quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo XVI

Enzo diz, catando a maconha do chão, está liberado... Ali devia ter no mínimo uma de cinquenta. Ele senta no carro, e joga a maconha para Sophie, ela diz a Enzo, cara, se você soubesse a vontade que eu estava de fumar um baseado... E começa a desfazer a maconha com as mãos e a tirar as sementes. Sophie diz, está verdinha sente o cheiro... Enzo diz dirigindo. O cheiro está bom, hein Sophie... Devia ser a primeira vez que ele a tratava pelo nome. Pelo menos era o que ele havia pensado. Eles começaram a fumar o baseado... O rapaz foi embora pensando que há essa hora, era para a menina que estava estar recriminando o rastafári pelo que ele havia feito. Mas se ele realmente tivesse prestado atenção ao que Enzo havia dito, ele teria percebido que a reação de Sophie havia sido completamente indiferente. Como alguém que tivesse uma depressão que o deixasse prostrado, e sem reação diante do oficial de justiça com a ordem de despejo, assistindo na mais completa paz todos os seus pertences jogados no meio da rua pelo governo que suspostamente era seu empregado. Destarte, ela tivesse na verdade sentindo enfado, como se aquela cena lhe fosse algo bastante familiar. Ela devia usar a mesma frieza que usava para virar braços em hospitais públicos. A mesma frieza que os professores usavam com as crianças de escolas públicas, quando faziam greve ou tinham que se deter diante de algum retardado mental que não conseguia aprender. A mesma frieza que bandidos, advogados, e deveriam ter em suas profissões. Assim como se existisse um político honesto, que não fosse um ET, ele sofreria. Enzo disse, estou com fome. E Sophie disse, mas já? Nós acabamos de comer. Enzo disse, estou falando de comida de verdade. E Sophie perguntou a ele, forçando um sorriso, no mínimo envolvente. Um sorriso de dentões branquíssimos. Não castigados e amarelecidos pelo café, e pelos cigarros, assim como os de Enzo eram, se é que ela tomava café e fumava cigarros. O que não parecia ser o caso. Sophie perguntou a Enzo, porque você começou a fumar? Para fazer pose, ele respondeu, porque todo mundo que eu andava naquela época fumava... Depois eu passei a gostar. Enzo encostou o carro. Ele saiu do carro, enquanto Sophie dava goma no baseado, e tossia... Enzo seguia em direção ao boteco que existia em frente... Enzo entrou no boteco. Puxou o revólver. Sophie conseguia perceber parte do que acontecia lá dentro, mas não conseguia precisar toda a história. Toda a ação. Se tivesse que testemunhar, sela fosse chamada para depor...  Assim como aquelas testemunhas imprestáveis que só fazem retardar o trabalho dos outros. Sophie se lembrou de um fora da lei, um estuprador, que o seu retrato falado não era em nada parecido com a sua estampa verdadeira. Sophie pensou em quantos inocentes apodreciam na prisão. Em quantas bruxas eram queimadas nas fogueiras injustamente todos os dias por causa de alguma fofoca mentirosa. Quantos bodes expiatórios haviam sido mortos. Chutados. Pisoteados. Linchados até a morte. Para que nós tivéssemos alguma satisfação ao saber que alguém estava pagando por existir um monstro que nós mesmos havíamos criado, era simples assim. Ponto. E da porcaria do estado democrático de direito... Assim como a democracia que só existia em alguns casos.