terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu Vou Fazer 20 Anos...

eu vou fazer 20 anos. e como eu queria ter aprendido com quinze as coisas que eu sei hoje. teria evitado todos aqueles excessos. todos aqueles estresses. toda essa ansiedade que vai corroendo a gente por dentro, e toda essa pressa de viver como se a gente fosse morrer no dia seguinte. pois o mocinho sempre fica vivo no final da história, e descobre que a princesa é uma boneca inflável, e o príncipe um sapo. e quando você se torna uma careca equilibrada sobre uma barriga de cerveja, ou uma cabeleira sedosa sobre uma pança, você descobre que os filhos nascem. e que eles comem, comem, e cagam. mas que o sorriso de um deles, vale mais que qualquer flerte. se eu pudesse voltar no tempo teria limpado os meus ouvidos, e prestado atenção quando eles me diziam, você vai se ferrar por isso! eu não quis acreditar, mas pera-lá... eu era muito novo. pelo menos estou vivo. quantos da minha geração morreram assassinados. morreram de overdose. quantos estão jogados nas ruas, entregues a bebida, ou ao crack, ou derramados no pó, como se diz por aí. pelo menos eu estou vivo. tenho um trabalho. tenho saúde. não me lincharam, e nem me estupraram neste país perigoso em que nós vivemos. não contraí nenhuma doença em noites sem preservativo. nunca tirei a vida de ninguém. e ninguém tirou a minha. ninguém me prejudicou. e não me matei como tantos fizeram, direta, ou indiretamente. que ótimo poder respirar num dia nublado, ou ensolarado. com, ou sem dinheiro. sozinho, ou acompanhado. e que bom poder fazer vinte anos de carreira...

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nós Temos Que Nos Desviar Dos Caminhos Ruins...

...aquela senhora ia em sua cadeira de rodas motorizada pelo meio da rua. havia um ônibus estacionado, por ali, e ela havia emparelhado com ele. só que ela estava na contramão dos carros. olhei para a calçada para saber por qual motivo... e percebi que a calçada se dividia entre carros, e buracos. buracos, e carros. ela seguia tirando finos, impressionantes dos carros que passavam, eu estava distante, mas pude vê-la cruzando a esquina. enquanto rezava para que não acontecesse nada. nada aconteceu. e ainda deu tempo de ouvir um amigo aconselhando o outro. nós temos que nos desviar dos caminhos ruins!...

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Domingo De Copa Em Uma Emergência Pediátrica De Um Hospital Público...

...toda criança passa por uma triagem. uma mulher pergunta se a criança tem febre. a mãe do neném entra com ele numa espécie de cabine. agora o neném espera para ser atendido por uma médica. um neném pode esperar mais de três horas para ser atendido. lá fora existe uma barraquinha de doces, salgados, e refrigerantes, passando o jogo. aqui dentro uma menina reclama da demora, a maioria das mães e pais são adolescentes. uma barata sobe pela parede. e faz um longo caminho... uma menina diz que se bater naquela madeira surgem uma porção de baratas. o pior do hospital público é esse tédio. você tenta ler um livro, e os mosquitos não deixam...

sábado, 14 de junho de 2014

Na Rua Do Valão...

ele me disse: eu sou um velho inca, eu ajudei a construir Machu Picchu! olhe para essas árvores... consegue detectar a energia que vem delas? é um milagre estar vivo! eu pensei já ter ouvido aquilo, antes. e como se ouvisse os meus pensamentos, ele disse. vocês estão sempre querendo originalidade... o problema não é ter ouvido isso, anteriormente. ouvir todos nós ouvimos as melhores coisas o tempo todo, e o mundo nos mostrando os caminhos o tempo todo. mas o problema é que nós não ouvimos, realmente! nós não conseguimos ouvir uns aos outros... e muito menos perceber o quanto estamos conectados! agradeça todos os dias a natureza por pertencer a esta espécie privilegiada. ele olha o relógio, e diz, eu tenho que ir. terminou a minha hora de almoço. dentro do seu uniforme, ele volta para o supermercado. e eu caminho sem reclamar da chuva fina que cobre o meu casaco.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Já, É!

o moleque grita. Zézinho! Zézinho! a senhora põe a cabeça na janela, ele pergunta, que horas o Zézinho vai descer? a senhora responde, depois do almoço... o moleque diz, já, é! ele esperava que o Seu Zézinho, o marido dela, e síndico do prédio, descesse para que eles pudessem terminar de enfeitar a entrada do prédio para a copa. o escritor diz, eu preciso me concentrar para escrever. eu digo a ele, já, é! e ganho a rua.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Você Quer Saber De Tudo?

ele contou que a sua filha havia dito na sexta feira a noite, que ele iria acabar com o fim de semana dela, dá pra acreditar?! aí ele disse para ela se aquietar, que ainda havia o sábado, o domingo, e muitos finais de semana maravilhosos pela frente. o jogador também estava nessa reunião, e aí o jogador disse que aquelas eram palavras simples, sábias, e profundas. e lamentou o fato de ter tapado os ouvidos para elas. pois lembrou de tê-las ouvido em algum momento da adolescência. mas o jogador sabia do perigo da adrenalina da idade. de toda pressa, e cobrança por perfeição. depois disso o mordomo serviu o chá, e disse que estava um lindo dia lá fora, para quem conseguia desviar o olhar do lixo nas ruas, e dos pontos de ônibus, superlotados. o céu estava azulzinho. as árvores esplêndidas. foi aí que tocou She`s Leaving Home dos Beatles ao fundo... você quer saber de tudo? leia um livro!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

