domingo, 19 de maio de 2013

Black Alien Se Retrata...

desde que assisti a este documentário sobre o Black Alien que não consigo parar de ouvir o Babylon By Gus. sou parte do pessoal da minha geração que era Racionais-Nação-Planet, e Rappa. vi o Black Alien ao vivo com o Planet, e, em dupla com o falecido Speed. sei que assim como o Sabotage, e o samba, que é preto na poesia, ele é um mestre. tem levadas, interpretações, e presença de palco infinita. seu estilo se aproxima do noir. de um trhiller-psicológico. ou de um filme pós-apocalíptico. cineasta, mostra cenas em suas letras que conseguimos visualizar com facilidade. pena não ter conseguido compreendê-lo de imediato. hoje entendo porque, porque ele desconstrói a linguagem. embaralha tudo. é um artista sem cerimônia. sem máscara. não é fanático em suas ideologias musicais, ou políticas. a sua cultura é caótica. assim como a sua cabeça. é um Itamar Assunção fluminense. é um cabeça de liquidificador. Black Alien é cru em sua entrevista. lava roupa suja em público, como poucos artistas, e assume a parte que lhe cabe. um dos melhores momentos do documentário em minha opinião, é quando ele diz que gastou muito dinheiro com mulheres e drogas na época do Planet. discorre sobre o "business" em sua palavras. fala sobre aquelas músicas que desaparecem nas mãos de produtores. espalhar coisas por aí é ao que me parece, é uma característica de quem produz muito. ele torna o improviso a regra. mas o que ele faz no improviso dentro do estúdio, são músicas antológicas. tenho a impressão que ele solta frases no ar. volta e meia eu pego alguma. mas tem que estar concentrado, e saber que o que a primeira impressão parece uma verborragia, no final tem um significado profundo. pega essa: eu tive lá. mas não te vi lá. no documentário você vê o Black Alien gravando com o DJ. e reclamando, as vezes. e pessoas reclamando dele também. indo para um show passam umas minas de carro, e o confundem com o Falcão. ele fica puto. Black Alien toca num assunto chato que é o preconceito que um artista preto pode sofrer de "algumas pessoas" ( as aspas são minhas) em determinados segmentos, por não ser miserável. de forma madura diz que não liga mais para isso. ainda rola ele cantando pra dez pessoas no norte fluminense. sem holofotes. e o Black Alien na banda Reggae Bi, que tem o Bi Ribeiro e parte dos músicos do Paralamas. Black Alien nos ensina que a música é criação de um momento. não sei se ele concorda com isso. sem apego. bom filme. e bom disco para você que não conhece. Ele diz numa letra "tirar foto é fácil, quero ver quem se retrata". Black Alien se retrata.

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