sábado, 10 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo VII

Nem vem que não tem cara pálida! Enzo disse a Sophie, gente como o seu pai, matou ao meu pai, e matou meu irmão. Enzo disse: você fala como se conhecesse bem o assunto. Como se tivesse ficado presa. Ela pergunta: você já ficou preso? Ele responde, sim. Por quê? Você já ficou? Ela diz, não. Eu não. E sorri. Porque você ri de tudo? Ela diz, além de ser filha de policial, eu sou uma simples enfermeira. Eu queria ser presa por causa de política. Numa passeata... Queria ser arrastada. Aparecer na televisão. Virar um mártir de uma passeata, e ter o meu nome rodando na internet. Tentei isso durante todo o tempo em que estive na escola. Não deu certo. Nem jogado Malvina em carro de polícia. O máximo que consegui levar choque, cacetada e spray de pimenta na cara. E o pior é que mesmo filmado, não era nada em vista do que estava acontecendo naquela época. Havia coisa mais quente. Eu entendo de morte porque sou enfermeira num hospital que é um verdadeiro açougue. Vejo pessoas morrendo. Você sabia que a febre tem um cheiro diferente. Enzo fica olhando para a cara de Sophie. Tudo bem. Eu acredito que o seu pai seja policial. Então sendo assim ficaria um pouco mais difícil para que eu fosse presa, ou qualquer coisa do tipo, pois não trabalho com nenhuma contravenção. Ele diz, eu também não, quando eu estou em trabalhos temporários, trabalhando de pedreiro, eu deixo tudo isso pra lá, o meu negócio mesmo é a grana. Pra você ver. Eu quase não uso droga. A não ser os meus remédios, mesmo, que eu tenho que tomar. E que todo mundo pensa que é remédio de maluco, neste país as pessoas são muito atrasadas, elas não sabem que ter depressão, não é ser maluco, e que depressão não é doença de fresco, e nem de rico. Ela pergunta a ele, será que vão descobrir a cura para a depressão? Ele diz: pouco provável. Mas eu sou doido mesmo. Tenho esse cabelo. E tomo remédio. Vamos, acho que vai ser uma aventura andar com você, diz Sophie dando uma tapinha no ombro de Enzo. Quando Enzo disse a Sophie, não fique nervosa, aja como se nada estivesse acontecendo. Diminui a velocidade. Acende a luz do salão, por favor. Isso. Eles vão parar a gente. É só não gaguejar... O seu pai é polícia, eu sou o seu amigo da faculdade. Eu sou combatente veterano. Da primeira infantaria. O policial põe a palma da mão para baixo pedindo a ela que diminua a velocidade e pare. Enzo para. O policial chama Enzo que desce do carro. Enzo diz a ele, chefe, eu sou combatente, veterano da guerra, ele mostrou o documento. O policial perguntou: tudo certo com o documento do carro? Ele disse ao policial, tudo certo com o documento do carro, o pai dela também é policial... Ele aponta para o carro. Ele também é da casa... Aponta para o distintivo. O policial diz, não dá pra deixar o do café? Enzo diz, não. Eu realmente não tenho, e o café ultimamente está muito caro... Você há de concordar comigo no quanto o café está caro... Qualquer compra que se faz no supermercado leva todo o dinheiro da carteira. Eles vivem dizendo na tevê que a economia melhorou, melhorou pra quem? Eles pensam que eu me importo com aqueles gráficos que eles exibem nos jornais. Eu mal entendo aqueles gráficos! Não sei nem dizer os nomes das capitais desse país. Sou péssimo em geografia, na língua, em história, em matemática, em tudo!