quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo XI

Ele disse que por ele nem existiriam nem armas, mas que para que isso acontecesse tolos como aquele, nessa hora ele balançou a mochila com a cabeça da vítima. Não poderiam existir. Sophie perguntou a Enzo, se ele acreditava que se podia chegar à paz através da guerra. Ele disse que não. Que não poderia acreditar nisso. Mas que era assim que se agia diante da violência do outro. Sophie perguntou a Enzo se ele não pensava que violência gerava violência. Ele disse que sim. E que bastava observar o ódio de quem havia acabado de sair da prisão, alguns, não todos. Mas ele disse, eu matei esse cara, porque senão ele ia matar mais gente inocente. O meu trabalho é igual ao do seu pai. Ela se calou. Você sabia que ele era um policial. Ela diz, sim, eu sabia, eu sabia que ele era um policial igual ao meu pai. Só que bem diferente do meu pai, ele era um asqueroso. E bem diferente do meu pai, ele era um assassino. Não um assassino assim como você... Digamos... tipo, vingador. Ele diz, eu acabo com a vida de quem merece. Ele se meteu com garotinhas. O meu pai não é igual a você, e muito menos igual a ele, Sophie disse com o dedo em riste. E se você quiser me matar, me mate agora, pois eu não vou mudar uma vírgula do que eu estou dizendo. Por mais clichê que isto seja. Ele olha para os carros, e diz a ela, um dia vão ter que acabar com essa porção de carros, na sociedade do futuro não vai existir nada disso, engarrafamentos. Ninguém sairá tão apressado. Ninguém vai trabalhar com o que não gosta. Ninguém vai passar o dia inteiro num lugar que não gosta, fazendo o que não quer. As escolas serão abertas, e irão educar as pessoas para a vida. As cidades serão planejadas melhor, e o nosso contato com a natureza será mais intenso. E mais harmonioso, e todas as cidades serão projetadas de maneira a interagir completamente com a natureza, serão extintas as fronteiras, e as diferenças, ela diz, e papai Noel vai aparecer todo natal para nos visitar... E deus vai proteger as criancinhas. Qual é cara, acorda! Nada disso vai acontecer. Qualquer um diz esse bando de coisas bonitas. Não vai acontecer nada disso, porque a maioria não vai fazer nada para que isso aconteça. Falou? Nem você está fazendo nada para que isso aconteça. O que mais impressionou Enzo foi o tom da voz de Sophie. O mesmo tom que ouvira na cadeia com os homens frios, com os quais ele fora obrigado a conviver. As piores criaturas da face da terra. Capazes de esmagar um ser humano igual se esmagam uma formiga, ou uma barata. E outros que haviam entrado no crime enganado, como se ele fosse algum parque temático famoso, para depois descobrir que fora enganado, e que havia pegado o caminho errado, e o pior caminho de todos, que é ter o pior inimigo contra você, que é o governo. Pois o governo pode tudo, ele entra na sua casa e estupra a sua família se ele quiser e fica por isso mesmo. Enzo tinha que fingir que tudo bem. Que todos os presos estavam na mesma. Na cadeia ele fingia que era uma coisa que ele não era, a sua vida é toda baseada em fingimentos. Se ele fosse tão homem assim, como ele fingira na guerra, onde apenas se preocupava em alcançar seus objetivos sem pensar, postura que passara a adotar em sua vida.