terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu Vou Fazer 20 Anos...

eu vou fazer 20 anos. e como eu queria ter aprendido com quinze as coisas que eu sei hoje. teria evitado todos aqueles excessos. todos aqueles estresses. toda essa ansiedade que vai corroendo a gente por dentro, e toda essa pressa de viver como se a gente fosse morrer no dia seguinte. pois o mocinho sempre fica vivo no final da história, e descobre que a princesa é uma boneca inflável, e o príncipe um sapo. e quando você se torna uma careca equilibrada sobre uma barriga de cerveja, ou uma cabeleira sedosa sobre uma pança, você descobre que os filhos nascem. e que eles comem, comem, e cagam. mas que o sorriso de um deles, vale mais que qualquer flerte. se eu pudesse voltar no tempo teria limpado os meus ouvidos, e prestado atenção quando eles me diziam, você vai se ferrar por isso! eu não quis acreditar, mas pera-lá... eu era muito novo. pelo menos estou vivo. quantos da minha geração morreram assassinados. morreram de overdose. quantos estão jogados nas ruas, entregues a bebida, ou ao crack, ou derramados no pó, como se diz por aí. pelo menos eu estou vivo. tenho um trabalho. tenho saúde. não me lincharam, e nem me estupraram neste país perigoso em que nós vivemos. não contraí nenhuma doença em noites sem preservativo. nunca tirei a vida de ninguém. e ninguém tirou a minha. ninguém me prejudicou. e não me matei como tantos fizeram, direta, ou indiretamente. que ótimo poder respirar num dia nublado, ou ensolarado. com, ou sem dinheiro. sozinho, ou acompanhado. e que bom poder fazer vinte anos de carreira...

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nós Temos Que Nos Desviar Dos Caminhos Ruins...

...aquela senhora ia em sua cadeira de rodas motorizada pelo meio da rua. havia um ônibus estacionado, por ali, e ela havia emparelhado com ele. só que ela estava na contramão dos carros. olhei para a calçada para saber por qual motivo... e percebi que a calçada se dividia entre carros, e buracos. buracos, e carros. ela seguia tirando finos, impressionantes dos carros que passavam, eu estava distante, mas pude vê-la cruzando a esquina. enquanto rezava para que não acontecesse nada. nada aconteceu. e ainda deu tempo de ouvir um amigo aconselhando o outro. nós temos que nos desviar dos caminhos ruins!...

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Domingo De Copa Em Uma Emergência Pediátrica De Um Hospital Público...

...toda criança passa por uma triagem. uma mulher pergunta se a criança tem febre. a mãe do neném entra com ele numa espécie de cabine. agora o neném espera para ser atendido por uma médica. um neném pode esperar mais de três horas para ser atendido. lá fora existe uma barraquinha de doces, salgados, e refrigerantes, passando o jogo. aqui dentro uma menina reclama da demora, a maioria das mães e pais são adolescentes. uma barata sobe pela parede. e faz um longo caminho... uma menina diz que se bater naquela madeira surgem uma porção de baratas. o pior do hospital público é esse tédio. você tenta ler um livro, e os mosquitos não deixam...

sábado, 14 de junho de 2014

Na Rua Do Valão...

ele me disse: eu sou um velho inca, eu ajudei a construir Machu Picchu! olhe para essas árvores... consegue detectar a energia que vem delas? é um milagre estar vivo! eu pensei já ter ouvido aquilo, antes. e como se ouvisse os meus pensamentos, ele disse. vocês estão sempre querendo originalidade... o problema não é ter ouvido isso, anteriormente. ouvir todos nós ouvimos as melhores coisas o tempo todo, e o mundo nos mostrando os caminhos o tempo todo. mas o problema é que nós não ouvimos, realmente! nós não conseguimos ouvir uns aos outros... e muito menos perceber o quanto estamos conectados! agradeça todos os dias a natureza por pertencer a esta espécie privilegiada. ele olha o relógio, e diz, eu tenho que ir. terminou a minha hora de almoço. dentro do seu uniforme, ele volta para o supermercado. e eu caminho sem reclamar da chuva fina que cobre o meu casaco.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Já, É!

o moleque grita. Zézinho! Zézinho! a senhora põe a cabeça na janela, ele pergunta, que horas o Zézinho vai descer? a senhora responde, depois do almoço... o moleque diz, já, é! ele esperava que o Seu Zézinho, o marido dela, e síndico do prédio, descesse para que eles pudessem terminar de enfeitar a entrada do prédio para a copa. o escritor diz, eu preciso me concentrar para escrever. eu digo a ele, já, é! e ganho a rua.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Você Quer Saber De Tudo?

