Ao dobrar uma esquina, fui abordado por dois policiais. Tomei um susto. Eles estavam com suas metralhadoras apontadas para mim quando gritei: "Eu tenho família, mulher, filho, sou trabalhador, não me matem!" E o policial que fazia o papel de bonzinho me perguntou: "Você usa drogas?" Respondi a ele: "Não. Só pizza quatro queijos e refrigerante de cola de vez em quando." Ele me inquiriu: "Você anda armado?" Ao que eu disse: "Apenas munido dos meus documentos." "Você vota?", ele devolveu. Respondi de bate-pronto: "Acho político tudo ladrão." Ao que ele me respondeu: "Você está com a Síndrome da Pós-Modernidade. Vocês não acreditam mais em nada." Supondo que todo mundo aqui saiba o que este conceito significa — na época, algo que eu não sabia e que um flanelinha amigo meu me explicou junto a alguns livros, sites de busca e Inteligência Artificial. Então, quando ele me disse isto, percebi que os intelectuais, como este policial em questão, não sabem lidar com pessoas céticas como nós. Eles precisam nos encaixar em algum lugar e, quando isto não acontece, eles simplesmente desistem de nós. Entendo o lado deles, pois é extremamente necessário que sejamos úteis e previsíveis, pois o utilitarismo, sem exagero, assim como a racionalidade, é o que toca a sociedade para frente. Senão, o que seria de nós, os parasitas que simplesmente pagam seus impostos e trabalham feito condenados? Precisamos sempre de alguém que se proponha a acabar com esta bagunça ao invés de elucubrar diante de um ponto de vista que não leva a lugar algum. Eles estão certos; a coisa precisa andar, não adianta querer acabar com tudo que está aí e não pôr nada no lugar. Então, voltando ao policial, ele me deu uma aula de cidadania e utilidade pública quando conseguiu classificar o meu pensamento. Desde aquele dia, nunca mais repeti esta besteira de que todo político é ladrão.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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A Síndrome da Pós-Modernidade
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