ir contra a minha natureza, senhor prefeito. não que ache isso bonito. é feio. mas fazer o quê, né? quem tem que limpar a sujeira do cachorro é o seu dono! disponibilizei o vídeo com a música em que estou tocando violão. não é uma música para se dançar ou conquistar garotinhas. a questão está na letra. se tiver interesse, dá uma ouvida. o nome da musica é O Lixo da Cidade.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Cena de Filme Nacional...
é um cenário conhecido, uma cena de filme nacional. um bar decadente na rua da zona. num domingo, ou num feriado santo qualquer. três da tarde, aquele sol vespertino, e deprimente. o dono do bar lendo um jornal velho atrás do balcão, com o qual também espanta as moscas. pega a toalhinha que está sobre o balcão e seca o suor da testa. o cheiro de gordura impregna o ar. no boteco adentra um rapaz de outro estado, nordestino, talvez, e que tenta manter algum tipo de raiz com o seu lugar de origem. uma mulher que foge. vai embora com outro. volta para a sua terra. enquanto o rádio ao fundo toca alguma música do Roberto Carlos.
terça-feira, 16 de abril de 2013
A Rua dos Quebra-Molas!
naquela esquina sempre colava uma rapaziada. que fumava um baseado, e que fizesse chuva fizesse sol tava sempre ali no carteado. com o tempo ele mesmos fizeram uma proteção contra a chuva. fizeram bancos mesas, e uma churrasqueira de cimento. sem a ajuda da prefeitura. e alguém arrastou um sofá cortesia de uma tia aposentada. existiam uns que praticamente moravam ali. independente das reclamações de "suas" "mulheres" ou da "polícia", ou dos fofoqueiros da rua. o que eles também eram. mas eram eles também que agitavam os blocos de carnaval e as festinhas juninas. e ainda o campeonato de golzinho. ou seja, eles eram imprescindíveis para a economia, cultura e desenvolvimento local. por isso que todo mundo acabava aturando aquela rapaziada que quando exaltada pelo jogo de buraco, falava mais palavrão que o Kid Palavrão. que era o moleque que mais xingava palavrão nas redondezas. numa manhã de sábado de sol escaldante, e de todo mundo sem um puto no bolso. na sexta feira todo mundo se entocou cedo por falta de grana, tudo que era malandro tava liso. olhando pro tempo naquele sol de onze da manhã. um deles com os olhos perdidos na parede da firma do outro lado da rua, disse: vamos fazer quebra-molas! como assim? lá em casa tá cheio de cimento e de material de construção que sobrou da obra do meu pai. e daí? e daí que a gente passa o caderninho, igual nós fizemos na copa pra pintar a rua. pra poder comprar as coisas pra fazer os quebra-molas. e aí todo mundo vai ficar tocado, e vai querer proteger as criancinhas dos atropelamentos, e vai contribuir nem que for com dez contos. é início de mês, e todo mundo tá com dinheiro. um deles disse: rapa, tu é um gênio! dito e feito. rolou toda aquela encenação de recolher dinheiro, e de ir comprar cimento. e a noite aconteceu o maior churrasco que aquela rua já teve. cortesia do pai do rapaz e dono da obra. pelo aniversário do filho que seria comemorado na semana seguinte. e a rua ficou conhecida como A Rua dos Quebra-Molas.
domingo, 14 de abril de 2013
Pé-Sujo!
