quinta-feira, 28 de julho de 2011
Sexta-Feira Felpuda!
De cima da passarela eu vi o sol no final da tarde. Ele estava
deslumbrando. Lindo. As pessoas passavam por mim. O trem embaixo. O motoqueiro
passou e disse: Cai fora, cara! Tá atrapalhando o trânsito. Fui embora.
Não dava para ficar namorando o sol o tempo todo. Ninguém ia entender. E agora
de noite vi a lua. Linda. Fez de tudo para ficar visível. Enfurnou-se entre as
árvores. Cheia. Felpuda. Sexta-feira. Todo mundo vai sair. Ninguém que trabalha
na cidade vai voltar para casa. Eles vão para todos os lugares. O trânsito em
direção ao subúrbio vai ficar tranqüilo na Avenida Brasil. Todo mundo vai
beber. Fumar. Cheirar. E serão guimbas e mais guimbas de cigarros. Pontas de
baseados. Rapas de pó. Dores de cabeça. Ressaca. Camisinhas sujas. Vai ter um
mundo de camisinhas sujas em motéis. Muita camisinha. Imagina uma pilha de camisinha.
Ele está deitado enquanto ela toma banho. Veja a cena. Ele diz para si mesmo:
sou feliz. Quando toca o despertador. Eu desço da passarela.
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