segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu Só Não Quero Voltar Pra Rua

Ele é um homem alto e forte. Com olhos fundos e feições índigenas do Norte do Brasil. A pele tem a cor do cobre. Seria facilmente confundido com um garimpeiro de Serra Pelada. Ele diz: eu só não quero voltar pra a rua. Eu já morei na rua. Tudo bem. Não tinha inimigos. Quando eu acordava escondia o meu cobertor em cima da árvore. Tomava café no posto. Mas sei lá. Não quero morar na rua de novo. E se acabarem com aquele restaurante de um real vão me quebrar. Vai ser mais gasto com supermercado. Aquela comida é feita por nutricionistas. Eu tenho uma vida boa, rapaz! (aqui ele fica exaltado). Tenho uma qualidade de vida excelente. Tem gente que tem dinheiro, mas não tem qualidade de vida. É o que eu converso com a minha assistente social. Todo dia eu malho. A minha glicose está equilibrada. Eu sempre pago o meu quartinho adiantado. Só que se cortarem o meu benefício vou ter que morar na rua de novo. E eu não quero voltar pra rua.

2 comentários:

  1. Interessante Delano, pois esse homem sabia se voltasse pra rua, não teria direito a ter uma alimentação e consequentemente estaria vulnerável a criminalidade.

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  2. O capítulo 22 do livro "Todo mundo é Jhow!", de Delano Valentim II, está disponível para download. Leia algumas páginas do primeiro colocado na categoria romance do "Edital Novos Autores Fluminenses - 2010/2011" da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro: http://www.mobileditorial.com.br/?p=397

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