ele sempre parava naquele bar que fica próximo ao hospital e funciona 24 horas. e parece não fechar em nenhuma data, seja ela, santa ou pagã. um ambiente frequentado por todo tipo de gente, ou melhor, pelo pior tipo de gente. esse que recebe adjetivos como boteco. caga-sangue. pé-sujo. última-gota. onde se encontra o clássico torresmo, a linguiça frita, e os ovos coloridos. amarelos e cor de rosa. onde a maquininha sempre toca Maluco Beleza. debruçado no balcão o cidadão tomava o seu refrigerante, quando adentrou ao local um bêbado conhecido. ele havia pulado o corpo de outro bêbado da redondeza, que derrotado, jazia na porta do bar. esse bêbado que ainda não chegara as vias de fato, um tipo que balança, mas não cai. ou vaso ruim não quebra. disse: cachaça na veia! e depois de cuspir ao apontar o bêbado caído na porta do bar. balão! e se dirigiu até um dos bolsos do bêbado derrotado, e tirou de lá algumas moedas. pôs no balcão, e ordenou: uma cachaça! o dono do distinto estabelecimento, sem pestanejar, serviu-lhe uma dose. depois de furtar o gole do santo, e jogar toda a maldita goela abaixo, o bêbado se encaminhou ao bêbado derrotado e vistoriou o seu outro bolso. puxou um pacote de biscoitos recheados. pôs no balcão. uma cachaça! o dono do ambiente familiar, não teve dúvidas. pegou o pacote, misturou na prateleira com os outros, e depois de uma que desceu na pancada, o bêbado que estava de pé, cedeu e caiu dormindo numa cadeira. o cidadão que tomava o seu refrigerante apoiado no balcão gritou. Caralho!
domingo, 7 de abril de 2013
Assassinos por Natureza!
nada justifica um
assassinato. quando um psicopata empunha uma arma, e todos aqueles que têm
armas são psicopatas, sejam eles das forças de paz da ONU, das polícias
que foram criadas para nos "proteger", ou soldados que protegem
os seus países, ou quem porte uma arma para proteger a sua
família, ou o que quer que seja, é um assassino em potencial. mesmo que se
apodere dessas imundícies ideológicas que justificam atos violentos. Lao Tsé
disse que "a simples existência das instituições é uma prova de
declínio do cárater do homem." se você dirige alcoolizado, você é um
psicopata que gosta de desafiar a morte, e pôr em risco a tua vida, e a vida
dos outros. quando você mata alguém, na verdade, você está matando quem irá
ficar vivo. a pior morte que existe é a morte em vida. andar
arrastando um corpo morto por aí. antigamente se acreditava que os homens
nasciam bons, e que o ambiente os corrompia. hoje, eu acredito, que é o
inverso, nascemos tenebrosos, e talvez alguém faça alguma coisa para mudar
isto. a maior parte de nós, brasileiros, somos extremamente violentos. assim
como a maior parte do povo americano, indiano, mexicano e etc. somos
a favor da pena de morte, que já existe, não institucionalizada.
Justiça é vingança, como já foi dito. e a maior parte de nós, agora,
queremos ter o direito, de se vingar dos marginais ainda mais
jovens. alimentando o ciclo de ódio. para se diminuir a
violência neste país, será necessário mexer no bolso de muita gente
corrupta, e materialista. inclusive de nós, mesmos. nunca o mundo irá viver
numa paz eterna. a não ser que a você acredite em estórias da
carochinha. sempre irá existir um psicopata trancafiando a filha num
porão durante décadas. mesmo num país civilizado. vejo por mim, a minha esposa
pintou os cabelos. eu estou barbudo e cabeludo. um verme ficou rindo da gente
num supermercado. pois o brasileiro é racista e preconceituoso. mas quem
vive com eu vivo, não pode reclamar de chamar a atenção
de imbecis no meio da rua. a intenção é esta. pois sou um transgressor,
e tudo que faço é lutar contra os preconceitos. mas se eu tivesse um revólver
ali, teria matado o desgraçado. ainda bem que pelo menos, aparentemente, sou
contra a violência. igual a todos nós. preferiria morrer. do que matar alguém
em legítima defesa. ao invés de ficar igual o avô de Garcia Marques. que após
voltar de uma guerra em que matou um homem. passou o resto da vida a dizer.
caralho, como pesa a morte em minhas costas!
sábado, 23 de março de 2013
Eu Não Sou Cachorro, Não!