ele contou que a sua filha havia dito na sexta feira a noite, que ele iria acabar com o fim de semana dela, dá pra acreditar?! aí ele disse para ela se aquietar, que ainda havia o sábado, o domingo, e muitos finais de semana maravilhosos pela frente. o jogador também estava nessa reunião, e aí o jogador disse que aquelas eram palavras simples, sábias, e profundas. e lamentou o fato de ter tapado os ouvidos para elas. pois lembrou de tê-las ouvido em algum momento da adolescência. mas o jogador sabia do perigo da adrenalina da idade. de toda pressa, e cobrança por perfeição. depois disso o mordomo serviu o chá, e disse que estava um lindo dia lá fora, para quem conseguia desviar o olhar do lixo nas ruas, e dos pontos de ônibus, superlotados. o céu estava azulzinho. as árvores esplêndidas. foi aí que tocou She`s Leaving Home dos Beatles ao fundo... você quer saber de tudo? leia um livro!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

BRT...

ele disse, sabe cara, nós devemos conscientizar as pessoas, e parar de esperar pelos políticos, vamos agir como uma verdadeira comunidade, e espalhar essa ideia nos botecos, nas igrejas, nas escolas, vamos comentar com os nossos amigos. pois nós sabemos que esse BRT é uma máquina de matar pobres. então o quê nós temos que fazer, pois o bochecha corada não sabe o quê faz parte da nossa cultura, e que assim como em Madureira, aqui na Penha, quem fecha alguns sinais é o povo! as pessoas vão ter que se acostumar a atravessar todas aquelas pistas nas horas certas. nós temos que dizer isto a elas, independente do que elas pensem. não dá para mudar o que já está feito. é uma questão de vida ou morte. ele disse, até mais, cantor! eu disse: até mais! ele pulou dentro do ônibus para vender balas.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Lei Da Palmada...

não há educação,
não há saúde,
não há cultura,
e não há Palmada...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fante, Bukowski, e Bandini...

eu conheci o Fante na biblioteca. por intermédio de Bukowski. eu não gostava muito do Bukowski, porque ele tinha aquela fama de beberrão, e de brigão no meio da rapaziada, como se ele só fizesse beber, e foder o tempo todo. a rapaziada ficava tentando imitá-lo, e isso me irritava. mas aí ele me falou sobre como havia conhecido o Fante, e eu achei aquilo curioso. ele me disse que eu ia gostar de conhecer o Fante. então eu conheci o Fante numa tarde, e ele me apresentou ao Bandini num quarto de pensão onde eles moravam, um lugar todo empoeirado. Bandini e Fante me disseram que aquele havia sido um ano ruim, eles falaram sobre Bunker Hill, sobre a juventude... e Bandini me falou sobre aquela primavera... depois nos encontramos novamente a caminho de Los Angeles. e eu percebi que toda aquela historia havia começado ali. quando me reencontrei com Bukowski, ele me contou a sua versão da historia, e eu gostei de trocar ideia com o velho sujo. foi só isso doutor, ele bate o cigarro no cinzeiro, e diz. o meu depoimento termina aqui. eu desligo a televisão. e pego um livro.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Isso Aqui É Flamengo!

excelentíssimo presidente Bandeira de Melo, hoje eu vi um dos ícones da minha infância. outro dia um deles entrou aqui para consertar o telefone. nós nos comunicamos pelo olhar. pois na correria do dia a dia, é necessário para que você diga a pessoa o quanto a estima, e o quanto a quer bem. somos um time que joga com o olhar. por música, como se dizia na época em que o Jayme e, ou, o Andrade jogavam. a deixa era o olhar... eu perguntei a ele, e o Flamengo? ele disse, o Flamengo está ruim. e apontou o polegar para baixo. eu disse a ele, parecia que eles estavam jogando de sacanagem! ele confirmou, e descobri que não estava enganado. eles não ganharam aquele jogo sozinhos, sem a nossa ajuda, aos quarenta e cinco do segundo tempo. literalmente. com um gol impedido. eu me lembro de um radialista ter dito, quem fez aquela gol foi a camisa do Adílio, e do Elias! e por falar nisso, o caos começou ali... com aquela frustração do Elias. eu vi uma foto do Léo Moura com os caras num jornal. eles estavam comendo antes de um jogo da Libertadores. e ali eu soube que eles não iriam ganhar, sei lá, a cara de sono deles. já que o time é a torcida, jogador, entra, e saí do clube. e por falar em jogador, sejam sempre gratos ao salário que vocês recebem, para brincar, para fazer o quê vocês gostam, e que não tenho a mínima dúvida, mais amam, pois o sonho de jogar de futebol, parece ser de boa parte de nós. eu mesmo sou um jogador frustrado. e se não fosse o futebol, será que vocês ganhariam toda essa bolada? se vocês não forem gratos ao Flamengo, que sejam gratos ao esporte. pois a vida que vocês vivem, embora tenham seus problemas, pelo menos no que tange o lado material, não é a vida da maioria das pessoas desse país. Marlon Brando disse, se me pagassem para não fazer nada, eu não faria nada, mas já que me pagam para fazer cinema, eu vou fazer cinema direito. basta que vocês olhem um trem lotado, e vejam as pessoas indo pegar no batente, pessoas que não tem tempo nem para ver seus filhos. enquanto vocês se sentem entendiados, e longe da família, nos finais de semana em hotéis bacanas. com internet, telefone, e videogame. enquanto as pessoas vivem com um salário, e não tem nem como pagar o ingresso de um jogo do Flamengo, e que dirá da copa. não cabe no orçamento. nós que ficamos com os nossos rádios de pilha em casa, pois esse é um dos únicos prazeres gratuitos que temos, já que não temos dinheiro para ir em teatros, shows, cinema e boates. então se muitos de vocês estivessem naquele vagão. sabe se lá que vida teriam. são pagos para brincar, para correr atrás de uma bola. mas não fazem isso. e num vem com essa música do Ney Franco de Na Beira do Caos, não, que nós não queremos lutar para não cair... nós queremos lutar pelo título! vocês lembram da torcida cantado, isso aqui é Flamengo... usem esse tempo para refletir. e nos encontramos depois da copa! rumo ao título.

