Eles estão lá,
e lá estão elas,
vidrados em seus copos,
seus cigarros,
suas telas.
Eles estão lá,
e lá estão elas,
conectadas ao rádio,
ao cinema,
e a televisão.
Eles estão lá,
e lá estão elas,
vidrados em seus copos,
seus cigarros,
suas telas.
Eles estão lá,
e lá estão elas,
conectadas ao rádio,
ao cinema,
e a televisão.
Eu vivo dentro da minha cabeça. E somente dentro dela eu estou. Eu, aqui, sozinho, eu sou. Dentro desta cabeça com milhões de pensamentos. Trancado nela com as ideias mais estapafúrdias que alguém pode ter. Preso, neste local, sou o único que me conheço, e que a conhece. E que não conhece os outros. Não conhece mais ninguém.
Se não querer saber de política é ser ignorante: eu sou ignorante com o maior prazer. Passei a ter pavor das ideologias que cegam as pessoas e as tornam violentas; fazendo com que elas criem sanguinárias revoluções, ditaduras e guerras. A maioria ou seus líderes irão decidir independentemente da minha vontade. Não existe diálogo, e sim imposição de ideias. Eu que não vou desperdiçar a minha preciosa vida em brigas desnecessárias. De qualquer jeito, o que decidirem, eu terei que obedecer.
“Estar bem ajustado a uma sociedade doente não é medida de saúde.”
Jiddu Krishnamurti
Johann Hari conclui em seu livro, que a depressão tem causas biológicas, psicológicas e sociais. E que não pode ser reduzida a um desequilíbrio químico.
Este jornalista britânico foi em busca de tratamentos alternativos para a depressão. Desde a reconexão com a natureza até o pertencimento a uma comunidade.
Ele usa o conceito de “ligação” para nos mostrar que vários aspectos de nossa vida podem ser modificados com o intuito de diminuir a nossa dor.
O autor levanta questões importantes, como o status numa sociedade desigual pode aumentar nossas angústias psíquicas. E como o luto, precisa ser vivido e não medicado.
Hari, com base em pesquisas de estudiosos de universidades espalhadas pelo mundo, e a opinião de pensadores, nos mostra ainda, como o desequilíbrio social pode afetar as nossas vidas. Usando como exemplo, uma vida cheia de stress provocada por um salário miserável. Da mesma forma que um trabalho insatisfatório, extenuante ou sem relevância onde nos sentimos inúteis.
É um livro sem respostas milagrosas, e que trata inclusive do uso de psicadélicos no tratamento para a depressão.
Johann Hari chega à conclusão que a depressão é o resultado de uma série de fatores combinados, e que vai dos traumas de infância até as pertubações da vida adulta.
É um livro útil para quem deseja se aprofundar nisso que conhecemos como depressão.
Hari, J. (2018). Ligações perdidas: (S. Castro, Trad.) editora Talento.
Chegou a minha vez de sair do armário e de me assumir. E eu não queria fazer isso numa rede social. Nunca fui de expor a minha intimidade. Mas é que ele, não só me traiu, como levou quase tudo que eu tinha. Ele levou embora os meus sonhos e os meus ideais românticos. E é por isso, que eu irei expô-lo também. Pois ele pensou que na tentativa de preservar a minha vida privada, eu iria ficar calado. Já fui à polícia e recorri aos tribunais na esperança de ter os meus bens de volta. Mas o preconceito é sempre maior. Mas eles dizem que o problema é meu e que eu não devia ter confiado nele. Eles sempre argumentam que não podem fazer nada, pois ele é poderoso. E eu fico aqui sofrendo, morando de favor, numa casa sem móveis, e com a minha geladeira vazia. Depois dele ter levado tudo embora. Tolo sou eu, que acreditei em todos nossos sonhos juntos. É por isso, que o meu político preferido, é o Nem. Nem Lula, nem Bolsonaro, nem Trump, nem ninguém.
Isto o que mexe comigo aqui dentro,
É, apenas, um pensamento.
Embora carregado de sentimentos,
É, apenas, um pensamento.
Dito isso,
Não devo me preocupar.
Pois os pensamentos…
Não são reais.
Pequena reflexão de domingo... Atualmente as pessoas acreditam no que elas querem acreditar. As pessoas acreditam no que elas querem que seja verdade. Não tem essa de "inocentes vítimas" de fake news. Há um ou outro bobo, mas a maioria sabe distinguir o certo do errado. As pessoas sabem que é mentira, mas continuam repetindo a mentira. E os motivos são os mais variados, desde a vontade de eliminar um inimigo até a de levar alguma vantagem. Deve ser isso, o que chamam de pós-verdade.
Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo Zé Povinho que não aceitou quando Galileu afirmou que a Terra não era o centro do Universo... é o mesmo Zé Povinho que acusava mulheres de bruxaria e as denunciava para a Santa Inquisição. Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo Zé Povinho que vibrava diante das execuções públicas da Idade Média. Esse Zé Povinho que tá aí... é o mesmo Zé Povinho que festejou quando foi anunciada a primeira guerra mundial. Esse Zé Povinho que tá aí... A tecnologia evoluiu, mas não o Zé Povinho. O Zé Povinho continua apoiando ditadores e tiranos de direita e de esquerda. Esse Zé Povinho que tá aí, ao seu lado, no trabalho, no lazer, nos estudos, e até na família.