o Velho estava deitado ali debaixo daquela passarela que dá para o outro lado da Penha. quando veio uma dessas mulheres que passam Leite de Aveia Davene com um poodle no colo. o quadrupede vestido e calçado. esse deve fazer até ioga! pensei. quando o velho perguntou: pode me ajudar para que eu tome um café? ela não respondeu. e o velho retrucou: eu não sou cachorro não!
sexta-feira, 22 de março de 2013
The Beatles - Please Please Me
o primeiro disco dos Beatles fez 50 anos. dizem que foi gravado numa noite. entre um show e outro. aproveitando a sugestão de George Martin para que conseguissem um baterista melhor pelo menos para gravar. Pete Best entrou para a história como o maior azarado da música. Era o beatle mais famoso entre as garotas do Cavern Club. os Beatles sofreram com os protestos. antes de serem famosos! dizem que Paul e John tinham ciúme de Best que não foi nem avisado por eles de sua saída. Paul fazia o trabalho sujo. John confiava em Paul, e ao mesmo tempo tinha ciúmes do amigo. a recíproca era verdadeira. os dois mantinham uma amizade motivada pela paixão. ao ver alguém pestanejar diante de uma ordem de Paul, John dizia: faz o que ele está mandando! os amigos de John sabiam que ele apoiava Paul. antes de John morrer os Beatles se reuniram numa festa, e tocaram juntos. uma noite John e Paul assistiam à televisão juntos, e foi feita uma proposta milionária para que eles voltassem. olharam um para o outro. E depois, provavelmente John deu a palavra final. mas por Paul, os Beatles se reuniriam novamente. Paul foi chamado atenção por ir a casa dele sem avisar. ele dizia: não estamos mais na época dos Beatles! quando os Beatles voltaram de Hamburgo e Paul arrumou um emprego, John teve uma depressão tão forte que chegou a engatinhar no meio da sala. após o apocalipse quando os Beatles acabaram de verdade, Paul foi com Linda para uma casa no campo abastecido de erva, e numa fase alcoólica pesada, e dessa vez foi ele quentrou em depressão. deixou a barba crescer e dizem as más línguas que mal conseguia se levantar da cama para tomar banho. Yoko já falou sobre o ciúme de John perante os êxitos de Paul. os dois mandavam as suas namoradas se vestirem igual à Brigitte Bardot. Jane Archer a namorada mais sofisticada de Paul, uma atriz de teatro, não conseguia conviver com o seu machismo e ciúme. embora Paul fosse uma pessoa de vanguarda, e acredito que tenha sido o homem que mudou a música pop. pois a maioria daquelas experimentações partiam dele. embora seja óbvio que John e o ofuscado George também tinham as suas pirações. mas John sempre foi mais rock and roll. embora ideologicamente, o John pós Yoko (por influência dela ou não), seja impecável. e como letrista, sempre, é claro. os Beatles surgiram em Hamburgo. eles vinham numa onda de literatura e música beat, que é uma das supostas origem do nome da banda. na Alemanha conheceram um casal de existencialistas. a fotógrafa alemã Astrid Kirchherr e seu namorado. alguns dão a ela os créditos pelo corte de cabelo moptop. outros dizem que é uma referência que John e Paul captaram numa viagem da dupla a França. Na Alemanha eles conheceram as anfetaminas. eles tocavam num bar durante horas. dizem que John frequentava bares de travestis. eles mantinham relações sexuais com prostitutas. os alemães bêbados queriam dançar. não entendiam muito bem John com seu humor sarcástico saudando Hitler. os Beatles ensaiavam o tempo todo. o alemão dono do bar pedia para que eles acelerassem o ritmo. eles já vinham tocando juntos há tempos. mas provavelmente daí veio a pegada própria das versões. Paul arrastou George que era um garoto com quem pegava ônibus. o caçula George ia na onda de Paul e John. foi por isso que que Pete Best se fudeu. não participava da farra. já o piadista, narigudo e bonachão Richard Starkey, amigo de camarim, o maior sortudo da história da música. além da habilidade com as baquetas, no convívio era igual aos outros, para os quais Pete Best não passava de um bom moço. quando voltaram de Hamburgo a banda acabou. depois se uniram com mais força. mas é como Ringo diz na Antologia, é a história de quatro rapazes que se amavam nas estradas da vida. Paul disse que depois que John morreu desejou nunca mais brigar com ninguém. quando George foi visitado por Paul, um pouco antes de morrer, sobre isso Paul diria. foi a primeira vez que eu abracei o meu amigo. eu nunca havia abraçado o meu amigo. sobre o disco, é melhor ouvir do que falar.
