quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Poodles

A menina mergulha na lata de lixo. O moleque espera. Deve ter alguma coisa que preste ali. Tudo é lixo naquele lugar. Um cenário de guerra, com homens mutilados e cadeiras de rodas. Ele assiste a cena de dentro do ônibus. Tem uniforme, crachá, carteira assinada, e um tasco de um baseado dentro do bolso. Não dá nem pra dar onda, ele pensa. Blitz. Um policial sobe no lotação. Quando vê o cachimbinho de crack, sujo e enferrujado do moleque, ele diz ao policial: aquele menor tem um cachimbo. O policial responde: não te perguntei nada! Ele se cala. Depois diz: o Brasil não vai melhorar, eu tenho certeza que o Brasil não vai melhorar... Quem disser isso tá mentindo. O Brasil vai explodir e nós vamos morrer aqui dentro. Ele diz isso olhando para os outros passageiros que se assustam. O policial ignora dessa vez. Depois ele se lembra do poodle e fala: eu queria ser uma porcaria de um poodle. Alguém já viu como essas madames cuidam deles? Eles têm até sapatinhos para não pisar no chão. Eu queria ser a droga de um poodle daqueles. O policial diz: você quer calar a porra dessa boca?! Um dos policiais revista a mochila de um homem que subiu naquele ponto, e que vai perder 50 reais daqui a pouco. A menina saiu do lixo e disse para o menino: nada! O motorista dá a partida. E ele diz baixinho... Um poodle... A droga de um poodle!

Um comentário:

  1. O capítulo 22 do livro "Todo mundo é Jhow!", de Delano Valentim II, está disponível para download. Leia algumas páginas do primeiro colocado na categoria romance do "Edital Novos Autores Fluminenses - 2010/2011" da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro: http://www.mobileditorial.com.br/?p=397

    ResponderExcluir