domingo, 15 de maio de 2011

O Dia do Livro

No dia seguinte ia rolar o dia do livro e eu estava tão ansioso que não consegui dormir e saí catando livros pela cidade. Sempre que está próximo ao dia do livro os sebos e as livrarias fazem isso, aumentam o preço dos livros. A cidade fica intransitável. Todo mundo sai às ruas para comprar livros. Isso gera engarrafamentos e quem tem carro não encontra lugar para estacionar. Ninguém consegue andar nas calçadas. Os bandidos começam a roubar nos pontos de ônibus e dentro deles também. A minha tática era sair com um aspecto miserável e colocar tudo dentro de caixas velhas de papelão e ficar parecendo um mendigo andarilho, um louco qualquer, que é o quê eu realmente não sou. Passei o dia todo suando e dizendo: hei, me ajuda aqui! No dia do livro as pessoas ficam mais felizes. Eu olho para os seus semblantes e elas estão mais leves e é essa mesma leveza que elas têm nas filas de cinema sábado à noite. As que freqüentam cinema é claro. Todo mundo prepara a ceia durante horas e quando dá meia noite pipocam os fogos. Eu fui dormir tarde, mas acordei cedo e sai. O dia amanheceu com sol, esse ano não choveu como previsto. Um senhor que estava com a casa aberta me chamou. Fui logo olhando os livros e vi um que procurava entre os outros na sala, e ansioso disse: eu tenho esses aqui. Ele chamou a menina pretinha de coque na cabeça e disse: aqui minha filha, aquela série que você gosta! Os olhos da menina brilharam. E os meus também.

2 comentários:

  1. Boa! O dia que a Terra parou... por causa dos livros! rss Fala a verdade, essa foi pra se vingar de ser barrado na ABL, nénão? rsrs
    1 braço - Poeta Xandu

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  2. O capítulo 22 do livro "Todo mundo é Jhow!", de Delano Valentim II, está disponível para download. Leia algumas páginas do primeiro colocado na categoria romance do "Edital Novos Autores Fluminenses - 2010/2011" da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro: http://www.mobileditorial.com.br/?p=397

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