domingo, 17 de março de 2013
Nabocoviano
a minha esposa diz que eu me deprecio demais como artista. talvez eu seja um megalomaníaco e esteja querendo mostrar uma falsa modéstia. ou quem sabe isso se dê pelo fato de superestimar meus ídolos e pensar que alguns deles não eram de carne osso. de acreditar que nunca poderia tocar num Nelson Rodrigues, ou quem sabe assistir a um show de um dos Beatles, a ponto de declarar que nunca havia sonhado com isso. acredito que uma das maiores provas de que Deus existe, e que por isso a natureza através de suas imperfeições seja perfeita, é a passagem dos Beatles pela terra. hoje eu disse a ela: você acredita que o Nabokov era uma pessoa comum? ela me respondeu: não sei. talvez sim. isso acabou com essa ideia ídolo. ou pelo menos a partir de agora terei vergonha de propaga-la. mas acontece também, que as vezes um artista diz uma coisa querendo dizer outra. excesso de humildade é sinal de prepotência. eu assisto ao décimo terceiro apóstolo na televisão quase todos os dias. adoro quando ele diz que quem faz o milagre é deus e não ele. que ele é só um homem. supondo que ele não acredite em deus. pode pensar, porra nenhuma. porque a igreja do outro de dois canais a frente está vazia? eles bebem da minha água e tocam é, em mim! embora a gente saiba que dentro da visão religiosa, e até mesmo científica, para se ter milagre tem que ter haver fé. talvez a maioria desse pastores de ovelhas, saibam disso. talvez me depreciar seja uma estrategia de marketing, ou de vingança, por ver tanta merda ser tratada como ouro. mas também não deixa de ser uma auto analise por ver tanta gente depois de morto ser tratado como gênio sem nunca ter sido em vida. gente que os seus livros e suas músicas, não me dizem nada e só me provocam enfado e bocejos tediosos. embora reconheça que como dizia um grupo de rap das antigas, de São Paulo, estilo é que nem bunda cada um tem a sua. por isso acredito que não devemos achar que algo é indispensável para todo mundo. algumas pessoas as vezes não são dignas de determinados livros, ou talvez não consigam alcançar o seu raciocínio. mesmo que seja algo momentâneo. num país em que uma das músicas mais tocadas é uma palavra que se repete o tempo todo. é hora de repensar se não temos de agir com mais firmeza e não dar mole para o povo. no sentido de fazer algo sincero e verdadeiro para que eles comecem a repensar determinadas atitudes. em determinado momento de minha vida equivocadamente quis fazer parte do mercado mesmo que para isso tivesse que fazer algumas concessões ao meu trabalho. mesmo que meu trabalho tenha seus erros, pois os artistas também tem o direito de se equivocar. e como eu produzo muito, é aquilo que eu digo, quem fala demais acaba falando merda. recentemente passei a escrever, cantar e viver da maneira que realmente penso, me senti mais útil, "pacífico" e principalmente original. felicidade é algo relativo. independente da atenção que se possa ter. e agora falo sem porra de humildade nenhuma. pois o pouco vira muito. gostei do papa abandonar a igreja por coisas que não acreditava. independente das bobagens em que ele acredita. vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. como diria Renato Russo.
quinta-feira, 14 de março de 2013
O Dia Nublado...
a cara na janela,
encara o dia nublado
da mesma forma que encararia um dia de sol
e isto é um milagre
encara o dia nublado
da mesma forma que encararia um dia de sol
e isto é um milagre
O Pastor dos Infernos!
