quarta-feira, 2 de maio de 2012

Roupinol ou Boa-Noite, Cinderela...

Eu fiquei trinta anos preso. Mas isso foi antes das visitas íntimas, computador doméstico, telefone celular e o cacete a quatro que vocês tem hoje em dia. Quando eu fui preso o Escadinha ainda nem sonhava bater carteira. Nem o Comando Vermelho havia sido fundado. Eu saí da colônia penal pela porta da frente. Numa época em que a Lapa ainda era local de malandro decadente, e não parque turístico de playboy. Antes do crack. A gente só fumava uma erva do norte, e o pó era uma novidade no mercado. O chefe da boca tinha um trinta e oito cano longo escondido embaixo da blusa. Ninguém no morro podia fumar na frente de criança, pois era falta de respeito. Enquanto caminhava em direção a qualquer lugar, eu só pensava numa palavra. Mulher. Peguei todas as minhas economias de pequenos serviços prestados a comunidade carcerária. E parei para tomar uns tragos com uma menina da Praça Mauá que se chamava Cinderela e parecia aquela menina, a Brigitte Bardot. Quando acordei estava nu deitado numa sarjeta da Rua do Ouvidor. E perguntei ao policial: cadê a Cinderela? Ele me respondeu: se foi com a carruagem. Desde então sou conhecido por esse vulgo de Roupinol. E o golpe ficou com a alcunha de Boa-Noite, Cinderela...

3 comentários:

  1. he he he conheço algumas vítimas do golpe...
    Muito bom texto, como sempre...beijim...

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  2. Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência... beijos...

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  3. O capítulo 22 do livro "Todo mundo é Jhow!", de Delano Valentim II, está disponível para download. Leia algumas páginas do primeiro colocado na categoria romance do "Edital Novos Autores Fluminenses - 2010/2011" da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro: http://www.mobileditorial.com.br/?p=397

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