domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo Final

Enzo sabia que diferente do que o patrão dissera, ele não o respeitava pela guerra ou pela cadeia que ele pegara, ou por sua fidelidade canina, pois era assim que o identificava pelas costas. Mas sim porque ele já havia provado do que era capaz, e assim como na prisão depois que mostrara do que era capaz, e amedrontara até facínoras com sua ofensiva de voar na jugular, e cortá-la se fosse possível. Esfacelá-la. Ele entrou na roda, abriu a mochila, e todos o olharam como se ele fosse um maluco, e alguém capaz de coisas absurdas até mesmo para eles. Durante algum tempo Sophie sentiu orgulho daquele desconhecido, assim como sentia de seu pai quando ele ameaçava algum bandido. Alguém que mudava de calçada quando o via no meio da rua. Mesmo alguns vagabundos, e viciados. O pai sabia que a sua filha fumava maconha, mas ela havia estudado numa faculdade pública, era formada, funcionária pública, era doutora... Mas aqueles bandidos matavam as pessoas. Pessoas como ele, pessoas as quais ele também teria que matar se se sentisse ameaçado. Então quando ela viu Enzo jogar a cabeça. Pensou que ele não poderia fazer nada diferente daquilo. Todos os bandidos puseram uma máscara no rosto. Mas na verdade sentiram a loucura do outro, que se arriscara sem necessidade com aquela cabeça, por uma vingança qualquer, só por que dera a sua palavra que parecia talhada em pedra da qual não poderia ser arrancada. Ele se virou. Entregou a arma ao patrão, e perguntou: posso ir? O patrão disse, sim. Ele saiu caminhando. Sophie foi a sua direção andando. Ela acenou para um rapaz louro que sorriu para ela, e disse a Enzo, é o meu amigo... Ele sempre vem aqui! Quando Enzo se virou, ela disse, eu vou ficar com ele. Enzo disse: tudo bem, Sophie. Prazer em te conhecer. Que nada... Sophie disse, a gente se esbarra por aí. Enzo respondeu, com um olhar positivo e uma expressão afirmativa, a gente se esbarra por aí. Enzo olhou para Sophie que se afastava sorrindo. E Sophie olhou para ele, e pensou que aquele era o mesmo olhar que recebemos de um amigo de alguns momentos bons, simples, e infinitos, dentro de um supermercado. É um olhar perdido. Que parece dizer obrigado. Obrigado por estar bem. Obrigado pela companhia naquelas horas, as quais eu não consigo esquecer. Ela correu para o amigo, e ele pensou que quando chegasse a casa encontraria o filho dormindo. Fim.