esse pastor dos infernos sabe que nós brasileiros, que temos vontade de passar por cima dele com um caminhão, não votamos e nunca votaremos em pessoas como ele. por isso que o desgraçado não se preocupa. desgraçado, em respeito a senhora mãe do rapaz. pois nós, cristãos, macumbeiros, espíritas, católicas, e evangélicos, nunca sabemos quando Satanás vai dar o ar da graça, e enfurnar um de seus emissários na história. mudando de assunto. até hoje Fernando Collor ri da minha cara que fiz papel de palhaço naquela passeata. pulei o muro da escola, driblei a diretora e o cacete. para depois descobrir que fui manipulado e que igual a mulher do PC perguntou naquela entrevista, porque só o Paulo Cesar. e aqueles empresários que almoçavam na minha casa todo dia? ela disse isso naquela entrevista, lembra? depois passaram o cerol no PC, e montaram aquele crime passional ridículo. e começou a morrer gente. muita gente. inclusive a própria mulher do PC. eu sei que existe uma máfia no Brasil que beira a teoria da conspiração. Tipo... Código da Vinci. graças a deus não tenho como provar, se não obviamente já estaria morto. mas não há dúvida nada que Ulisses, Getúlio, Tancredo, Jango, Lacerda, Juscelino, tenham tudo é rodado no cerol fininho. gente, eu sou do Rio, mas não é só bala que mata gente, não. existem outras formas de assassinato. voltando ao assunto. acredito que gente como esse pastor Marcos Feliciano, não se importe, pois ele sabe que a maioria do povo brasileiro não sabe nem o que é comissão de direitos humanos, e que também não está nem aí para um bando de viados e pretos que "só fazem nos envergonhar". mesmo, nós, pretos, que somos a maioria. por isso homens como esse pastor, não se importam. pois sabem que aquela corriola que se põe a gritar lá fora, é a minoria, e não vai fazer diferença alguma na próxima eleição.
Galinha Pintadinha Volume 3...
como escritor eu sou um fracasso. e como cantor idem. então decidi acumular a função de babá em meio expediente. para ver se consigo ter alguma função social. a primeira cobaia é o meu sobrinho mais velho, de sete meses. espero que a segunda seja o meu sobrinho caçula, de um mês. a minha irmã deixa o moleque e diz. eu trouxe o DVD. ele gosta da Galinha Pintadinha Volume 3! quando me dei conta do tempo, não havia produzido nada. pois passei umas duas horas na sua brincadeira preferida que é pular. mas depois de algum tempo o braço começa a doer. parti para o DVD. o primogênito ficou todo serelepe. batia no carrinho como se fosse uma percussão. e falava uma porção de coisas em sua língua. ao terminar o vídeo, pus algum outro para relembrar a minha infância. tipo, Balão Mágico. logo no início ele não deu muita bola, e virou para o lado. tentei um desenho. nada. talvez ele só goste de vídeos com música, pensei. nada. bocejou. e fez questão de não olhar para a tevê. eu pensei, caraca, o moleque tá bolado! então apelei para o Galinha Pintadinha Volume 1. para que ele não ficasse ouvindo a mesma coisa. a reação de indiferença, foi a mesma. dava para ver o enfado em seu semblante infantil. pulei para o Volume 2. ele me olhou como se eu fosse incapaz de compreender a vontade alheia. não fui na guerra. cedi. e pus a Galinha Pintadinha Volume 3. ele voltou a batucar e sorrir sucessivamente... em apenas dois dias decorei todas as letras do álbum Galinha Pintadinha Volume 3...
terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
A Notícia Que Passou Batida!
