domingo, 4 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo III

Ela perguntou assim, me desculpe, mas eu não sei o seu nome... Ele disse, o meu nome é Enzo. Ela disse mordendo o hambúrguer. Nossa... O meu é Sophie, eu nem me apresentei... Quando Enzo viu um pedaço de alface grudar nos dentes brancos, e lindos da Sophie, ele sentiu como se tivesse levado um soco no peito... Mas não era um soco que causasse dor. Era apenas uma boa pressão. Um baque harmonioso. Ela disse, falta de educação, né? E perguntou a ele, você está olhando para a minha tatuagem? Ele disse, sim, estou. Ela disse: você fuma? Ele disse, acho que sim. Enzo perguntou a ela: e você, só fuma? Ela disse, só. Graças a deus. Ele disse, eu já cheirei, e parei, graças a deus. Mas o mais difícil é parar de fumar cigarro, né? Ele mostrou o cigarro numa das mãos. Ela perguntou a ele, você tem erva? Ele disse, não. Eu não tenho erva. Ela disse você sabe onde comprar? Ele disse, sei. Ela disse, tem coragem de ir lá. Ele disse: coragem eu tenho, mas existe um probleminha. Ela perguntou qual problema. Ele respondeu. Eu estou armado. Eu passei a andar armado depois que vim da guerra. Ela pergunta, para que guerra você foi? Ele disse, era uma intervenção pacífica das nações desunidas num pequeno país do Oriente. Os olhos dela brilharam quando ele terminou a historia da guerra. Ela disse a ele, mas você tem coragem de ir comigo na boca de fumo? Ele diz, fale baixo para que as outras pessoas não fiquem abismadas... A droga ainda não é legalizada neste país. Ela diz, deixa-me ver a arma... Ele mostra a ela que diz: uau! Nunca vi uma arma tão grande! E dá uma risada que soa como uma pilhéria de quem não tem medo algum. É uma pistola preta. E velha. Enzo se enrola com o cinto de segurança. Quando cai uma camisinha de seu bolso. Ela põe a mão na boca, e sorri. Sophie diz: você leva camisinha até quando vai à esquina comprar um cachorro quente... Bom saber... Ele diz, não... Mas sabe como é, vai que surge alguma maluca? A gente nunca sabe. Alguma maluca que te convide para ir numa favela, numa noite chuvosa de sábado, numa boca de fumo, num lugar perigoso, armado, Ela diz a ele, você tem a sua carteira de reservista? Ele diz, tenho. Ela diz: então se vier algum policial você pode mostrar a sua carteira de reservista, e o documento da arma. Ele disse, posso sim, mostro. Eu faço isso, sim. E por que você foi para a reserva depois que voltou da guerra? Na verdade eu fui dado como inválido. Por isso ninguém pode saber que trabalho de pedreiro. Ela diz, não vou contar pra ninguém que você trabalha de pedreiro. Ela diz olhando o asfalto. E o que aconteceu na guerra? Ele diz, eu bati com a cabeça. Sophie decidiu que seria melhor não perguntar mais nada sobre o assunto. Então eles entraram no carro, e Sophie pegou a avenida principal que cruza a cidade, direto para o gueto que ele havia indicado um ponto de drogas conhecido, onde ela já havia ido a algumas festas com um amigo veado. A chuva batia no para-brisa igual acontece nos filmes. E passavam por baixo de viadutos, e passarelas. E aquela luz da noite amarelecida resvalava para dentro do carro. Aquela luz que aparece quando se tem a impressão que as lentes dos óculos ocultam alguma película da mesma cor. É só nisso que pensamos, quando vemos o carro avançar. Enzo diz a Sophie. Você vai até a boca de fumo, comigo... Você vai gostar de lá, lá tem uma pessoal tão legal... Você vai ver... Você vai gostar deles. Vai sim. Eu tenho certeza absoluta.