terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo XV

Ou como não mijar numa rua em que o prefeito não coloca um banheiro. Ou pagar uma propina num estabelecimento público que é bancado com o seu dinheiro. Mas ninguém percebia isso, e achava que contravenção era só droga, maconha, e que o álcool, assim como os remédios controlados, era saúde. Assim pensava a maioria das pessoas, e era mais provável que elas comparassem a maconha ao cigarro, e ao crack, mas ele que tinha irmão acidentado, suicida, assassinado, alcóolatra, todos eles tendo como característica o fato de serem negros, e pobres, sabia muito bem diferençar as coisas. Aos poucos Enzo foi desistindo de conseguir algum trabalho ilegal, porém honesto. Como por exemplo, trabalhar como ambulante. Numa barraca de feira. De chapa, descarregando coisas de caminhões. Ou como flanelinha vigiando os carros. Já que não dava para sobreviver com o dinheiro que ganhava por terem fodido com sua cabeça na guerra, não dava para sustentar a casa... Não conseguia ouvir o seu filho dizendo. Eu quero pão, papai... Se ele pudesse trocar aqueles anos da guerra, e de prisão pela morte... Mas não podia morrer nem ser preso novamente, pois agora existia o seu filho. Ele trocaria. Enzo não tinha nenhuma dúvida disso. Para pestanejar a uma proposta dessas teria que ser alguém anormal. Ele lembrou-se do amigo dizendo, cara, vai devagar... Você vai passar mal... Você acende um baseado atrás do outro. Enzo perguntou para o amigo, você acha que isso é sequela da guerra? Ou da prisão? O amigo disse, não. Respondeu, apenas. Eu não quis dizer isso, eu quis dizer que tem mais maconha aqui. Não precisa se preocupar, sacou? A maconha não vai acabar não! Quando Enzo viu o cara na calçada ele fez sinal para que Sophie encostasse o carro. Puxou o revólver. Foi abrindo a porta, e pulando com o carro em movimento... Ele mostrou exatamente a mesma carteira que puxou para os policiais. E jogou o cara com um estilo que era uma mistura de hippie moderno, e roqueiro antigo, contra a parede. O cara disse a Enzo. Qual é cara, qual é o problema? Cadê o baseado... O quê foi cara! Você não é policial... Você não tem cara de polícia! E polícia tem cara, seu veado! Ele aponta a pistola para o cara que diz, o único dinheiro que eu tenho é esse... O cara amassa as duas notas que havia acabado de tirar da carteira para dar a Enzo. Que diz entredentes, eu posso estourar os teus miolos, seu filho da puta! Cadê a porra da maconha? Eu sei que você está com a porra da maconha! Cara, esse é o único dinheiro que eu tenho... Enzo deixa o cara falando sozinho. Vai até o carro. Tudo isso é assistido por uma Sophie boquiaberta. Enzo pega a mochila que está na poltrona do carona, joga pela janela. Leva a mochila até o rapaz, com olhos brilhantes como diamantes. Tira a cabeça de dentro da bolsa, e olha para o pastiche. Patife. E pergunta pausadamente, enquanto o outro termina de abrir a boca demonstrando todo o seu espanto. Hei cara, você quer ficar igual a ele?! Se você quiser... É só me dizer... Enzo exibe a cabeça como se ela fosse uma granada da qual a qualquer momento ele pudesse puxar o pino. Ou um revólver velho do velho oeste do qual pudesse puxar o gatilho. O rapaz enfia as mãos dentro das calças, tremendo. E arremessa uma trouxinha de maconha para fora.