domingo, 25 de maio de 2014

WhatsApp!

dentro da sala de aula. na sala de espera. na fila do banco. do supermercado. diante das palavras dos sacerdotes, dos professores, psicólogos, e sábios. se equilibrando no trem. na fila do hospital. enquanto atende. enquanto é atendido. bebe, fuma, ou assiste a uma palestra. na fila do supermercado. no enterro. na creche. na unidade de tratamento intensivo. no crematório. dentro do carro. no semáforo. no engarrafamento. antes do coito. depois do coito. no jantar entre amigos. na reunião de família. no meio da oração. da declaração romântica. da divagação. da leitura. da meditação. no banheiro. durante a fantasia. enquanto dorme. dentro do cinema. ao acordar. enquanto faz carinho. enquanto recebe carinho. ouve  música. enquanto vive. andando na rua. entre os carros. em plena na avenida. durante os ensaios. na concentração. no meio da entrevista. enquanto assiste ao filme. enquanto espera a morte. no silêncio. WhatsApp!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Seis Reais...

ele viu os seis reais em cima da mesa, e pensou, deve ser o dinheiro do pão. enfiou na carteira para qualquer imprevisto. voltou para casa. ela ligou, e aí, como é que estão as coisas? ele disse, tem seis reais aqui. tudo bem, ela disse. não era o dinheiro do pão. quando o vizinho bateu na porta. ele abriu. o vizinho disse: tem seis reais para emprestar? ele disse. tenho. deu o dinheiro ao vizinho que disse, é para comprar cigarros... fechou a porta. o vizinho bateu na porta. devolveu o dinheiro. disse. obrigado. enfiou na carteira para qualquer imprevisto. voltou para casa. no dia seguinte pela manhã bateram na porta. a vizinha. ela disse: perdi o meu cartão, já estava dentro do ônibus em direção ao trabalho, tem seis reais para emprestar? ele disse. tenho.

domingo, 18 de maio de 2014

O Relógio...

como eu não tenho um celular, eu teria que ligar o computador, ou o Tablet. o que demandaria tempo para quem estava concentrado numa tarefa. se eu tivesse um relógio de pulso, ou de parede, teria visto as horas sem precisar ligar a televisão.

sábado, 17 de maio de 2014

O Pombo-Correio!

ele diz, vai e volta logo, Ralf! Ralf carrega consigo um pedaço de papel preso as patas. o pombo-correio atravessa o céu do bairro. carrega um papel onde está escrito, vai salvar? o outro diz, sim, eu salvo! aguenta aí, Ralf! ele põe uma pedrinha verde entre as patas de Ralf. o pombo-correio atravessa o bairro de volta.

A Penha Não Teve Livraria...

Hoje é fácil roubar tempo da leitura, ainda mais se ela estiver dentro do mesmo aparelho conectado a todas as maravilhas do mundo. aqui na Penha não teve livraria. os livros de papel vão acabar, e aqui na Penha não teve livraria, não que eu me lembre. alguém me corrija se eu estiver errado. o sebo clássico era aquele perto do Gomes Freire, desde a época em que eu não era um bom aluno, eu o conhecia. ele trocava livros, e tudo. li muita coisa ali. mas outro dia perguntei a um amigo dele porque ele sumira. o seu amigo disse que a família estava preocupada com a sua saúde, e que o trabalho não compensava, e que ele havia jogado os livros fora. ali mesmo, no meio da rua. esse foi  um gesto simbólico que representou o fim de uma era. os livros foram para o lixo. por isso que não podemos recusar um pedaço de ouro vendido a um real. como me disse um colombiano numa feira do centro em que segurava O Veneno Da Madrugada, García Márquez, um real, não tem o que pensar!

