terça-feira, 12 de julho de 2016

Lapa de Luís Martins.

“Cinco horas da manhã. Depois de uma noite perdida nas pensões do amor barato...”. É desse jeito que Luís Martins inicia o seu livro Lapa. Ele te joga num ambiente sórdido apenas na primeira frase. Luís Martins foi mais um autor vitima da inveja e do falso moralismo brasileiro. O autor teve livro recolhido e tudo. Na introdução do seu livro Noturno da Lapa, ele narra magistralmente esse episódio de sua vida. O Lapa de Luís Martins pertence ao apagar das luzes do cabaré. Aconteceu no fim da época de ouro da Lapa. O Lapa de Luís Martins é um livro sobre o baixo meretrício. Um personagem vai se casar com uma das prostitutas. E isso fará fazer com que ele perca o emprego. Uma censura moral. Assim como aconteceu com o autor e seu livro. A Lapa de Luís Martins não é a futura Lapa dos turistas. É a Lapa da desesperança. Não existem descrições sexuais. O narrador Luís Martins é um romântico. Ele é aquele cara que no final da “festa” sente a depressão. Luís analisa a vida das prostitutas a fundo. Envolve-se com elas emocionalmente, as ajuda, e vê uma namorada sua, a qual ele negou fogo trocá-lo por outro para em seguida estrear na prostituição. Ele se apaixona. E se alguém esperava um boêmio garanhão, ou um malandro... O malandro só aparece para dar um bico na barriga de uma das prostitutas. e para apunhalar o rosto de outra. Não há glamour aqui. Não lembro se ele deixa explícito, mas bem diferente das prostitutas que frequenta, o narrador tem boas "condições". Mesmo que seu pai não seja rico, como ele diz, a sua situação era ótima para aquela época. A sua penúria é mais por não dançar conforme a música dos pais. A descrição dos lucros, da decadência, e da mudança de status dentro da prostituição são impressionantes. O livro não é um canto ao prazer. Ele está mais para denuncia e o desabafo. Nada do escritor que se apaixonou por uma prostituta e escreveu uma linda historia romântica. Nada do vivant feliz. Quando o narrador volta depois de um período de dois anos em que foi "estudar" em outro estado.., ele percebe que a vida das mulheres mudou drasticamente. Agora ele sente pena de Odette por quem foi apaixonado, e a quem agora presta auxílio. Ele recebe o conselho de Odette para que abandone seu novo caso, pois ele não é precisa viver na zona com gente como elas... Soa como um medo que ele se torne "homem de mulheres". Odette ateou fogo às vestes. Odette. Ela corre tentando se segurar nas companheiras... É terrível...  Mas ela não era a única. Como existia aquela "personagem" do samba de Wilson Batista que também pôs fogo às vestes...