sábado, 24 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo XVII

Mas pelo pouco que ela havia visto, Enzo quebrara o pé de uma mesa, e partira para cima do senhor com cara de japonês, exigindo a ele que esvaziasse o caixa. Foi o quê o velho fez, mesmo assim Enzo deu lhe com o pé da cadeira em sua perna. O quê fez o velho se curvar de dor. Enzo ouviu como se um osso fosse quebrado, fraturado. Sophie ligou o carro, e abriu a porta do motorista para ele. Ela perguntou a Enzo passando o baseado para ele, o quê você fez? Ele disse, eu roubei aquele velho filho da puta para que a gente pudesse comer um hambúrguer, e tomar um refrigerante num lugar decente. Ele se referia como lugar decente aquela rede de lanchonetes famosa no mundo todo. Aí ele ganhou uma batata frita, e depois pediu um sundae. Depois que eles comeram, ele foi até o aparelho que tocava música. E colocou uma música daquela banda que era considerada a maior banda da história do mundo. A maior banda de rock. Eles saíram. Ele disse a ela, ainda quer ir ao gueto? Ela disse, sim. Ele disse a ela, e digamos que eu não seja uma boa companhia. Se eu achasse isso já tinha caído fora. Sophie disse na lata. O velho me disse que a câmera estava me filmando. Eu perguntei a ele, mas e daí? Por quê? Eu estou mais bonito? Era a eterna certeza de impunidade. E a loucura de entrar numa escola atirando. O carro de um bêbado maluco em sua direção. Alguém da sua família que pode ser estuprado por um policial da pior espécie, como disse Sophie. Ou ser filmada trocando de roupa por algum tarado. Ou ser filmado no ato sexual por algum tarado desocupado. E depois de alguns minutos quase que ao vivo o seu ato sexual para o mundo inteiro. O mundo inteiro vendo você foder. Enquanto você decide se vai se matar ou não. Pois sabe que a partir de agora todo mundo que olhar para a sua cara vai se lembrar disso. Você tem que encontrar alguma motivação para que se mantenha viva. Ou de um policial que está sendo filmado por uma câmera instalada em sua própria viatura, ou arrastar alguém até a mala de um carro. Ou quem sabe ser filmado pouco antes de cometer um assassinato, ou aproveitar a câmera para ser filmado roubando um cordão, ou quem sabe terminando de matar de executar alguém, e depois aparecer sorrindo. Era com esse tipo de coisa que todo mundo naquele lugar maluco, naquela cidade maluca, tinha que lidar... Com aquela pobreza de espírito e aquele egotismo que só faziam arrastar todo mundo pro mesmo buraco, onde os ricos eram uns imbecis que não investiam nos pobres, e os pobres eram uns idiotas que não acreditavam em si próprios, então ficavam as ordens desses ricos imbecis, e que ao invés de lucrar, perdiam com toda desgraça do país, e do mundo... O mais bizarro de tudo era que os pobres pensavam igual aos ricos. Sophie perguntou a Enzo: porque você não consegue deixar de ser bandido. Ele diz, não consigo encarar esse mercado de trabalho. Sophie disse, mas e se você estudasse? Ele diz, eu não gostaria de ter uma gravata me sufocando. Mas hoje eu prometi a mim mesmo que eu vou entregar essa cabeça, e cair fora dessa vida de crime, hoje é a minha despedida... É algo que já está decidido. Quando eles viraram na primeira rua do gueto, que ficava perto de um valão. Por ali passavam uma porção de viciados. Já conseguia se ouvir o som alto.