não sei nada de política. e muito menos de geografia ou história. pois nos dias dessas aulas normalmente chovia, e eu me sentia impossibilitado de ir a escola. pois ficar embaixo dos lençóis era sempre mais agradável tenho consciência do meu semianalfalbetismo. embora os noticiários estejam repletos, do pastor racista e homofóbico, da Doutora Morte, e do cadáver do Hugo Chaves, ainda fresco, uma noticia me chamou atenção. aquele presidente, ditador, ou sei lá o quê, de uma das Coreias que está ameaçando botar tudo pelos ares. e a sua vizinha, a presidenta, ou sei lá o quê da outra Coréia, que ao invés de acalmar os ânimos, disse que se ele vier vai ter briga. os Estados Unidos, por sua vez, que são os "mediadores" de conflitos mundiais, ao invés de colocar panos quentes, foi meter o dedo na cara do Ping não sei das quantas. acredito que seja melhor pedir a ele, pelo amor de deus, que não faça isso. pois nós não sabemos que tipo de maluco está com o dedo no botão. deixei de acreditar que isso só acontece em filme. e temo muito pelo futuro. embora este conflito possa parecer distante, se acontecer alguma coisa lá, vai refletir aqui, provavelmente, e do jeito que os ânimos estão exaltados, vai sobrar para muita gente. e nós não sabemos realmente qual é o poderio desses chefes de estado. penso que mesmo nós aqui, que não apitamos em nada. devemos começar a nos preocupar com o que acontece lá fora no mundo. eu sei que nós aqui já temos nossos problemas. e por falar nisso, qual é o próximo jogo da Libertadores?
sexta-feira, 8 de março de 2013
Feliz Dia das Mulheres...
a produtora na sala
conversa com a minha esposa. ela tem dois filhos e tem dez anos de casada.
cara, o meu marido ele, é incapaz de trocar uma ideia dessa que nós estamos
trocando aqui. a minha esposa ri complacente. a produtora usa óculos, tem
cabelos vermelhos, e tatuagens. eu a imagino quando avó. ela diz: ele ficou
feliz da vida que conseguiu ler um livro do Paulo Coelho. Coitado, mal sabe ele
que os intelectuais são obrigados a odiar o Paulo Coelho. ele disse que leu o
Paulo Coelho para todos os meus amigos como se eles achassem o máximo... um dia
eu perguntei a ele quem era o seu maior ídolo, sabe o que respondeu? Zico, sim,
o homem mais útil da humanidade para ele, é o Zico. como eu ia
explicar que o meu é o Nietzsche? coitadinho do bichinho, mas gosto tanto dele.
cuida tão bem das crianças... menina tem de ver o amor que ele tem pelos
pequenos. é tão carinhoso comigo... o meu marido é o cara! ela sorri. a minha
esposa sorri. eu penso. feliz dia das mulheres...
quinta-feira, 7 de março de 2013
Mais Leitura Menos Televisão...
assisti um documentário em que um cara diz que a leitura é a atividade mais criativa dos seres humanos. quando a diretora de uma escola municipal aqui da Penha, que tem uma das avaliações mais altas ao longo da história, foi indagada sobre o aproveitamento dos alunos, ela disse que a diferença é que uma vez por semana durante meia-hora, eles podem escolher o que quiser para ler. é uma tradição da escola. assisti num programa de tevê, um casal que educa seu filho em casa, com ótimo rendimento, dizer que ele não é obrigado a estudar, e sim a ler o que quiser durante meia-hora todos os dias. Machado de Assis. autodidata. Nelson Rodrigues. autodidata. Plínio Marcos. autodidata. e por aí vai... não tenho dúvida que o que fez a diferença na vida desses ídolos foi a leitura, e o convívio com a palavra. mesmo num tempo em que ainda existia educação no Brasil. um dos filhos de outro casal que foi educado em casa, passou no vestibular de medicina (acho), aos doze anos de idade, só de sacanagem, para mostrar que era capaz. e hoje ele, e seu irmão tem uma carreira bem sucedida na área de informática. é lógico que não se trata apenas disso. embora toda obrigação seja um porre. pois o pai do moleque que é obrigado a leitura diária, diz que a escola não educa o alundo para ser humano. é isso que a leitura, sem direcionamento, faz. ela quebra barreiras. preconceitos. abre as portas para o senso crítico e para a criatividade. pois ter habilidade, é diferente, de ter sabedoria. a educação formal, na maioria dos casos, te dá habilidades. mas não sabedoria. um prêmio Nobel pode ser um imbecil com o qual eu não consiga trocar um dedo de prosa na Rio Branco. nesta época de democratização da informação. a busca do conhecimento tende a ser ignorada por todas as facilidades embutidas nela. basta ver o que as pessoas mais procuram na internet. então quem tiver conhecimento, terá tudo. como sempre. leia em pé no ônibus. sentado na privada. ou enquanto espera na fila. sempre há um espaço para a leitura. e por mais insignificante que ele seja, daqui a algum tempo você verá que aquilo que leu naquele livro, irá servir para alguma coisa. televisão não. a televisão explora o sensacionalismo. com rara exceções. e noticiário faz mal ao espírito. evite principalmente os noticiários.
