sábado, 3 de janeiro de 2015

Eu Prometi Levar A cabeça Dele... - Capítulo II

Só porque os rapazes pensavam em sexo o tempo todo, achavam que as garotas também deveriam pensar. Enzo pensava, quando foi interrompido pela voz feminina, ela disse a ele, que sábado chato, que chuva chata pra caralho... Ele respirou com alivio, como quem dissesse, estou em casa, é uma das minhas, sendo assim, há de se imaginar o poder de sedução que as palavras de baixo calão exerciam sobre ele, Enzo não perdeu tempo, e disse, é foda mesmo... Essa chuva quebra qualquer parada, Ela confirmou com a cabeça. Nem fala... Hoje eu ia sair, a garota disse. Mas babou. Mixou. Enzo disse, eu não ia sair, mas a chuva incomoda mesmo, assim... Enzo pensou, que papo merda o meu... Que papo mixuruca. Ela perguntou a Enzo porque ele não ia sair? Já que era sábado... Ele disse a ela, porque eu já saí ontem. E esfregou um dedo no polegar, que deve ser o gesto universal para dinheiro. Ela sorriu, e disse, eu também... Enzo que tinha um talho no rosto, que o deixava parecendo um pneu rachado, disse, o meu salário acaba no dia do pagamento. Eu só tenho dinheiro no dia do pagamento. Nos outros dias eu não tenho dinheiro. O resto do mês eu passo rezando para que passe logo. Ela disse, com o meu salário também é parecido. Ela perguntou a ele, você trabalha de quê? Ele disse, eu sou pedreiro. Ela perguntou, e como é ser pedreiro? Ele disse: mais que tudo, é cansativo... O garoto ruivo e gordo com sardas, e de óculos, olhava para os dois, O garoto gordo perguntou: o quê vocês vão querer? Como se eles estivessem juntos. Mas ele havia feito aquilo de sacanagem. Simplesmente para aborrecer. Pois ele sabia que eles não estavam juntos. Ele sabia que eles não podiam estar juntos. Ele sabia pelo papo que eles vinham tendo, que ele fingira não ouvir, mas que, com certeza ouvira, ele sabia que eles não estavam juntos. E mesmo assim fizera aquela pergunta idiota que soava como deboche. Caso eles ficassem juntos... O balofo era invejoso. Enzo sabia disso. Podia perceber pelo seu olhar, quando Enzo aparecia por ali. Porque ele teria inveja de um pedreiro? Sabe se lá por que. Enzo era preto. Era mais forte. Tinha mais estilo. As pessoas o conheciam. Falavam com ele no meio da rua. Ele andava na moda. Era querido. Cumprimentava todo mundo. E aquele balofo de bochechas coradas, não. Dava para ver que o balofo era amargo. Que ele era o menininho da escola que não foi convidado para brincar, e que ficou o final de semana inteiro pensando nisso. Enzo pensava que aquilo era tão fácil de resolver. E bastava que o balofo, parasse de olhar as pessoas daquele jeito arrogante, de cima. Então a menina pediu um hambúrguer, e um refrigerante. Quando o rapaz do trailer veio com o hambúrguer, pôs o refrigerante, que era um líquido preto, dentro dos copos. Enzo perguntou a menina, rezando para que ela dissesse, não. Você quer que eu pague o seu? Ela disse; paga aí, que eu te dou aqui. Ela sentara numa das mesas como se estivesse o convidando. Ele se encaminhou até ela, segurando os hambúrgueres e os refrigerantes numa bandeja, com dificuldade, enquanto a via brigando com uma bolsinha de onde tirou o dinheiro amassado, e jogou na frente de Enzo, e deixou que ele visse os cartões de crédito dentro da bolsa.

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