Trocando Figurinhas!

ela estava andando numa das ruas do centro, quando foi surpreendida por grupos de homens na esquina, ela pensou logo que fosse uma tentativa de golpe de estado. mas não, era apenas uma porção de marmanjos trocando figurinhas da copa do mundo... ela disse: trocando figurinhas! eu vou ter que contar isto a ele, para que ele escreva no blog... ela sorriu, balançou a cabeça.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

TV Aberta...

o pastor me olha e diz que eu fui vítima de um ritual. ele me mostra um despacho, como exemplo. os policiais vão a casa de um maluco que diz que os vizinhos estão com o som alto. mas na verdade os vizinhos já estão dormindo, como nós podemos verificar, diz o policial. uma menina imita um sotaque do norte do Brasil. a filha diz que vai bater na mãe, e que a mãe não presta, e que isso, e aquilo outro. a psicóloga interfere. ela, com um sorriso bonito, diz que a economia brasileira irá melhorar este ano. o filho do cantor terminou com a namorada de novo. um bêbado ameça se jogar de um telhado. o policial pede a ele que desça. ele diz que não vai descer. a mulher diz que ele não quer sair de casa, e que ele sempre volta bêbado para bater nela, e nos filhos. o pastor me dá o número de uma conta de banco para que eu deposite o meu dízimo. um cara me diz que depois que entrou para igreja ficou rico, virou empresário, e me pede para que eu siga o seu exemplo. a menina está visivelmente alterada, e pelo o que nós podemos constatar, diz o policial, ela e o namorado são usuários de crack... a menina anda de um lado para o outro da rua. ela é branca, e magra. mas o seu rosto está embaçado. uma menina imita um sotaque do nordeste do Brasil. agora ela passa a palavra para ele, que me diz que eu vou torcer como nunca para a seleção brasileira, pois a copa será aqui. aquele ator me diz que o seu relacionamento já está bem, e que eu posso ficar tranquilo. o pastor me pede para que eu olhe em seus olhos. eu olho. ele me diz que as coisas vão mudar. eu digo a ele que sim. estala uma tapa na bochecha da mãe. o câmera balança a câmera. entram os comerciais.

sábado, 26 de abril de 2014

Sabedoria Popular...

se você deixar o chinelo de cabeça para baixo está agourando a sua mãe. se começa a varrer quando alguém chega é porque você quer que essa pessoa vá embora. se a sua perna está doendo é porque vai ter uma notícia ruim. se a tua orelha está queimando é porque alguém está falando mal de você. se uma colher cai no chão é porque uma mulher irá a sua casa. se cair um garfo no chão é porque um homem irá a sua casa. se a sua mão está coçando, é porque você vai ganhar algum dinheiro. tropeçar numa pedra, é sinal de que a sua namorada ou o seu namorado está te traindo. uma borboleta cruzar o seu caminho é sinal de sorte. se a criança estiver bocejando é porque ela está com quebranto. se você tiver soluço é só colar um pedaço de linha na testa que o soluço passa. se você quiser que uma pessoa chegue diga o nome dela atrás da porta. se um pássaro te acerta os seus dejetos, é sinal de sorte, também. não se pode varrer a casa em direção a porta da rua, pois senão acho que corta a sorte. gato preto dá azar. passar por baixo de escada, também. se você diz o nome de alguém que não se encontra presente, é porque aquela pessoa aonde está, acabou de falar de você. se urubus rodeiam uma região é sinal de que alguém vai morrer. antigamente quando passavam os amoladores de faca, também. ainda bem que eles não existem mais, por aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não, Faz Diferença!

você acorda no meio do filme, e percebe que o mocinho irá morrer no final, não importando o quê ele faça. depois que nós deixamos o cinema vamos comer alguma coisa. e pouco importa que o personagem seja músico, extraterrestre, ou engenheiro. você chega a conclusão de que se ele pudesse viver cem anos, ao invés dessas duas horas, perceberia que o tempo é imbatível por ser tão veloz, um século não é nada para a historia, e daqui a cinco anos, outros personagens irão surgir, e aquele personagem, daquele filme, vai ser apenas a lembrança de uma noite agradável num cinema. talvez a gente nem saiba dizer do quê tratava o enredo do filme. em todo canto tem alguém com alguma fórmula, ou caminho mais seguro para uma vida mais segura, e se você quiser acompanhar o rebanho, terá que comprar, na próxima semana, o que há de mais moderno no mercado, mas o novo em um ano se torna obsoleto. o novo hoje, é descartável como a vida.  você sabe que o mundo já acabou outras vezes. só que dessa vez o nosso poder de destruição é maior. alguma teorias. os filmes de ficção científica são proféticos? ou fazem parte da memória do futuro? o tempo não é linear, e tudo acontece ao mesmo tempo em todos os lugares? será que é uma memória da espécie? não importa se amanhã você vai descobrir que fulano é isso, e ciclano é aquilo, não faz diferença! pois se você souber observar, verá quê todos nós temos as nossa vacilações, a diferença é que uns percebem isso, e outros não, e mesmo entre os que percebem, existem aqueles que não dão a mínima importância. então morrer, ou se matar por causa do que quer que seja, não, faz diferença! assim como se fazer o quê não quer pode ser entediante, se fazer o quê se quer, também. mas a diferença, é que não faz diferença!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ele, Com Aquele Colete Da Prefeitura...