domingo, 3 de março de 2013
Renato Russo, Raul Seixas... (Cultura Pop)
eu não vou usar a minha caneta para danificar a imagem de pessoas que admiro. ainda mais agora que estão "mortas" e não podem se defender. então se você é um analfabeto funcional igual a maior parte da população que não consegue ler um livro por ano, e nem consegue interpretar o que lê, por favor, não vá sair por aí dizendo que falei mal deles. mas não deixe de ler para que pegue o hábito. Renato Russo é um letrista de uma classe suntuosa. alcançada por poucos, como Chico Buarque e Cartola Ou Jorge Aragão. uma poesia extrema. já o Raul era a criatividade em pessoa. não acredito em comparações, mas mal comparando, o Renato Russo é uma espécie de Rimbaud para a letra de música. o Raul junto do Caetano e do Gil, foi o artista que talvez mais tenha experimentado estilos musicais. quem vê o Raul como roqueiro não conhece a sua obra. pois ele é roqueiro, também. o Raul é o maior propagador da liberdade na letra de música. assim como Henry Miller para a literatura. o Brasil tem os maiores letristas do mundo. e normalmente os ídolos são superados. eu vi isso com os meus próprios olhos. Gilberto Gil destruiu no show em Copacabana e depois... acontece que nós falamos português. talvez por isso tenhamos os melhores letristas. embora as regras do português sejam idiotas, o português é uma língua com mais recursos. e talvez por tudo que fuja do inglês nossos artistas não tenham um status maior, como tem aqueles que escrevem nessa língua como Lennon, Shakespeare, Dylan e Marley. você pode ficar puto por não ganhar um Oscar por causa do preconceito. mas também não pode achar que o Oscar seja importante. ou o prêmio Nobel , que ainda não temos. ou o que quer que seja. sei lá, um novo papa. ou santo. mas nós podemos construir um país que não precise de nada disso. embora eu saiba que só um milagre... assisti o documentário sobre o Raul, que é o melhor documentário que assisti sobre um ídolo até agora. gostei que apareceu todo mundo que faz parte da história do Raul. foram entrevistados os familiares. as mulheres americanas e suas filhas, todo mundo. adorei o final com o Caetano dizendo: Raul, as pessoas não morrem! mas o Raul se matou. assim como o Renato Russo. a Amy Winehouse. e o Kurt Cobain. esses se mataram porque queriam virar mártires. outras pessoas como o Cazuza e o Tim Maia não queriam morrer. esses parecem ter feito de tudo para facilitar as coisas. no documentário Rock Brasília tem uma hora em que o Dado diz: quebrar hotel... sabe aquela coisa de biografia... cortar os pulsos (adolescente) e chamar a mãe... o próprio Renato havia dito que as pessoas gostavam de ver o Kurt Cobain se destruindo. no Rock Brasília mostra como o Renato manipula a sua própria história de ídolo. não julgo quem faz isso. que evidente naquela confusão em Brasília. ele podia ter tocado músicas de andamento menor para esfriar o público. mas ele ataca, vai pra cima. ou pelo menos a edição do documentário dá essa impressão. e tem uma hora em que ele conta uma história em que debocha de um usuário de drogas. debochar de drogas de frente para um público que em boa parte é por drogados putos que esperaram por mais de duas horas a Legião. as biografias sobre o Renato Russo, e olha que eu já li três delas, talvez as principais. não conseguiram me explicar porque aquilo tudo aconteceu. por isso nunca entendi aquele dia. sempre me perguntava. pô, o público ficou puto com