a senhora que vende
ervas medicinais dorme com o cachimbo na boca em frente ao supermercado Prix.
eu leio a capa do Meia Hora em pé no trem. neste calor fica todo mundo bêbado.
e nervoso. os carros cobrem as calçadas. empurro o carrinho de bebê do meu
sobrinho pelo meio da rua. com medo. mas se pedisse alguma coisa ao prefeito,
ele perguntaria onde eu moro, e depois daria uma gargalhada encerrando o
assunto. como se eu fosse muito engraçado. a cidade tá pegando fogo. funk,
tiro, só pedrada! e bala quase sempre perdida. vejo a correria da cidade, que
alarde, Chico Buarque! formigas que trafegam sem porquê, Raulzito! eu sempre
vou contra o fluxo. ou ando de trem o máximo possível... quer dizer, quando sou
obrigado. embora a SuperVia seja do peru, vou te contar, hein?! meu Deus do
céu! sei que não vou por aí, José Régio. não se devia mais construir estradas.
é preciso acabar com os carros. e impedir que os carros entrem no centro. e
preservar os prédios antigos que contam a nossa história (lá fora tem
pontezinha da idade media preservada). aqui dá cem anos, alguém bufa,
bota-abaixo esta merda... e a nossa língua, e nossa cultura. mas é preciso
olhar para o mundo, e para o futuro. e se preocupar com os menos favorecidos em
suas capacidades. é preciso incentivar a leitura. justiça sem corrupção. saúde
humanizada. é preciso uma escola que funcione, e que tenha tempo para educar, e
lidar com as diferenças. mas é preciso antes de tudo deixar de ser hipócrita.
os japoneses reconstroem o país todo ano. a gente não consegue acabar com a
mesma seca de sempre. e com os mesmos deslizamentos de sempre. nada mudou, e
será que alguma coisa mudará? se na última rodada aconteceu aquilo, imagina
depois que terminar a copa? eu amei a atitude do Luiz Alberto do Atlético
Paranaense que gritava, são seres humanos! ele tremia em seu estarrecimento
como todos nós devíamos tremer perante aquelas cenas que a televisão não se
cansava de reprisar. mas o Haiti é aqui sim, Gil, e Caetano, o Haiti, o México,
a Índia, nós somos os pobres do mundo... e dentro do supermercado um coroa
grita, só falta cair fogo do céu!
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