Ele nasceu no Natal. Então a sua família comemorava o seu aniversário. Eles
comiam, bebiam, trocavam presentes, e usavam as suas roupas novas. O
aniversariante tomou uns copos de vinho, e a dançar e sorrir saiu pela porta dos
fundos que era por onde os empregados entravam na mansão da família. Apesar de
rico, ele usava vestes simples. O porteiro de plantão que conhecia os seus
hábitos estranhos disse: "O senhor não pode deixar a sua família...", "A minha
família é todo mundo." Ele respondeu. E o porteiro seguiu o homem. Naquela noite
ele visitou asilos, presídios, hospitais, orfanatos, hospícios, prostíbulos,
pontos de drogas... falou com gente de todas as raças, religiões, orientações
politicas, ideológicas, e sexuais. O porteiro percebeu que ao lado dele o tempo
parecia não passar. Já dia claro comentou: "Este foi o melhor Natal que eu
passei." E ele deu o riso mais sereno que o porteiro jamais veria em sua vida.
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