ele? e o Renato ainda chama Brasília de cidade de merda ou coisa parecida. eu posso falar mal da minha cidade, você não. decifrado o enigma. nossos ídolos são de carne osso. eu vi Paul McCartney no Engenhão, o homem que revolucionou a música pop, e que é o Beatle mais vanguarda. tudo indica que fuma maconha até hoje. e mais importante que isso, está vivo. isso para não falar no Chico, Caetano, Dylan... então acredito que para a criatividade não exista uma época. assim como quando surgiu o Nirvana ninguém acreditava que o rock and roll a música dos nossos colonizadores fosse se renovar, e veio o grunge e toda aquela história. e assim eu vi surgir a Amy e lançar um dos melhores discos do mundo. misturando o que ouviu do jazz com o hip-hop. assim como aquele disco da Lauryn Hill, o Chico Science e a Nação Zumbi, os Racionais, e até bandas como o Strokes, que eu, considero tão boa quanto bandas que eles mesmos idolatram. nossos ídolos as vezes são vítimas da nossa própria idolatria. mas nem sempre morrem de overdose. as vezes morrem com cem anos, felizes da vida, e com uma vida toda equilibrada. isso também é atitude. eca.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Nelsonrodrigueano
o rapaz é um casto. um puro. parece um bebê gigante. um bonecão do posto. tem os traços finos e delicados de uma adolescente carola. a secretaria diz: homem nenhum faz mais as unhas... Edgar faz as unhas. as mãos são impecáveis. aparenta ter bem menos idade, diz a copeira. os amigos de infância dizem: Edgar tomou formol! o rapaz é de uma educação finíssima. clássica. um gentleman perdido na selva tropical. trabalha num desses prédios da Presidente Vargas. é funcionário público. a mulher, Clarisse, não destoa em nada do marido. profissão. idade. religião. beleza. e o mesmo temperamento angelical. a mãe diz: nossa, parecem irmãos... Clarisse diz a Edgar que as meninas do trabalho dele são simpáticas. ma algumas delas atacam Edgar quando não há ninguém por perto. ele parece não se importar com a malícia. é como se não existisse. esse aí, não trai mesmo! dizem as destruidoras de lares. os homens exortam. és um pulha, Edgar! ele pensa. fazer o quê? sou assim, ora bolas! não sinto vontade, sei lá! a única coisa que me incomoda é o meu nome. o meu nome é que mata! nome de velho... coisa de mamãe. Edgar entra no restaurante self-service e sua frio ao ver Palhares, um amigo que foi transferido. o outro grita: és um santo, Edgar! és um santo! você devia ser o novo papa! pois foi o único que eu não consegui corromper naquela repartição! e Palhares grita para os outros comensais, que observam Edgar em sua timidez arrasadora... esse homem é um santo! vocês estão diante de um santo... e eu sou a besta do apocalipse! ele não, ele é um santo! Edgar corou. não por causa do que foi dito. e sim pelo nome esfregado em sua cara daquela maneira.
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A Síndrome da Pós-Modernidade
Ao dobrar uma esquina, fui abordado por dois policiais. Tomei um susto. Eles estavam com suas metralhadoras apontadas para mim quando grite...
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“Estar bem ajustado a uma sociedade doente não é medida de saúde.” Jiddu Krishnamurti Johann Hari conclui em seu livro, que a depr...
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Eles estão lá, e lá estão elas, vidrados em seus copos, seus cigarros, suas telas. Eles estão lá, e lá estão elas, conectadas ao rádio, ao ...