todos os dias eu passo aqui nessa esquina, mais ou menos a essa hora. e, ele, com aquele colete da prefeitura está aqui. mas eu prefiro quando ele não está. pois me arrisco no meio dos carros, a adrenalina sobe pra cabeça, é uma loucura! eu sinto uma vibe parecida com a que um surfista sente perante uma onda gigante. mas os melhores dias são quando ele não está. pois quando ele está, eu tenho que esperar que venha alguma mulher. que alguma mulher me acuda, pois assim como muitos motoristas de ônibus, que só param no ponto se tiver alguma mulher, que ele julgue gostosa, é claro, este cara só fecha o sinal, se tiver alguma mulher por perto. ainda bem que ele não perde tempo escolhendo. a menina com o uniforme da empresa vai atravessar agora. é a sua vez de brilhar, ele gira o apito, e faz o escambau para impressionar a menina. eu vou aproveitar a carona, e atravessar. até mais! a gente se fala...

domingo, 30 de março de 2014

Cadê A Feira Da Rua Montevidéu?!

hoje os moradores do pacífico bairro da Penha, acordaram com uma notícia inusitada. a tradicional feirinha da Rua Montevidéu, patrimônio histórico cultural e universal tombado do bairro, havia sido transferida por motivos de força maior, para a Rua Belisário Pena. a Rua Montevidéu no dia de hoje, deu lugar a mais um estacionamento ao ar livre, como muitos desse que temos espalhados por nosso bairro.  boa sorte aos moradores da Rua Belisário Pena, e boa sorte aos comerciantes da Rua Montevidéu. quem sabe o próximo passo seja mudar a Igreja da Penha de lugar. assim como foi extirpada a única área de lazer local que era o Parque Ari Barroso, onde, hoje inclusive, se encontra uma UPA que não funciona, digamos, adequadamente. num bairro que tem uma porção de postos, clínicas e hospitais.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Vai Ter Quebra-Quebra!

Dona Lídia grita, pergunto, sério? diz, sim! Fico imaginando uma porção de vândalos saindo do Buraco, invadindo, e saqueando tudo. corro em direção a um abrigo nuclear. perguntei a ela sobre o helicóptero que sobrevoou nosso pacato bairro a tarde inteira. com o dedo hasteado Dona Lídia disse, são os vândalos... vai ter quebra-quebra! depois baixou os olhos, e concluiu, dizem que tem um artefato que pode ser explosivo na Romeiros. os traficantes mandaram fechar o comércio! ela passa a mão nas crianças, e corre desabalada, vão bora! Dona Lídia contou trezentos e sessenta cinco assaltos na Nicarágua ano passado. entro em casa, e me escondo embaixo da mesa com medo dos terroristas.

sábado, 22 de março de 2014

Você Sabia Que A Passagem Vai Aumentar De Novo?!

parte um - ele disse, não. eu não sabia. e o outro disse, vai aumentar a passagem dús treins do Rio, e vai aumentar a passagem dús metrô. ele diz, aumentarú a passagem dus ônibus, tú num acha qui elis num vaum aumentar dus trem, não, coé! e dús metrô, naum? e surgem aquelas risadas sem graça ao fundo. fala tú? e vai aumentanú, aumentanú, e eu já tô ficandú boladú, moro? i só no nosso lombo, só no nosso courú, eu já tô ficando agúniado, ele gesticula, e já num tô vendo a hora de tê um colapso total nesse país, uma guerra civil, por causa dessa palhaçada, por causa dessa ninharia, que eles roubam da gente, é ninharia! ele corta, mas de grão em grão a galinha enche o bico! e diz, você acredita nisso, eu não acredito, aqui, não, no Brasil, não. nós já demos prova que somos pessoas pacíficas várias vezes, ele disse, é mesmo... besteira. vai tê copa do mundú aí, vamu comemorá, vamu comemorá! diz o ator fantasiado de negro na tela do aparelho da menina. ele mudou de assunto. parte dois - ele disse, eu me lembro de quando eu pegava esse 485 com um vale transporte de quarenta e cinco centavos. e o outro continuou, você conhece as vítimas do 485? ele diz, não. vítimas de quê? o cara vem pro Rio, e aí ele fica hospedado na Penha, vamos supor,ele fica na sua casa, e ele pega o 485 indo em direção a Copacabana, mas antes disso, mas ele não lê que aquele 485 vai para o Fundão. ele disse, mas isso acontece tanto assim, meu amigo? é, mesmo, eu estou sabendo disso, não. ele disse, é, acontece direto, pô... ele continua, caramba, caraca, aconteceu com todo mundo que ficou hospedado lá em casa. eles descem em Olaria. olham para um grafite do Amor. e saem andando. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Filhinha Da Cláudia...