BRT...

ele disse, sabe cara, nós devemos conscientizar as pessoas, e parar de esperar pelos políticos, vamos agir como uma verdadeira comunidade, e espalhar essa ideia nos botecos, nas igrejas, nas escolas, vamos comentar com os nossos amigos. pois nós sabemos que esse BRT é uma máquina de matar pobres. então o quê nós temos que fazer, pois o bochecha corada não sabe o quê faz parte da nossa cultura, e que assim como em Madureira, aqui na Penha, quem fecha alguns sinais é o povo! as pessoas vão ter que se acostumar a atravessar todas aquelas pistas nas horas certas. nós temos que dizer isto a elas, independente do que elas pensem. não dá para mudar o que já está feito. é uma questão de vida ou morte. ele disse, até mais, cantor! eu disse: até mais! ele pulou dentro do ônibus para vender balas.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Lei Da Palmada...

não há educação,
não há saúde,
não há cultura,
e não há Palmada...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fante, Bukowski, e Bandini...

eu conheci o Fante na biblioteca. por intermédio de Bukowski. eu não gostava muito do Bukowski, porque ele tinha aquela fama de beberrão, e de brigão no meio da rapaziada, como se ele só fizesse beber, e foder o tempo todo. a rapaziada ficava tentando imitá-lo, e isso me irritava. mas aí ele me falou sobre como havia conhecido o Fante, e eu achei aquilo curioso. ele me disse que eu ia gostar de conhecer o Fante. então eu conheci o Fante numa tarde, e ele me apresentou ao Bandini num quarto de pensão onde eles moravam, um lugar todo empoeirado. Bandini e Fante me disseram que aquele havia sido um ano ruim, eles falaram sobre Bunker Hill, sobre a juventude... e Bandini me falou sobre aquela primavera... depois nos encontramos novamente a caminho de Los Angeles. e eu percebi que toda aquela historia havia começado ali. quando me reencontrei com Bukowski, ele me contou a sua versão da historia, e eu gostei de trocar ideia com o velho sujo. foi só isso doutor, ele bate o cigarro no cinzeiro, e diz. o meu depoimento termina aqui. eu desligo a televisão. e pego um livro.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Isso Aqui É Flamengo!

excelentíssimo presidente Bandeira de Melo, hoje eu vi um dos ícones da minha infância. outro dia um deles entrou aqui para consertar o telefone. nós nos comunicamos pelo olhar. pois na correria do dia a dia, é necessário para que você diga a pessoa o quanto a estima, e o quanto a quer bem. somos um time que joga com o olhar. por música, como se dizia na época em que o Jayme e, ou, o Andrade jogavam. a deixa era o olhar... eu perguntei a ele, e o Flamengo? ele disse, o Flamengo está ruim. e apontou o polegar para baixo. eu disse a ele, parecia que eles estavam jogando de sacanagem! ele confirmou, e descobri que não estava enganado. eles não ganharam aquele jogo sozinhos, sem a nossa ajuda, aos quarenta e cinco do segundo tempo. literalmente. com um gol impedido. eu me lembro de um radialista ter dito, quem fez aquela gol foi a camisa do Adílio, e do Elias! e por falar nisso, o caos começou ali... com aquela frustração do Elias. eu vi uma foto do Léo Moura com os caras num jornal. eles estavam comendo antes de um jogo da Libertadores. e ali eu soube que eles não iriam ganhar, sei lá, a cara de sono deles. já que o time é a torcida, jogador, entra, e saí do clube. e por falar em jogador, sejam sempre gratos ao salário que vocês recebem, para brincar, para fazer o quê vocês gostam, e que não tenho a mínima dúvida, mais amam, pois o sonho de jogar de futebol, parece ser de boa parte de nós. eu mesmo sou um jogador frustrado. e se não fosse o futebol, será que vocês ganhariam toda essa bolada? se vocês não forem gratos ao Flamengo, que sejam gratos ao esporte. pois a vida que vocês vivem, embora tenham seus problemas, pelo menos no que tange o lado material, não é a vida da maioria das pessoas desse país. Marlon Brando disse, se me pagassem para não fazer nada, eu não faria nada, mas já que me pagam para fazer cinema, eu vou fazer cinema direito. basta que vocês olhem um trem lotado, e vejam as pessoas indo pegar no batente, pessoas que não tem tempo nem para ver seus filhos. enquanto vocês se sentem entendiados, e longe da família, nos finais de semana em hotéis bacanas. com internet, telefone, e videogame. enquanto as pessoas vivem com um salário, e não tem nem como pagar o ingresso de um jogo do Flamengo, e que dirá da copa. não cabe no orçamento. nós que ficamos com os nossos rádios de pilha em casa, pois esse é um dos únicos prazeres gratuitos que temos, já que não temos dinheiro para ir em teatros, shows, cinema e boates. então se muitos de vocês estivessem naquele vagão. sabe se lá que vida teriam. são pagos para brincar, para correr atrás de uma bola. mas não fazem isso. e num vem com essa música do Ney Franco de Na Beira do Caos, não, que nós não queremos lutar para não cair... nós queremos lutar pelo título! vocês lembram da torcida cantado, isso aqui é Flamengo... usem esse tempo para refletir. e nos encontramos depois da copa! rumo ao título.