domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Mala No Quintal

a mala cheia de dinheiro estava no quintal da minha casa. jogaram por sobre o meu muro. não tive dúvida, e me encaminhei direto para a delegacia. devolver aquela dinheirama toda. as notas de cem faziam cócegas entre os meus dedos. eu sabia que talvez elas não voltassem para o seu destino de origem. para as mãos que haviam arremessado. o delegado me fez as perguntas de praxe. eu não sabia a procedência da grana. se soubesse talvez não estivesse ali. ele disse que polícia ia investigar o caso. algum alcaguete comunicou a impressa. eles se dirigiram a delegacia, e enfurnaram os microfones na minha boca, como fazem com os políticos envolvidos em escândalos. não disse nada. não engoli muito aquele história de papai noel, de algum rico empresário ajudando pessoas pobres. a falta de uma declaração, foi dada como uma prova da minha integridade, ao recusar os meus cinco minutos de fama pelo meu feito. havia me tornado um exemplo a ser seguido. a honestidade é a exceção. eu estava era fulo da vida por não poder ou não ter coragem de ficar com o dinheiro. fiquei foi com medo que as cédulas pertencessem a ladrões em fuga, que talvez voltassem para buscá-las. sei muito bem que o dinheiro pode ser rastreado pela sua numeração. não queria passar pelo que passou aquela gente da cidadezinha em que caiu um avião recheado de bufunfa. polícia, bandido, tudo foi atrás do faz me rir. não ia dar uma declaração dizendo que não havia ficado com a farpela por causa de meus escrúpulos. pois na situação em que me encontro, não recusaria dez pratas. na capa dos jornais estava escrito, O Homem Honesto. sou honesto sim, mas não pelo motivos apregoados.

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