eu queria ser como a filhinha da Cláudia, ela não ficou choramingando como eu faria, e dizendo esperar que justiça seja feita, nós sabemos que justiça não será feita, nunca, mas a filhinha da Cláudia, não tem nada a perder, ela já perdeu tudo, ela já perdeu a sua mamãezinha que cuidava dos oito filhos, e na dor ela tem sido forte, creio que ainda nem teve tempo de chorar a morte da sua mamãezinha, mas ela já diz aquela verdade que está entalada em nossas gargantas, e mesmo estando filmado, nos falta coragem, dá medo dos tiros, dos ternos, das unhas bem cuidadas, das mãos lisas, dos dedos com alianças douradas, fardas, diplomas, cadeia, morte, pratos vazios, livros ultrapassados, hospitais sem anestesia, trens lotados, nós precismos da filhinha da Cláudia, nós precisamos mais dela do que ela precisa da gente, chega de ficar contando com o Joaquim Barbosa, lá, sozinho, feito uma voz solitária no fundo do mar, com aqueles ministros mandados perto dele, vem mais uma copa no Brasil, o gigante cochilou, e mais uma vez nós queremos jogar todas as responsabilidades em cima de um só Barbosa, mesmo na dor, a filhinha da Cláudia não teme os cargos públicos, as autoridades, a fala pomposa, e requintada, o suprassumo do saber como diria Bezerra da Silva, a filhinha da Cláudia tem a mesma força dos índios que resistem a nossa falta de cultura, essa guerra já deu no saco, já deu o que tinha que dar, já deixou vítimas demais, de todos os lados possíveis, e quem está na linha de frente do campo de batalha, nunca está na linha de frente das decisões, e vice-versa, para que tomar partido numa guerra que não é sua, vamos deixar a nossa breguice de lado, ninguém vai parar de usar drogas, é mentira, nós já nos entupimos o tempo todo, por todos os poros, assistindo, ouvindo, comendo, respirando esse ar poluído, vamos descriminalizar as drogas para que acabe essa guerra maldita, e ao invés de ficar correndo atrás de traficantes varejistas, vamos correr atrás dos nossos irmãozinhos que correm  o dia inteiro atrás do crack, vamos cuidar da nossa depressão de outra maneira, das nossas compulsões, e psicopatias, já sabemos que o homem nasce mau, e que talvez o meio o faça bom, tem uma porção que diz que não usa droga, e se encharca de bebida, e com droga, ou sem droga, mata, armado, de carro, com arma branca, às favas com as suas condolências! e que as suas malas cheias do nosso dinheiro, pesem em suas mãos, e que com todo o seu poder, vocês afundem até os seus infernos, demônios, já que é isso que vocês desejam, cheirem do melhor pó, bebam do melhor uísque, se deliciem com os melhores corpos, mandem seus filhos estudar fora, sejam felizes, enfim, mas deixem as nossas vidinhas em paz, e jornalistas Playboy`s, não é no morro de Congonhas, é morro da Congonha! errado ou não, eu tenho certeza que Deus existe, e que a filhinha da Cláudia, um dia, vai poder se reencontrar com a sua mamãezinha, no céu.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Frank Enlouqueceu O Maluco!

a mosca posa na borda do copo. o ventilador sopra, preguiçoso. o cachorro lambe as pernas em que o gato se enrosca. você dá cabeçadas no ar. o rapaz se agita, e diz ao policial, eu não aguento mais esses vizinhos... eles ficam batendo na parede a madrugada inteira! é como se tivessem batendo na minha cabeça, tum, tum, tum, e eles ficam ouvindo o Frank! eles sabem que eu não gosto dele... eles sabem que eu gosto do Raul, do Zé... o Policial olha para o rapaz que parece perturbado, e pergunta a ele, o quê eles fazem senhor? o rapaz responde, o quê eles fazem? você quer realmente saber o quê eles fazem?! eles ficam ouvindo o Frank o tempo inteiro, e ele dá aqueles gritinhos... é só isso que eles sabem fazer! pausa. e isso é enlouquecedor! eu sei que eu sou maluco, mas eu sou um maluco... a mãe dele diz, não diz isso, me deixa falar... ele continua, não, mãe, agora eu vou falar, agora eu tenho que falar! eu não gosto daquele tecladinho de churrascaria, aquilo é sofrível! você pensa, o Frank enlouqueceu o maluco. o cachorro lambe a sua cara. você tira a mão de dentro do copo. desliga a televisão. mergulha na tarde sonífera do subúrbio. colorento. a mosca posa em seu nariz. você cochila. sonha que está colhendo morangos num calor de cinquenta graus. o policial se vira para a câmera, e diz, como vocês podem verificar, a vizinhança dorme, silenciosamente...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Volta, Elias...