Nos Estados Unidos um garoto de 14 anos cometeu suicídio por uma personagem que ele criou com auxílio da IA. Assim como no mito grego de Pigmalião ele se apaixonou por sua própria criatura. Ele se matou para poder encontrar com ela em outro mundo na esperança de uma vida pós-morte assim como os religiosos sonham com o paraíso. No livro de Philip K. Dick, O Caçador de Androides, as pessoas têm os seus pets robôs. Dick previu que o mundo trocaria crianças por animais bem antes disso acontecer. No futuro, os pets serão substituídos por robôs. É tudo por uma questão de praticidade, da mesma forma que é mais prático e menos doloroso ter um pet do que uma criança, será mais fácil ter um robô do que um pet. Ele não morre, não come, e pode ser desligado a qualquer momento. Fico imaginando como será a febre dos robôs sexuais. Muitos irão optar por ter uma parceira ou parceiro robôs, pois será mais conveniente, alguém que só diga "meu amor" em vez de ficar reclamando. Enquanto isso, parte das crianças e adolescentes vivem trancados em seus quartos alimentando uma fantasia que no passado só era possível no cinema e na literatura.
Onde está escrito na Bíblia que se deve agredir pessoas de outras crenças fisicamente? Se é tudo em nome de Jesus em que passagem Jesus diz isso? Hein? Se é sobre Jesus é preciso falar apenas do Novo Testamento. Onde está escrito na Bíblia que Deus autoriza homens armados a oprimir os que não compactuam das mesmas verdades? Em que passagem bíblica é legitimado o que está acontecendo no Rio de Janeiro? E aquelas imagens da freira sendo agredida? E aquela mãe de santo idosa tendo de quebrar o seu terreiro? Ô sociedade civil, ninguém vai fazer nada?! A não ser que a Bíblia desses traficantes e de seus pastores seja muito diferente das outras, não consigo perceber onde está escrito tudo isso. O Brasil, e principalmente o Rio de Janeiro, caminha a passos largos para ser uma república evangélica fundamentalista num regime próximo ao do Estado Islâmico dominado pelos traficrentes sob as bandeiras do narcopentecostalismo.
Mesmo depois de tanto tempo eu não consigo superar a sua morte. Embora hoje entenda os seus motivos. Mais do que negros nós éramos pobres. E não quero dizer com isso que os outros em outras condições não sofram. Mas nós tínhamos uma solidão diferente. Este abandono de não conseguir cumprir com o que esperam de nós. Somos homens que, ao carregar o peso da miséria, não comunicamos nossos sofrimentos. Era trabalhar excessivamente, ficar doente, beber a vida, e morrer relativamente jovem. Foi assim com o nosso avô, com os nossos tios, e até primos. Sempre era preciso buscar algum anestésico para aquela dor enorme; fosse o álcool, alguma droga, ou qualquer outro vício. As pessoas decentes e puras podem dizer o que elas quiserem sobre isso. Elas podem até conhecer o tipo de dor com a qual nós precisamos viver ou o contexto em que estamos inseridos. Mesmo assim, simplesmente não conseguem se pôr em nosso lugar. Nós pertencemos a mesma família. E isso faz com que a nós carreguemos esse temperamento. Para que um de nós sobreviva é preciso dobrar toda uma carga que apenas nós conhecemos. Pois ela é ancestral. Assim como um círculo que precisa ser interrompido.
A pessoa no atendimento não era muito simpática. Ela falou sem olhar para o meu rosto. Talvez ela odeie o seu trabalho. Talvez ela esteja na profissão errada. Talvez isso, talvez aquilo, vá saber. A senhora no supermercado passou na minha frente. Foi sem perdão. Não sei se corto o meu cabelo. Ele está igual ao do Jimi Hendrix. Estou com pena de cortar. E com preguiça. A minha barba está parecida com as dos Beatles. As pessoas podem não gostar ou se sentirem ofendidas. Eu estou numa encruzilhada. Essas indefinições e dúvidas da vida é que são chatas. E hoje ainda é terça-feira.
As academias queimam gordura, só não queimam a busca por uma juventude que já passou. Será que é isso o que chamam de Síndrome de Peter Pan? Ficar preso na Terra do Nunca. Nunca crescer. Mas, além dos benefícios de uma boa saúde, é claro. Você procura por seus amigos de infância e descobre que eles já cresceram. Volta ao velho bairro, mas está tudo mudado, os prédios, as pessoas, parece que você não reconhece mais ninguém. Se você estivesse parado, mesmo assim o mundo mudaria à sua volta. Uns mudaram. Outros morreram. Outros são tios e avós. É sempre a mesma velha história todo final de ano e no dia das eleições. Todo mundo está sobrevivendo. É como quando terminam as aulas das universidades e todos vão embora das cidades e não pode ter apego. Sentem saudades, deixam saudades nos que ficam, mas a vida precisa andar. Vamos nos encontrar novamente, não vamos? Sei lá! Se você tentar retornar ao passado para consertar as coisas pode ser que as deixe pior. Você é da antiga e sabe que é preciso tomar cuidado com a boêmia tardia.
Proporcionalmente, os apedeutas, ignaros e autômatos são a maioria esmagadora. As pessoas de ideias, curiosas e interessadas em novidades cabem em uma casa de dois cômodos, assim como palitos numa caixa de fósforos.
É preciso ler os corpos, as pessoas, as coisas, os bichos, os semáforos. As frases pichadas nas paredes, os discursos, as figuras, as notas de rodapé, o mundo. É preciso ler tudo. Mas só depois de ler os livros.
Eles estão lá, e lá estão elas, vidrados em seus copos, seus cigarros, suas telas. Eles estão lá, e lá estão elas, conectadas ao rádio, ao ...