volta Elias... porque o seu sorriso, e o sorriso do seu filho Davi, me lembram o sorriso dos meus sobrinhos, que parecem nos iluminar. porque tudo ficou mais difícil sem você, o calor voltou, e as pessoas estão mais estressadas, e só faltam esganar umas as outras no meio da rua. e voltaram aqueles linchamentos terríveis aqui no Rio de Janeiro. e as brigas nos estádios, e o racismo nos estádios. volta, Elias. nós prometemos te blindar contra os racistas. volta, Elias, pois sem você fica muito mais difícil aturar as ruas sujas, e ver os irmãozinhos viciados em crack. volta, Elias, pois os meus netinhos portugueses me disseram que eles também querem te ver em campo, jogando. e porque inocentemente, eles acreditam que dessa forma, talvez consigam reparar alguns equívocos de seus ancestrais. volta, Elias, porque os braços do Cristo estão sempre abertos para você. volta, Elias, porque sem você nós vemos o quanto as ruas estão sujas. volta, Elias, porque depois que você foi embora, o gigante cochilou novamente. volta, Elias, porque aumentaram a passagem depois que você foi embora, e chegar ao trabalho virou uma aventura. volta, Elias, para que a gente não fique pensando que o  futebol é só dinheiro, e que a vontade dos jogadores, e dos torcedores não importa. volta, Elias, e quando você voltar, aproveita para diminuir o preço dos ingressos, por favor. volta, Elias, porque sem você, nós ficamos cada vez mais deprimidos, e sendo assim bebemos mais, fumamos mais, tomamos mais remédios, mulheres são agredidas, falta escola, creche, leitura, e o número de vítimas da violência, aumenta, sem você. volta, Elias, volta para nos consolar um pouco. e para que os gringos não usem o futebol brasileiro para fazer turismo sexual, e que nenhum estrangeiro tenha que passar pelo que a gente tem passado nos dias que eles estiveram aqui. volta, Elias, porque sem você as obras tem acabado com a Penha. e a poeria tem sujado os nossos pulmões. porque não há vaga nos presídios que não recuperam ninguém. volta, Elias, se ajoelha, pede a Deus, deve existir algum jeito de se alcançar o coração desses homens de terno, que conseguiram acabar com a música, e agora querem acabar com o futebol. volta, Elias, porque o Seu Elias quer que você volte. volta, Elias, para que hoje a gente não tenha um buraco em campo, e outro no coração. volta, Elias, porque você está aí sozinho, e tem uma multidão aqui, sonhando com a sua volta. volta, Elias, porque quando você faz um gol, ou dá um passe para um gol, tudo aquilo que é ruim, desaparece naqueles breves minutos, que poderiam durar a vida inteira, e que são um refrigério para as nossas almas. volta, Elias, pois quem perde é o futebol. volta, Elias, porque senão, quem vai embora sou eu!

sexta-feira, 7 de março de 2014

O Mirrole...

ele entrou, e disse, eu posso fazer um mirrole? o outro disse, pode, ele foi até o cinzeiro, e catou todas as bitucas, e começou a enrolar o mirrole. o outro estava viciado em Investigação Criminal, e começou a dar uma de detetive, então ele ficava o tempo todo congelando a imagem do prefeito jogando o caroço de fruta, indo, e voltando. e pensando se conseguiria solucionar aquele caso. seria possível que dali de onde o prefeito estava, ele conseguisse acertar a lixeira? ele congelava, e voltava, e pensava que aquela historia de que ele jogou o caroço para um amigo segurar, talvez fosse verdadeira... então ele começou a pensar que talvez o prefeito seria um ótimo jogador de basquete, ele seria um baita dum cestinha, assim como é na prefeitura. quando o outro terminou o mirrole, na hora ele pensou em lixo reciclável, na greve dos garis, e em coleta seletiva. O Mirrole disse, eu vou sair... e o outro respondeu, valeu Mirrole! e o Mirrole saiu pela rua lateral que é a Rua do Lixo. e ao olhar para o prefeito na tevê de plasma, ele conseguiu desvendar o caso, e comemorou ao ficar sozinho no barraco, o apelido do cara é... Me-Enrole, prefeito!

domingo, 26 de janeiro de 2014

Em Frente Ao Guanabara...

o barbeiro corta o meu black. a Gata da Hora nos olha. ele pula pra dentro da loja. aí, rapaz, eu fui hoje ali no Guanabara... e tá a maior loucura... tá todo mundo doido aí... quase que eu fui atropelado! maior gritaria... todo mundo brigando... até no telefone aí... fiquei de bobeira. o barbeiro diz: é que calor nesse calor bate maior neurose, e  eles estão tudo sem dinheiro... ele continua, rapaz, que loucura! no radio o Roberto Carlos, parafraseando Romário, que é um dos maiores frasistas do Brasil, diz, esse cara sou eu... ele permanece em sua agitação, rapaz, quando a pista ficar pronta, vai morrer muita gente, cara! o barbeiro diz: eu acho que vai ter passarela... o outro diz: você acha que o cara que tá acostumado, a parar os carros na marra com o sinal fechado pra ele, ele faz isto há trina anos, você acha que agora... ele vai andar cem metros que seja para atravessar a passarela? tem maluco que morre na Avenida Brasil. e não é crackudo, não, tá... que crackudo é atropelado direto... o Leandro está olhando pro lado. o Renato Gaúcho conseguiu abraçar o Zico. e o Leonardo me olha com seriedade. O barbeiro diz: acho que ficou bom... a Gata do hora, olha com enfado para a minha careca.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Só Falta Cair Fogo Do Céu!

a senhora que vende ervas medicinais dorme com o cachimbo na boca em frente ao supermercado Prix. eu leio a capa do Meia Hora em pé no trem. neste calor fica todo mundo bêbado. e nervoso. os carros cobrem as calçadas. empurro o carrinho de bebê do meu sobrinho pelo meio da rua. com medo. mas se pedisse alguma coisa ao prefeito, ele perguntaria onde eu moro, e depois daria uma gargalhada encerrando o assunto. como se eu fosse muito engraçado. a cidade tá pegando fogo. funk, tiro, só pedrada! e bala quase sempre perdida. vejo a correria da cidade, que alarde, Chico Buarque! formigas que trafegam sem porquê, Raulzito! eu sempre vou contra o fluxo. ou ando de trem o máximo possível... quer dizer, quando sou obrigado. embora a SuperVia seja do peru, vou te contar, hein?! meu Deus do céu! sei que não vou por aí, José Régio. não se devia mais construir estradas. é preciso acabar com os carros. e impedir que os carros entrem no centro. e preservar os prédios antigos que contam a nossa historia (lá fora tem pontezinha da idade media preservada). aqui dá cem anos, alguém bufa, bota-abaixo esta merda... e a nossa língua, e nossa cultura. mas é preciso olhar para o mundo, e para o futuro. e se preocupar com os menos favorecidos em suas capacidades. é preciso incentivar a leitura. justiça sem corrupção. saúde humanizada. é preciso uma escola que funcione, e que tenha tempo para educar, e lidar com as diferenças. mas é preciso antes de tudo deixar de ser hipócrita. os japoneses reconstroem o país todo ano. a gente não consegue acabar com a mesma seca de sempre. e com os mesmos deslizamentos de sempre. nada mudou, e será que alguma coisa mudará? se na última rodada aconteceu aquilo, imagina depois que terminar a copa? eu amei a atitude do Luiz Alberto do Atlético Paranaense que gritava, são seres humanos! ele tremia em seu estarrecimento como todos nós devíamos tremer perante aquelas cenas que a televisão não se cansava de reprisar. mas o Haiti é aqui sim, Gil, e Caetano, o Haiti, o México, a Índia, nós somos os pobres do mundo... e dentro do supermercado um coroa grita, só falta cair fogo do céu!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

NetGato...

alguém grita da cozinha. não tem um filho da puta pra encher uma garrafa d`água, nesse calor... ninguém responde. ele troca de canal. o careca luta com a mosca. bate com a camisa nas costas. limpa o suor da testa. calor do caralho... alguém de fora da casa. tem um que está com a boca aberta olhando para a tevê, quando surge um cantor que vive de fazer versões de outros cantores, ele descruza as pernas, e diz, ih, esse bagulho é vacilação! o dono da televisão alisa a barriga com uma das mãos, e muda de canal com a outra. passam alguns animaizinhos, e algumas aberrações... enquanto Basquiat caminha num documentário... o outro continua teclando ao olhar a sala. o dono da tevê diz, duzentos canais, e nada!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Swing Out Sister - Breakout

eu estava na Rua Curuá, e ouvi uma música vinda de um churrasco de domingo. nem me lembrava que tal canção existia. mas assim que a ouvi, veio a tona a minha memoria afetiva, sem assinalar um momento específico em que a ouvi. assim como, quando sinto cheiro de maconha, eu me lembro do finalzinho do antigo Circo Voador. pensei em perguntar se alguém da festa poderia me dizer o seu nome. mas fiquei com medo que pensassem que eu era maluco. cantarolei a musica para algumas pessoas que já estavam por aqui naquela época, e elas disseram se lembrar da melodia, mas não de quem a cantava. então fiz uma busca sem sucesso na rede, e pensei em procurar dois DJs, o Paulinho da Casa do Marinheiro (um dos maiores fãs do Corello DJ), ou um cara chamado Marcelo Brasil, um cara que havia morado na Rua do Couto, mas que eu não sabia como localizar. mas desisti com medo que pensassem que eu sou maluco. e por falar em Rua do Couto, eu posso ter ouvido esta musica numa festinha americana na Casa do Glauco, as meninas levavam salgadinho, os meninos levavam refrigerante, ou quem na rua 10, que era onde as minhas primas moravam. ou numa festinha junina da praça do IAPI, ou até mesmo na Kremlin, onde me comeram na porrada, e voltei para casa aos prantos. mas como diz João Gilberto, Chega de Saudade! um dia desses eu estava ouvindo radio arrumando a casa, e aí de repente, tocou esta música...